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Durante muito tempo, as criptomoedas foram tratadas como ativos de nicho: voláteis demais para investidores conservadores, complexas demais para quem já conhecia o mercado financeiro e especulativo demais para quem buscava montar uma carteira séria.

Essa visão, no entanto, começou a mudar à medida que o mercado amadureceu, os produtos regulamentados ganharam espaço e o Bitcoin passou a conviver com ETFs, tesourarias corporativas e estratégias de alocação mais tradicionais.

Hoje, a discussão já não gira tanto em torno de ter ou não ter criptografia na carteira, mas de quanto ter e de que forma se exportar. Foi esse o teste feito com três inteligências artificiais diferentes — Gemini, ChatGPT e Grok — a partir de uma mesma provocação: como investir R$ 10 mil em três perfis distintos, conservadores, moderados e agressivos. A ideia era ver se as plataformas incluiriam criptomoedas espontaneamente ou se ainda tratariam o setor como algo periférico.

O resultado mostrou que o mercado parece ter avançado mais rápido do que parte dos modelos. Duas das três IAs deixaram inicialmente criptografia de fora das carteiras principais e só passei a recomendar exposição depois de serem questionadas diretamente sobre isso. Ainda assim, nenhum tratou o tema como irrelevante: quando estimuladas, todos presumiram algum espaço para os ativos digitais, sobretudo nos perfis mais arrojados.

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Mas o experimento também tem um limite importante: IA não faz recomendação de investimento. Ainda que consiga organizar carteiras de forma consistente e explicar racionalmente as escolhas, ela não conhece em profundidade o patrimônio, a renda, a reserva de emergência, a tolerância real a perdas nem os objetivos específicos de cada investidor. Por isso, use esse tipo de resposta, sirva apenas como ponto de partida para cada um fazer um estudo aprofundado ou se aconselhar com especialistas. Não siga cegamente a recomendação de uma IA.

O lugar das criptomoedas no portfólio

Para Rony Szuster, chefe de pesquisa da MB | Mercado Bitcoin, esse ponto já deveria estar mais bem resolvido. “Mesmo que as pessoas conservadoras deveriam ter pelo menos 1% a 5% em criptografia, isso deveria aparecer em todos os modelos porque é realmente matematicamente melhor do que não ter”, afirmou.

Já Fabrício Tota, Diretor de Novos Negócios do MB, chama atenção para a forma de executar a alocação: “Pra qualquer um dos três perfis: a recomendação é fazer DCA (compras parceladas)”, querendo dividir a parcela que irá para criptomoedas em quatro esportes semanais, por exemplo, reduzindo o risco de entrada no topo, especialmente em um mercado que opera 24 horas por dia, sete dias por semana.

A avaliação é semelhante à de André Franco, CEO da Boost Research. Para ele, A discussão atual já não deveria ser criptografada ou não em uma carteira, mas qual percentual faz sentido para cada perfil. “Não acho que a criptomoeda é só para investidores arrojados/agressivos. Acho que a criptomoeda é para todo o mundo, e você tem que decidir o percentual”, afirmou.

Segundo Franco, estudos de casas como Fidelity, Bitwise e BlackRock já demonstraram que até mesmo uma pequena fatia em Bitcoin pode melhorar a relação de risco e retorno de uma carteira tradicional.

Em relatório publicado em dezembro de 2024, a BlackRock, maior gestora do mundo, afirmou que uma alocação de 1% a 2% em Bitcoin pode ser uma faixa “razoável” em portfólios multiativos. O gestor calculou que, em uma carteira 60/40 (60% em renda variável e 40% em renda fixa), 1% em Bitcoin representa cerca de 2% do risco total do portfólio, enquanto 2% em Bitcoin sobe para cerca de 5%.

