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A crítica do investigador on-chain ZachXBT às carteiras físicas de criptomoedas gerou ocorrência da Trezor, um dos principais fabricantes desse tipo de dispositivo. Danny Sanders, diretor comercial da empresa, afirmou que há problemas de usabilidade no setor, mas rejeitou a ideia de que todas as carteiras de hardware sejam “lixo completo”.

A discussão começou depois que ZachXBT afirmou, em uma publicação no Telegram, que não recomenda o uso de carteiras físicas para tarefas importantes, como transferir transações ou guardar grandes valores. Segundo ele, uma alternativa melhor seria usar um iPhone separado, dedicado apenas ao armazenamento de fundos e assinatura de transações.

Em entrevista ao programa The Starting Block, do The Block, Sanders disse entender parte da frustração, especialmente quando atualizações de software ou firmware atrapalham transações urgentes ou de alto valor.

“Eu entendo, e concordo que temos soluções desajeitadas por aí”, afirmou. “É muito difícil construir sem limite entre segurança e usabilidade.”

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Apesar disso, o executivo disse que ZachXBT estaria generalizando um problema que afeta principalmente usuários sofisticados, que lidam com valores muito altos e precisam de estruturas mais avançadas de segurança.

“Pessoas que precisam gerenciar muito valor em ambientes de alto risco precisam de configurações diferentes, e apenas uma carteira de hardware não é a melhor solução para isso”, disse Sanders. “Mas isso não significa que você pode simplesmente dizer que tudo é lixo.”

iPhone pode ajudar, mas não substituir carteira de hardware, diz Trezor

Para Sanders, um iPhone limpo, usado apenas para criptografia, pode fazer sentido dentro de uma estratégia mais desenvolvida. O problema, segundo ele, é que um celular continua tendo mais pontos de ataque do que uma carteira física.

O executivo citou conexões como Wi-Fi, Bluetooth, iMessage e rede celular como fatores que ampliam a superfície de risco. “Mesmo gerar suas chaves em uma carteira no iPhone é mais arriscado do que em uma carteira de hardware”, afirmou.

A defesa da Trezor apoia a ideia de que carteiras físicas foram criadas apenas para isolar as chaves privadas do ambiente online. Além disso, esses dispositivos costumam ter uma tela separada, onde o usuário pode conferir os detalhes da transação antes de assiná-la.

Para investidores comuns, Sanders afirmou que as carteiras de hardware continuam sendo a forma mais forte de autocustódia disponível atualmente. A ressalva é que, para grandes volumes, o ideal pode envolver arranjos mais complexos, como múltiplas carteiras, multisig, dispositivos separados e procedimentos operacionais mais rigorosos.

O debate mostra uma tensão antiga no mercado cripto: a segurança máxima costuma vir acompanhada de mais complexidade, enquanto soluções simples demais podem deixar brechas relevantes.

O cofundador do Tornado Cash, Roman Storm, também entrou na discussão e ficou mais próximo da visão de ZachXBT. Para ele, o principal problema é a falta de carteiras móveis com suporte adequado a senhas BIP39, recurso que permite adicionar uma palavra ou frase extra à frase inicial.

Na prática, essa camada adicional pode proteger os fundos mesmo se alguém encontrar o backup físico da frase de recuperação. Storm defendeu que desenvolvedores de carteiras móveis adicionem suporte a esse recurso e também as assinaturas air-gapped, em que a transação é assinada sem conexão direta com a internet.

A discussão não tem uma resposta única para todos os usuários. Para quem guarda valores menores ou médios, uma carteira de hardware bem configurada ainda pode ser uma opção segura. Para usuários avançados ou com grandes fortunas em criptografia, porém, o debate reforça que depender de um único dispositivo pode não ser suficiente.

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Fonteportaldobitcoin

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