A Coopfy, startup brasileira de infraestrutura para ativos digitais, anunciou em junho uma plataforma que reúne transações bancárias, gestão de ativos, pagamentos, compliance e monitoramento de transações em um único ambiente. O objetivo é permitir que bancos, fintechs e empresas do setor operem criptografadamente com segurança regulatória desde a origem da transação, sem depender de múltiplos fornecedores e sistemas.

A empresa foi fundada por Fernando Zanatta, executivo com passagens por Netshoes, Dafiti, Buscapé e ZAX.

A plataforma realiza processos de KYC, KYB e KYT. As siglas vêm do inglês e significam, respectivamente, conheça seu cliente, conheça sua empresa e conheça sua transação. Na prática, são etapas de verificação da identidade dos usuários, validação de empresas e monitoramento de operações. Tudo acontece antes da conversão dos recursos em ativos digitais.

O sistema faz análises em tempo real. Com isso, identifique inconsistências e padrões de risco antes da efetivação das operações. Segundo a empresa, transações como suspeitas podem ser bloqueadas em poucos segundos. Isso reduz a exposição de instituições financeiras e empresas do setor a fraudes e movimentações de risco.

Desde o início das operações, a Coopfy já analisou mais de 2 milhões de operações. A startup atende clientes em processo de solicitação como prestadoras de serviços de ativos virtuais, como PSAVs, além de instituições de pagamento já integradas à plataforma, como o Pagsmile. O Finservices atua como banco parceiro e viabiliza a camada bancária das operações. A companhia projeta projetar mais de R$ 5 bilhões em operações até o final de 2026.

Como funciona a infraestrutura da Coopfy?

A Coopfy foi concebida como uma camada única de infraestrutura para empresas que operam com ativos digitais. A plataforma reúne, no mesmo ambiente, soluções de banco, compliance, monitoramento blockchain, gestão de carteiras digitais, pagamentos e obrigações regulatórias. A proposta é simplificar a operação e reduzir a fragmentação tecnológica do setor. Se o cliente já utiliza outro provedor para algumas dessas funções, a tecnologia da Coopfy pode ser integrada à estrutura existente.

O principal diferencial não é chamado compliance nativo. Compliance é o conjunto de práticas que garante que uma empresa cumpra as leis e normas do seu setor. No caso da Coopfy, toda operação já foi submetida a mecanismos de validação, monitoramento e prevenção de ilícitos. A regra vale para transações bancárias, transações em blockchain e investimentos digitais. Assim, a conformidade deixa de ser uma etapa adicional e passa a fazer parte da própria operação.

A infraestrutura é oferecida em modelo white label. Nesse formato, a empresa cliente utiliza tecnologia da Coopfy de marca própria. O pacote inclui gestão de carteiras em vários blockchains, gestão bancária com bancos, swap de saldos na rede Tron, processamento de pagamentos com conversão automática de ativos, emissão de contratos digitais e emissão de várias notas fiscais. Swap é uma troca direta de um ativo por outro. A plataforma também reúne KYC, KYB e KYT integrados, além da geração de relatórios regulatórios e obrigações de compliance, como Descripto, ACAM 220, relatório de clientes e relatório de saldos.

Segundo a empresa, a solução busca reduzir o tempo e os custos que as companhias pretendem desenvolver internamente uma infraestrutura compatível com as exigências regulatórias. A construção de uma estrutura própria com esse nível de integração pode exigir investimentos elevados e meses de desenvolvimento.

“Grande parte do mercado opera com soluções fragmentadas. Uma empresa contrata um fornecedor para banco, outro para compliance, outro para monitoramento blockchain e outro para gestão de ativos digitais. Nossa proposta é reunir toda essa infraestrutura em um único ambiente, onde a conformidade já faz parte da operação desde o primeiro momento”, afirma Zanatta.

O que muda as novas regras do Banco Central para a criptografia?

Além do monitoramento transacional, uma solução foi desenvolvida para facilitar o relacionamento entre empresas de ativos digitais e instituições financeiras. Esse é um dos principais desafios do setor nos últimos anos.

A plataforma oferece mecanismos adicionais de validação, rastreabilidade e gestão de riscos. Com isso, bancos e fintechs ganham mais visibilidade sobre as operações realizadas por empresas do segmento. Para a Coopfy, essa camada de visibilidade tende a se tornar um requisito para que empresas de ativos digitais consigam operar com instituições financeiras tradicionais.

O movimento acompanha o avanço do marco regulatório brasileiro. As Resoluções nº 519, 520 e 521 do Banco Central estão em vigor desde fevereiro de 2026. Com elas, as prestadoras de serviços de ativos virtuais, como PSAVs, passaram a operar sob autorização e supervisão direta do BC. As empresas incluem corretoras, custodiantes e intermediários de ações digitais. O prazo para protocolar os pedidos de autorização termina em 30 de outubro de 2026.

A expectativa é que a regulamentação amplie a participação das instituições financeiras tradicionais no setor. Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de ferramentas externas à gestão de riscos, ao monitoramento de operações, à integração bancária e à conformidade regulatória.

Na avaliação de Zanatta, a evolução do mercado deve gerar uma nova demanda por infraestrutura especializada.

“Durante muito tempo a inovação esteve especializada na criação de ativos, plataformas e novos produtos. Agora começamos a ver uma preocupação crescente com processos, governança, monitoramento e segurança. Esse movimento deve acelerar à medida que o mercado avançou e a regulação avança”, afirma.

Para a empresa, os ativos digitais já entraram em uma fase de consolidação. Nela, a infraestrutura passa a ser tão importante quanto os próprios produtos financeiros oferecidos ao mercado.

“O futuro do setor depende da capacidade de construir infraestrutura capaz de conectar inovação e conformidade. É isso que permitirá que o mercado cresça de forma sustentável nos próximos anos”, conclui.

O artigo Startup lança plataforma que bancos e empresas criptográficas foram vistas pela primeira vez no BeInCrypto Brasil.

Fontebeincrypto

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