Acima disso, porém, o peso do ativo cresce rapidamente: com 4% de alocação, o Bitcoin já respondia por 14% do risco da carteira. “Com certeza uma carteira hoje, de qualquer tipo de mercado, ela é melhor com alocação de Bitcoin do que ela é sem alocação em Bitcoin”, diz Franco.

Confira como cada IA ​​montou uma carteira de investimentos:

Gêmeos

O Gemini foi o único dos três modelos a incluir criptomoedas já na carteira inicial, sem ser questionado diretamente sobre ter ativos digitais, mas apenas no perfil arrojado. Na proposta original, a IA sugeriu uma alocação de 5% em Bitcoin e Ethereum para o investidor agressivo, deixando os perfis conservadores e moderados concentrados em renda fixa, fundos imobiliários (FIIs), ações e exposição internacional.

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Quando questionado diretamente se colocaria criptografia em alguma opção, o modelo reforçou essa visão e disse que manteria o setor apenas na carteira agressiva, com 5% do total — o equivalente a R$ 500 em uma carteira de R$ 10 mil. A justificativa foi que o ativo continua sendo de alto risco e, por isso, não combina com quem priorize preservação de capital ou equilíbrio.

Bate-papoGPT

Na primeira resposta, o ChatGPT montou três carteiras sem incluir criptomoedas em nenhuma delas. A base sugerida foi formada pelo Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e diversos ETFs: WRLD11 (ações globais), BOVA11 (Ibovespa), GOLD11 (ouro). Em algumas parcerias, ele também incluiu fundos imobiliários, seguindo uma construção bastante tradicional, diversificada e sem ações digitais no ponto de partida.

Só depois de ser questionado explicitamente sobre o código do modelo passou a propor a exposição. A recomendação revisada foi de 0% para conservadores — com no máximo 2% questionados para quem “faz muita questão” —, 5% para moderados e 10% para agressivos.

Para iniciantes, a sugestão foi buscar esta exposição por ETFs listados na B3, com maior peso em Bitcoin e uma fatia menor em Ethereum. Já para os outros perfis, o investimento sugerido já seria direto nas moedas, com sugestões de 4% em Bitcoin e 1% em Ethereum na carteira moderada, e 7% em Bitcoin e 3% em Ethereum na agressiva.

Grok

O Grok repetiu o padrão mais conservador na largada. Em sua proposta inicial, as três carteiras foram montadas sem criptomoedas, com foco em Tesouro Direto, LCI/LCA, CDBs, ETFs como BOVA11 e IVVB11 (ações dos EUA) e uma pequena participação em FIIs nas versões moderadas e agressivas. A era racional de diversificação clássica para um investidor físico no Brasil.

Quando provocado a dizer se incluiria criptografia, porém, o modelo mudou parcialmente de posição. Passou a recomendar a exposição apenas no perfil agressivo, entre 5% e 10% da carteira, preferencialmente via ETFs de criptografia na B3. Para conservadores, a resposta foi 0%; para moderados, no máximo um teste marginal de 2% a 3%, mas sem recomendação eficaz.

Não é “se”, mas “quanto”

O exercício com as três IAs ajuda a mostrar que as criptomoedas já deixaram de ser automaticamente vistas como ativos “proibidos” para carteiras diversificadas. Ao mesmo tempo, revela que ainda existe hesitação quando o investidor não é explicitamente descrito como alguém aberto a esse tipo de risco. Em outras palavras, o código já entrou no mapa, mas nem sempre entra espontaneamente no portfólio.

Porém, os analistas já têm uma visão mais direta de que a criptografia, hoje, pode fazer sentido até para o investidor conservador, desde que em tamanho pequeno e com execução disciplinada. Isso não significa transformar a carteira em uma aposta, nem trocar a base defensiva por volatilidade. Significa considerar que o mercado avançou a ponto de a discussão deixar de ser binário.

A pergunta já não é mais “devo ter criptografia na carteira?”. A pergunta, agora, é outra: quanto de criptografia eu devo ter diante do meu perfil?

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Fonteportaldobitcoin

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