Resumo da notícia:
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A Moody’s aponta que a ação dos EUA na Venezuela eleva a tensão geopolítica, vista como principal ocorrência de volatilidade do Bitcoin, segundo a Santiment.
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O risco geopolítico reforça a incerteza em toda a América Latina.
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O momento atual é semelhante às escaladas geopolíticas repentinas ligadas a Israel, Palestina e Irã, que impactaram o Bitcoin em 2025.
A Moody’s divulgou esta semana um relatório apontando que a ação dos Estados Unidos na Venezuela no último final de semana tem impacto limitado no crédito, mas eleva a tensão geopolítica. O que, segundo a Santiment, representou a principal volatilidade da volatilidade do Bitcoin (BTC) em 2025.
Segundo a Moody’s, embora o impacto imediato no perfil de crédito macroeconômico, corporativo e bancário da operação dos EUA na Venezuela seja limitado, os possíveis efeitos de longo prazo incluiriam planos para aumentar a produção de petróleo da Venezuela e efeitos potenciais em cascata na migração, comércio e investimento regional.
De forma mais imediata, o aumento do risco geopolítico continuará a representar uma característica estrutural do ambiente de crédito, reforçando a incerteza em toda a América Latina, de acordo com o último relatório da agência global de classificação de risco de crédito. Já uma análise da plataforma de monitoramento de sentimento de mercado destaca que, em 2025, o mercado de criptomoedas foi definido menos por dramas internos do setor e mais pela pressão externa da economia global e de eventos mundiais, comparados a uma “montanha-russa”. O que representava uma espécie de guinada em relação aos anos anteriores, já que as criptomoedas “eram frequentemente vistas como um potencial porto seguro contra a inflação, conflitos políticos e a instabilidade financeira tradicional”.
Para a Moody’s, o governo da Venezuela, comandado pela presidente Delcy Rodríguez, provavelmente manterá a política após a captura realizada pelos EUA do líder de longa data Nicolás Maduro. No entanto, a governança e a estabilidade do país são precárias, e uma possível ruptura dentro das diferentes facções do poder poderia resultar em uma turbulência económica e política, com efeitos em cascata em toda a região, incluindo aumento da imigração e perturbações no turismo nos países vizinhos. O governo venezuelano continua a acumular atrasos nos pagamentos desde a inadimplência declarada em 2017.
O relatório da agência destaca que a ação unilateral dos EUA na Venezuela marca uma mudança decisiva na direção de uma abordagem mais intervencionista e menos restrita dos assuntos globais. Também ressalta um foco renovado em reafirmar a influência dos EUA no hemisfério ocidental, incluindo esforços para combater a influência da China na América Latina. Para a Moody’s, a perspectiva de futuras ações dos EUA sobre o tráfico de drogas e os desdobramentos na Venezuela moldarão a dinâmica da política interna, particularmente em razão das eleições de 2026 no Peru, Colômbia e Brasil.
Por sua vez, a Santiment lembra que os mercados passaram grande parte do ano passado reagindo aos sinais de política monetária do Federal Reserve (Fed), aos dados inesperados de inflação e às repentinas escaladas geopolíticas ligadas a Israel, Palestina e Irã, que impactaram o Bitcoin em 2025.
A Moodys acrescenta que a captura de Maduro não afeta os preços do petróleo no curto prazo nem a qualidade do perfil de crédito das empresas de petróleo e gás para as quais a Moody’s atribui rating. Na avaliação da agência, a Venezuela possui algumas das maiores reservas subdesenvolvidas de petróleo pesado do mundo, mas sua produção é limitada e adições significativas de oferta exigiram anos de investimento e construção operacional.
O relatório observa que qualquer petróleo venezuelano adicional que chegar aos EUA impactará os preços do petróleo pesado, beneficiando moderadamente as refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que estão especificamente equipadas para lidar com o petróleo pesado no curto prazo, ao mesmo tempo em que sobrecarrega os produtores canadenses. A atratividade da Venezuela para grandes investimentos dependeria de uma melhoria sustentada e plurianual da situação de segurança do país e da confiança no cumprimento dos contratos.
Poucos bancos estrangeiros ou empresas não petrolíferas com rating têm exposição à Venezuela. Os bancos chineses e colombianos fazem pequenas exposições a empréstimos na Venezuela. Não esperamos implicações de materiais de crédito para o setor de infraestrutura da Colômbia decorrentes dos eventos recentes no país vizinho, diz a agência, em comunicado.
Mais cedo, as criptomoedas se recuperaram com o Bitcoin sob as incertezas de Trump, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
Fontecointelegraph




