Arthur Hayes está adotando uma postura mais construtiva em relação aos ativos de risco (cripto), pois acredita que o ciclo global de liquidez está começando a mudar. Em termos simples, isso indica que pode haver mais disponibilidade de caixa líquida na economia dos Estados Unidos para incentivo a investimentos.

Seu argumento é direto: embora o mercado acompanhe a transição da presidência do Fed, a principal mudança de liquidez pode já ocorrer dentro do próprio sistema bancário.

“… Passei a pesquisar mais sobre a situação de liquidez e fiquei mais otimista quanto à direção da impressão de dinheiro. A questão é se mais US$ serão criados, e acredito que sim. Em 1º de abril, entrou em vigor o índice de alavancagem suplementar aprimorado (eSLR) para bancos comerciais americanos. Isso permite que eles utilizem mais alavancagem em seus balanços, proporcionando os investimentos que abordam os ativos que você possui.” afirmou Arthur Hayes ao BeInCrypto.

A impressão de dinheiro agora é diferente de 2020

Imprimir dinheiro nem sempre significa que o Fed lançará estímulos nos moldes da pandemia. Na prática, pode-se tratar de expansão do crédito, flexibilização dos balanços bancários, maior aquisição de títulos do Tesouro ou adoção de políticas que ampliem a liquidez em US$.

Por isso, uma mudança recente nas regras do eSLR tem relevância. O regulamento foi implementado em 1º de abril de 2026 e altera as normas de alavancagem para os maiores bancos do país.

O objetivo, segundas autoridades, é evitar que a regra desestimule os bancos a atuarem em operações de baixo risco e baixo retorno, como a intermediação no mercado de Treasuries.

Nova regulação pode abrir o fluxo de dinheiro

Hayes explicou que a alteração no eSLR “permite que os bancos aumentem a alavancagem nos balanços ao reduzir as despesas para certos tipos de ativos que detêm”.

Isso não significa criar automaticamente trilhões de US$ em novos empréstimos. As instituições ainda necessitam de exigência, garantias e provisão para assumir riscos.

Por outro lado, amplia a capacidade das grandes instituições de manter títulos do Tesouro e expandir seus balanços. Em um cenário de forte emissão de dívida americana, essa é uma liberação relevante de liquidez.

Isso reforça a tese de que a impressão de dinheiro pode começar pela infraestrutura do mercado antes de se refletir em grandes anúncios de afrouxamento quantitativo.

O Fed segue em uma encruzilhada

O Fed não desenvolveu uma postura totalmente acomodativa. Em 29 de abril, mantiveram as taxas entre 3,50% e 3,75%, confirmando que os acontecimentos no Oriente Médio aumentaram a incerteza. A decisão contornou com votos divididos, já que parte dos dirigentes manifestou resistência em adotar uma tendência de flexibilização por conta do risco de inflação elevado.

Esse é o impasse: a inflação impulsionada pelo petróleo contraria cortes nos juros, enquanto as necessidades do mercado de títulos do Tesouro e o ritmo mais lento da atividade econômica reforçam o argumento por apoio à liquidez.

Kevin Warsh pode ter impacto menor do que o imaginado

Hayes também argumentou que o temor de que Kevin Warsh possa reduzir de forma intensa o balanço do Fed está sendo exagerado. Ele ponderou: a flexibilização fornecida pelo eSLR já está em vigor, enquanto os planos de Warsh para o balanço seguem incertos e levariam tempo para serem implementados.

O ponto é válido. Mesmo que Warsh pretenda diminuir o balanço do Fed, uma nota de implementação mais recente do banco central ainda permite compras de títulos do Tesouro para manter reservas abundantes.

“O mercado está olhando para Kevin Warsh como provável próximo presidente do Fed, com a expectativa de que ele queira enxugar o balanço da instituição, o que seria ruim para a liquidez. Mas, ao analisar as opções reais para reduzir o balanço, não parece ser medidas tão severas e o efeito seria lento. Já os bancos comerciais podem aumentar a alavancagem dos balanços sob as novas regras do eSLR, que já estão valendo”, disse Hayes.

O que esperar dos mercados financeiros

Se o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã para suspensão e o tráfego no Estreito de Hormuz para serem normalizados, a liquidez tende a ganhar destaque. Isso daria sustentação às bolsas, principalmente para bancos, empresas de tecnologia de grande porte e demais segmentos sensíveis à disponibilidade de recursos.

O setor de criptografia pode reagir mais rapidamente. O Bitcoin é o exemplo mais direto dessa estratégia, pois responde imediatamente às expectativas de liquidez e desvalorização do US$.

Nas commodities, o cenário é segmentado. O petróleo deve permanecer alto se o risco geopolítico persistir. O nosso tende a se beneficiar em ambos os casos, posicionado entre o risco de conflitos, o recebimento inflacionário e movimentos de política monetária expansionista.

Assim, a janela para impressão de dinheiro pode estar aberta, mas começa pelo sistema bancário. Os ativos de risco podem ser favorecidos, desde que o cenário geopolítico não siga a inflação.

O artigo Impressão de dinheiro nos Estados Unidos pode começar: como os mercados reagirão? foi visto pela primeira vez no BeInCrypto Brasil.



Fontebeincrypto

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