Os bancos de Wall Street deixaram o debate maior de lado e passaram à execução ao integrar criptomoedas, ETFs e dinheiro tokenizado às suas operações. O movimento ocorre enquanto o Bitcoin (BTC) se mantém acima de US$ 45.000, com alta de 3,2% na semana e volume diário acima de US$ 28 bilhões. No pano de fundo, a narrativa de 2026 aponta para uma consolidação institucional, impulsionada por regulamentação mais clara e infraestrutura onchain madura.
O que está por trás da corrida dos bancos para o onchain?
Em termos simples, os bancos globais estão usando blockchain para tornar pagamentos, investimentos e liquidações mais rápidos e eficientes. O JPMorgan anunciou a expansão do JPM Coin para a Canton Network, permitindo liquidação 24 horas por dia, 7 dias por semana, com depósitos tokenizados em dólar, uma forma de “cash digital” lastreado em depósitos reais.
Ao mesmo tempo, o Morgan Stanley protocolou ETFs de Bitcoin e Solana, ampliando o acesso à criptografia para mais de 19 milhões de clientes de gestão de patrimônio. O tema está conectado à tendência já explorada em criptomoedas de ETFs do Morgan Stanley, que mostra como os bancos tradicionais estão mudando a demanda reprimida em produtos regulamentados.
Adoção institucional, fortalecimento de liquidez e estrutura de mercado
Os números sustentam essa mudança. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, ETFs spot de Bitcoin registraram US$ 1,1 bilhão em influxos, com volume acumulado acima de US$ 2 trilhões, segundo a Reuters. Para o BTC, isso se traduz em maior profundidade de mercado e menor impacto de grandes ordens.
No gráfico, o Bitcoin consolida acima da média móvel de 50 dias em US$ 43.800, enquanto o RSI diário em 58 indica momentum positivo sem sobrecompra. A principal resistência está em US$ 48.000, com suporte relevante em US$ 42.000, níveis cobrados por traders brasileiros para operações de curto prazo.
Stablecoins e tokenização ganham protagonismo
Além dos ETFs, a infraestrutura de stablecoins avança rapidamente. O Barclays investiu na Ubyx, plataforma de liquidação entre emissores regulamentados, em um mercado onde stablecoins movimentaram US$ 9 trilhões em 2025, segundo a Moody’s. Hoje, o USDT da Tether soma US$ 187 bilhões em circulação, funcionando como ponte de liquidez global.
Esse cenário dialoga com o avanço dos bancos adotando criptomoedas, que buscam eficiência operacional. Para investidores brasileiros, isso significa spreads menores, mais pares de negociação e uso crescente de stablecoins para proteção cambial frente ao real.
Quais os riscos dessa institucionalização?
Apesar do tom construtivo, o processo não é isento de riscos. A dependência de produtos regulados concentra liquidez em estruturas pequenas, e mudanças regulatórias podem afetar fluxos rapidamente. Além disso, as baleias institucionais tendem a movimentar grandes volumes, aumentando a volatilidade em macro.
Do ponto de vista on-chain, dados recentes mostram oferta de BTC em exchanges no mínimo de cinco anos, abaixo de 11,8%, sinalizando acumulação de longo prazo. Ainda assim, movimentos bruscos de ETFs podem provocar alterações de curto prazo, exigindo gestão de risco ativo.
No conjunto, a entrada decisiva de Wall Street reforça a maturidade do mercado criptográfico, mas exige leitura atenta de dados técnicos e institucionais. Para o investidor brasileiro, o relato é claro: mais liquidez e produtos, porém com dinâmica cada vez mais próxima dos mercados tradicionais.
Fontecriptofacil



