A divulgação de um novo relatório financeiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre as negociações no Congresso americano em torno da principal proposta de regulação do mercado criptográfico no país.
O documento, com 927 páginas, mostrou que Trump teve centenas de milhões de dólares em receitas ligadas a criptoativos, incluindo ganhos relacionados à World Liberty Financial, empresa de finanças descentralizadas lançada pela família Trump em 2024.
A divulgação ocorre em um momento sensível para o setor. Republicanos e democratas negociam o Clarity Act, projeto de lei que busca criar o primeiro marco federal abrangente para o mercado de criptoativos nos Estados Unidos. Um dos pontos mais delicados das conversas envolve a inclusão de regras de ética para limitar a possibilidade de presidentes, vice-presidentes, parlamentares e outros servidores federais lucrarem com ações digitais enquanto não estiverem em carga.
Após a publicação do relatório financeiro de Trump, os senadores democratas voltaram a cobrar essas restrições entrem no texto final da proposta. A senadora Angela Alsobrooks, do Partido Democrata por Maryland, afirmou que uma regra de ética é essencial para garantir que o mercado criptográfico beneficie investidores comuns, e não autoridades públicas.
“Precisamos desesperadamente de uma legislação que inclui um acordo sobre ética, que se aplica ao presidente, ao vice-presidente e a todos nós”, disse Alsobrooks ao The Block. “Quero que os trabalhadores americanos se beneficiem dos ativos digitais de forma justa e honesta, não por meio de corrupção e armadilha do sistema.”
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A senadora Kirsten Gillibrand, democrata por Nova York, também afirmou que as negociações começam em torno de uma reforma ética “rigorosa e bipartidária”. Segundo ela, o texto deveria proibir presidentes, vice-presidentes e parlamentares de usarem criptomoedas para lucro pessoal.
“Nenhum político, incluindo o presidente, deveria lucrar com sua carga pública”, afirmou Gillibrand.
A senadora Elizabeth Warren, uma das principais críticas do mercado criptográfico no Congresso, foi além. Para ela, a Lei da Clareza precisa impedir que parlamentares, o presidente, o vice-presidente e seus familiares lucrem com a indústria criptográfica. Caso contrário, disse Warren, a proposta poderia acelerar o que chamou de “corrupção criptografada” de Trump.
Republicanos também falam em regras de ética
A pressão não vem apenas dos democratas. A senadora Cynthia Lummis, republicana pelo Wyoming e uma das principais defensoras da regulação criptográfica no Congresso, afirmou que o Clarity Act deve incluir regras fortes de ética.
Segundo Lummis, as negociações sobre o tema coincidem “de boa-fé” com a Casa Branca e com democratas. Ela disse que o objetivo é garantir que nenhuma autoridade eleita, independentemente do partido, use a carga para lucrar com ativos digitais.
“A Lei da Clareza incluirá fortes disposições de ética, disposições que temos negociadas de boa-fé com a Casa Branca e os democratas, que garantirão que nenhuma autoridade eleita, independentemente do partido, possa usar sua posição para lucrar com ativos digitais”, afirmou Lummis.
A senadora também pediu que os colegas que tenham preocupações com ética participem das negociações em vez de desbloquear o avanço da proposta.
“O caminho futuro é simples: se você tem preocupações sobre ética e ativos digitais, trabalhe conosco para aprovar este projeto”, disse.
O relatório financeiro de Trump adiciona combustível a uma discussão que já vinha travando o avanço da regulação criptográfica nos Estados Unidos. O Clarity Act é considerado uma das propostas mais importantes para o setor porque busca definir competências entre reguladores, criar regras para emissão e negociação de ativos digitais e dar mais previsibilidade jurídica para empresas criptográficas.
Para a indústria, o projeto é visto como uma forma de substituir anos de incerteza regulatória por um marco federal mais claro. Para críticos, porém, a proposta não pode avançar sem mecanismos que impeçam conflitos de interesse envolvendo autoridades públicas com exposição direta ou indireta ao mercado.
Questionado sobre o relatório financeiro, Trump afirmou que seus investimentos pessoais estão em uma espécie de conta cega e que não conversam com os responsáveis pela gestão desses recursos.
“Eles investem meu dinheiro. Eu não falo com eles. Eu nem falo com eles”, disse Trump aos repórteres, segundo o The Hill. “São grandes instituições, e elas administram.”
O documento também mostrou receitas ligadas à primeira-dama Melania Trump. Segundo a divulgação, ela teve US$ 6 milhões em ganhos com a venda de NFTs, acima dos pouco mais de US$ 216 mil registrados no ano anterior. Melania lançou seu primeiro NFT em 2021, uma aquarela dos olhos de Trump chamada “Melania’s Vision”.
A combinação entre os ganhos criptográficos da família Trump e a tentativa do Congresso de aprovar uma lei estrutural para o setor aumenta a complexidade política do Clarity Act. O projeto precisa equilibrar a demanda da indústria por regras claras com a cobrança de democratas e parte dos republicanos por salvaguardas contra conflitos de interesse.
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Fonteportaldobitcoin




