O Bitcoin voltou a ganhar força nesta terça-feira (14) e já acumula alta de cerca de 10% em sete dias, retomando níveis acima de US$ 75 mil e reacendendo o otimismo entre os investidores. O movimento chama atenção não apenas pela intensidade, mas pelo contexto: o ativo sobe em meio a pesadas geopolíticas, saídas pontuais de ETFs e um ambiente macro ainda incerto.
Para os analistas, a alta não é um evento isolado, mas resultado de uma combinação de fatores estruturais e técnicos que vêm se acumulando nos últimos meses. “A gente vem sentindo um Bitcoin bem mais forte do que o esperado em momentos de tensão”, afirma Rony Szuster, head de research do MB | MercadoBitcoin.
Segundo ele, essa força recente é reflexo direto de uma mudança profunda no perfil do mercado. “Todo esse movimento de institucionalização do Bitcoin nesses últimos dois anos (…) faz com que a gente tenha melhores performances, com o Bitcoin caindo menos do que o esperado e subindo mais também”, diz.
Nas últimas semanas, o noticiário foi definido por uma grande indefinição do conflito entre Estados Unidos e Irã. Há alguns dias os dois países finalmente acertaram um cessar-fogo de duas semanas, que um dia depois correu o risco de ser quebrado.
No fim da semana, Donald Trump criticou a postura iraniana e afirmou que iria bloquear o Estreito de Ormuz. Mas agora a sinalização mais recente é de que as conversas entre as duas partes estão evoluindo. Tudo isso levou os mercados a oscilarem forte, com investidores de olho especialmente no preço do petróleo, que a cada dia que supera US$ 100 cria mais aversão ao risco, enquanto quedas abaixo desse nível aliviam o cenário.
Neste momento, o Bitcoin registra alta de mais de 4% em 24 horas, cotado a US$ 75.248, próximo de suas máximas em um mês. Em sete dias, os ganhos são de 10,8%, ao passo que em 30 dias a valorização está em 5%.
O que está por trás da alta
Um dos principais motores da valorização recente é a entrada de capital institucional. A criação de ETFs à vista nos Estados Unidos e a adoção do Bitcoin por empresas como ativos de tesouraria ajudaram a formar uma nova base de investidores, mais estável e com horizonte de longo prazo.
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Szuster destaca que esse novo perfil de demanda tem mudado de acordo com a dinâmica do mercado. “Grande parte dos detentores de ETFs são investidores institucionais de longo prazo que seguram o Bitcoin por muito tempo e não vão vender nesse movimento de queda”, afirma.
Isso cria uma espécie de “colchão de liquidez”, que reduz a pressão do vendedor mesmo em momentos de correção. Dados analisados pelo tempo do Mercado Bitcoin mostram que, mesmo em quedas de até 50%, as saídas dos ETFs foram relativamente limitadas, com exceção dos investidores.
Outro fator importante é o comportamento dos chamados detentores de longo prazo – investidores que mantêm Bitcoin por longos períodos. “Eles vêm acumulando muito forte já há dois meses”, diz Szuster. Esse acúmulo reduz a oferta disponível no mercado e ajuda a sustentar os preços.
No curto prazo, aspectos técnicos também ajudam a explicar o movimento. A região dos US$ 75 mil se tornou um ponto-chave para o mercadoconcentrando grande volume de posições em derivativos. Nesse nível, a dinâmica conhecida como “gama negativo” pode amplificar movimentos: se o preço rompe a faixa, há um efeito na cadeia de compras que acelera a alta.
Bitcoin sobe com caos global
Além dos fatores técnicos e de fluxo, há também uma mudança mais profunda na narrativa do Bitcoin. Analistas da gestora Bitwise Asset Management, segundo o site The Block, defendem que a recente valorização do ativo não acontece apesar do cenário global instável, mas justamente por causa dele.
Segundo a casa, o Bitcoin está deixando de ser visto apenas como um ativo de risco e passando a funcionar como uma alternativa ao sistema financeiro tradicional em momentos de ruptura. Desde o início dos conflitos recentes no Oriente Médio, o BTC subiu cerca de 12%, enquanto índices como o S&P 500 recuaram e o ouro também perdeu valor no período.
A Bitwise descreve o Bitcoin como “duas apostas em uma”: a primeira, já conhecida, é competir com o ouro como reserva de valor global. A segunda, ainda pouco precificada, é o seu potencial como moeda de liquidação em transações internacionais, especialmente em um cenário de fragmentação geopolítica e enfraquecimento de sistemas tradicionais como o SWIFT.
Na visão do gestor, eventos como avaliações econômicas e restrições a sistemas financeiros globais estão incentivando países e empresas a buscarem alternativas neutras — e o Bitcoin surge como uma opção natural. Esse movimento, segundo os analistas, pode aumentar significativamente o valor potencial do ativo no longo prazo.
Até onde o Bitcoin pode ir
Apesar do momento positivo, o próximo passo do Bitcoin depende de um fator central: sustentar os níveis atuais. Analistas destacam que romper os US$ 75 mil é importante, mas manter o preço acima dessa faixa é o que pode consolidar uma nova tendência de alta.
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Caso isso aconteça, o mercado pode buscar rapidamente a região entre US$ 80 mil e US$ 85 milonde há menor pressão do vendedor no curto prazo. Por outro lado, uma exclusão nesse nível pode transformar o movimento em uma “bull trap”, ou seja, uma falsa ruptura que leva a correções.
Outro ponto de atenção é que, apesar da força recente, o Bitcoin ainda está abaixo de sua mídia móvel de 200 dias, considerado um indicador importante de tendência de longo prazo. Isso sugere que o ativo ainda pode estar em fase de recuperação, e não necessariamente em um ciclo de alta plena consolidação.
Szuster também faz um alerta implícito: o comportamento dos investidores de longo prazo tende a mudar conforme o preço sobe. “Conforme o preço vai subindo, a tendência é eles começarem a voltar a vender”, afirma. Ou seja, a mesma base que hoje sustenta o mercado pode, em algum momento, se tornar fonte de pressão.
Ainda assim, a visão geral é bem positiva. A Bitwise espera que o BTC atue cada vez mais como uma proteção contra a instabilidade geopolítica, e não apenas como um ativo especulativo atrelado a ciclos de crédito.
Para um gestor, se o Bitcoin capturar tanto a demanda como reserva de valor quanto uma parcela dos fluxos globais de transações, as metas de preços atuais podem subestimar seu potencial. A Bitwise agora aponta para um cenário em que US$ 1 milhão se torna uma base, e não um limite.
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Fonteportaldobitcoin


