Num estudo publicado em 2023, Emma Lawrence, da Universidade de Oxford, que estuda o efeito das alterações climáticas na saúde mental, e os seus colegas analisaram as evidências que ligam os resultados da saúde mental às temperaturas ambientes exteriores. Eles descobriram que durante as ondas de calor houve um aumento de 9,7% na taxa de internações hospitalares de pessoas com essas condições.
“As pessoas que vivem com problemas de saúde mental estão entre as mais suscetíveis aos impactos físicos do calor”, diz Lawrence. Descobriu-se que as pessoas com esquizofrenia tinham três vezes mais probabilidade de morrer durante a onda de calor recorde que afetou o Canadá em 2021, por exemplo.
Para proteger as pessoas, precisamos de uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes a estes efeitos. Afinal, muitas coisas mudam quando está muito, muito calor. Algumas pessoas podem acabar presas em ambientes fechados, evitando brincadeiras e exercícios ao ar livre, e pode ser difícil ter uma boa noite de sono, por exemplo. Sono, socialização e exercícios são muito importantes para nossa saúde mental.
Mas se o calor incomum faz algo específico ao nosso cérebro é, como diz Wortzel, “a questão de um milhão de dólares”.
Pesquisas em animais de laboratório sugerem que o calor excessivo pode alterar a forma como os sinais químicos funcionam no nosso cérebro. Os níveis de neurotransmissores como a serotonina, por exemplo, parecem aumentar quando ratos e camundongos são expostos a altas temperaturas, de acordo com vários estudos. O calor também pode interferir na forma como as redes do nosso cérebro se comunicam entre si. Pode afetar a forma como o oxigênio chega às células cerebrais.
“Existem muitas razões biológicas pelas quais os cérebros podem ser afetados negativamente pelo calor”, diz Wortzel.


