A América Latina reúne cerca de 600 milhões de habitantes, mas conta com menos de 50 unicórnios. Os Estados Unidos, com 40% da população da região, têm mais de 1.200 empresas avaliadas acima de US$ 1 bilhão. A diferença evidencia os obstáculos que a região ainda enfrenta para fortalecer suas economias e apoiar o crescimento dos negócios.
A tokenização surge como alternativa para reduzir essas barreiras e ampliar o acesso à capital tanto no Brasil quando em outros países da região. Segundo o Relatório de Inclusão de Mercado, estudo da Bitfinex Securities divulgado nesta semana, a tecnologia pode cortar custos de emissão de 7% para patamares entre 2% e 4%, além de reduzir prazos de listagem para 60 a 90 dias.
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Um sistema que ainda exclui
Esse contexto é aprofundado pelas limitações estruturais da região, de acordo com o levantamento. A ausência de educação financeira formal para grande parte da população latino-americana dificulta o entendimento e a adoção de instrumentos de investimento mais complexos.
Ao mesmo tempo, o estudo aponta que as regras técnicas e os custos regulatórios acabam restringindo a participação de empresas menores e de novos perfis de investidores no sistema financeiro. Outra entrada recorrente é a chamada latência de liquidez. Em muitos mercados da região, a transformação ativa em dinheiro ainda é um processo lento e pouco eficiente.
Concentração e falta de concorrência
A concentração bancária histórica também ajudou a moldar esse cenário, de acordo com a pesquisa. Antes do avanço das fintechs, cinco instituições controlavam cerca de 70% das contas bancárias na América Latina.
Com pouca concorrência os custos aumentaram. As tarifas chegaram a girar em torno de 17%. No Brasil, esse ambiente tornou-se ofertas públicas iniciais e outras formas de captação pública de processos longos, caros e burocráticos, afastando muitas empresas do mercado de capitais.
A entrada da tokenização
É nesse contexto que a tokenização passou a ganhar relevância. Ao permitir que os investidores financeiros sejam representados digitalmente em blockchain, a tecnologia simplifica a negociação e amplia o alcance dos investidores fora do mercado local.
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Para empresas, isso significa acesso mais eficiente à liquidez internacional. Para investidores, mais opções de participação. O movimento também contribui para aproximar os criptoativos da infraestrutura financeira tradicional, especialmente quando operam em ambientes regulamentados.
Regulação começa a reagir no Brasil
No Brasil, um dos avanços relatados é o regime FÁCIL, criado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A busca pela iniciativa reduzir os burocráticos, aumentar o critério de transparência e diminuir os custos de conformidade para pequenas e médias empresas interessadas no acesso ao mercado de capitais.
A proposta responde a um gargalo histórico do país, que sempre dificultou o acesso de empresas menores a instrumentos de financiamento mais sofisticados.
Menos custo e mais velocidade
Além do impacto regulatório, a tokenização altera a dinâmica das emissões e, no Brasil, a redução de custos, a aceleração dos prazos e a possibilidade de propriedade fracionada tornariam o investimento mais acessível.
Liquidação quase imediata, negociação contínua e autocustódia de ativos ampliam a flexibilidade tanto para emissores quanto para investidores.
Debate sobre tokenização ganha força
Embora ainda em estágio inicial, a tokenização começa a ser vista como uma oportunidade concreta de compensar o funcionamento do sistema financeiro na região.
“Estamos diante de uma chance real de reduzir custos, acelerar o acesso ao capital e aproximar emissores e investidores”, afirma Jesse Knutson, diretor de operações da Bitfinex Securities.
Fontebeincrypto



