O peso argentino atingiu um novo recorde histórico de baixa frente ao dólar americano: a moeda perdeu expressivos 99,8% de seu valor desde 2009.

A seguir, veja o que explica essa desvalorização, como ela afeta os argentinos e o que é necessário para revertê-la.

Por que o peso argentino registrou um novo mínimo histórico frente ao dólar?

Um mínimo histórico corresponde ao menor nível já atingido por uma moeda frente a outra em toda a sua cotação. O peso argentino alcançou essa marca em relação ao dólar, o que representa um dos maiores depósitos financeiros da história econômica contemporânea.

O gráfico mensal do par ARS/USD expõe uma queda quase vertical ao longo dos anos. Em 2010, um dólar era negociado por pouco mais de 3 pesos. Atualmente, a cotação oficial gira em torno de 1.480 pesos por dólar, embora o mercado paralelo apresente uma diferença ainda maior.

Essa desvalorização não é um isolamento acústico. Pelo contrário, resultado de ciclos recorrentes de emissão monetária descontrolada para cobrir débitos fiscais. Além disso, os controles cambiais e a redução das reservas internacionais divulgaram o enfraquecimento da moeda.

O governo de Javier Milei, iniciado em dezembro de 2023, apresentou um forte ajuste ortodoxo. Cortou os gastos públicos, eliminou subsídios e realizou uma desvalorização inicial. Como resultado, a inflação mensal caiu de níveis hiperinflaçonários para patamares mais controlados.

No entanto, os gráficos de dois anos evidenciam que a depreciação prosseguiu, mesmo que de forma menos acentuada. A moeda segue pressionada pela diferença entre inflação e câmbio. Da mesma forma, a necessidade de acumular reservas mantém o peso sob tensão.

Como essa queda afeta a economia argentina?

A perda de valor impacta diretamente o bolso da população. Para os argentinos, isso significa uma erosão constante do poder de compra dos periódicos e das economias em pesos. Além disso, muitas famílias vivenciam uma rápida desvalorização de sua renda.

Esse quadro estimula a dolarização informal da economia. Por isso, muitos preferem guardar dólares financeiros ou criptomoedas como stablecoins como forma de proteção. Além disso, as empresas enfrentam enormes dificuldades para investimentos planejados de longo prazo diante de tanta incerteza.

No cenário externo, um peso tão enfraquecido encarece as importações, dificulta as relações comerciais e afeta a parte da dívida externa. A Argentina, detentora de soja, lítio e gás, vê seu potencial de atração de investimentos estrangeiros reduzido devido ao risco cambial.

Os especialistas concordam que é preciso uma reforma estrutural profunda. Isso envolve disciplina fiscal permanente, autonomia do Banco Central e liberalização comercial. Apenas com essas medidas, afirma, será possível romper o ciclo de crise que marcou o país há décadas.

Enquanto isso, o histórico do peso serve de alerta global. Embora o governo tenha conseguido evitar uma ruptura imediata, o caminho para a estabilidade ainda é longo. Uma experiência recente mostra como a desvalorização de uma moeda afeta o cotidiano de milhões de pessoas.

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Fontebeincrypto

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