O uso do telegrama na Rússia enfrenta bloqueios crescentes e desaceleração à medida que os reguladores apertam os controles.

Resumo

  • O Telegram bloqueou 238,8 mil canais em 15 de fevereiro e 187,3 mil em 16 de fevereiro, elevando o total de grupos e canais bloqueados para mais de 7,463 milhões desde 1º de janeiro.
  • A Rússia bloqueou totalmente o WhatsApp e removeu seus domínios do DNS, direcionando os usuários para o Max Messenger, apoiado pelo Estado, em meio a restrições mais amplas às redes sociais.
  • Apesar da limitação e do potencial bloqueio em 1º de abril, os usuários russos dependem cada vez mais de VPNs e aplicativos alternativos como o imo para manter o acesso às mensagens.

O Telegram começou a bloquear conteúdo ilegal e tem tempo suficiente para atender aos requisitos regulatórios russos, de acordo com um membro sênior do comitê parlamentar que supervisiona o assunto.

Andrey Svintsov, vice-presidente do Comitê de Política de Informação da Duma Estatal, disse à agência de notícias estatal TASS que a plataforma de mensagens começou a cumprir ativamente os requisitos da Federação Russa. “Na semana passada, o Telegram bloqueou mais de 230.000 canais e conteúdos que violavam a legislação atual”, afirmou Svintsov. “Isso indica que a empresa de Durov começou a interagir mais ativamente.”

As autoridades russas reduziram a velocidade do tráfego para o mensageiro no início deste mês, alegando o não cumprimento das regulamentações nacionais. Relatos da mídia surgiram esta semana sugerindo que a plataforma poderia ser totalmente bloqueada em 1º de abril, embora as autoridades russas não tenham confirmado nem negado os relatos.

Svintsov disse que o Telegram poderia cumprir os requisitos de Roskomnadzor dentro de um a dois meses e continuar operando na Rússia. “Na minha opinião, o Telegram não será bloqueado antes de 1º de abril”, afirmou, referindo-se ao fundador e CEO do messenger, Pavel Durov.

Roskomnadzor, o Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação de Massa, atua como regulador de telecomunicações e órgão de supervisão da mídia na Rússia. Segundo Svintsov, os requisitos incluem a abertura de uma pessoa jurídica, o armazenamento de dados em território russo, o pagamento de impostos e o bloqueio de conteúdo proibido. “A abertura de pessoa jurídica leva no máximo uma semana. A movimentação do processamento de dados pessoais leva mais duas ou três semanas”, afirmou o deputado.

No verão passado, relatos de que o Telegram estava se preparando para estabelecer um escritório na Rússia sob a “lei de desembarque” do país foram negados por Durov, direta ou indiretamente, de acordo com relatos anteriores da mídia.

Yulia Dolgova, presidente da Associação Russa de Bloggers e Agências, disse à TASS que determinar se o Telegram será totalmente bloqueado continua difícil nesta fase. Ela observou que, diferentemente do WhatsApp, o Telegram está tomando medidas ativamente para manter a funcionalidade do serviço. Roskomnadzor removeu completamente o domínio WhatsApp da Meta de seus servidores DNS na semana passada, bloqueando efetivamente o acesso da Rússia. Dolgova também observou o uso generalizado de VPN entre usuários russos para contornar tais restrições.

Telegram, o governo e a criptografia

O canal Telegram Baza, citando fontes governamentais, informou que Roskomnadzor está se preparando para “iniciar um bloqueio total do mensageiro” em 1º de abril. Em resposta a perguntas da mídia, Roskomnadzor disse que não tinha “nada a acrescentar” às declarações anteriores ameaçando “restrições sequenciais”.

A TASS informou esta semana que a administração do Telegram bloqueou 238.800 canais e grupos em 15 de fevereiro e 187.300 canais e grupos em todo o mundo em 16 de fevereiro, de acordo com estatísticas atualizadas no site do mensageiro. Até 17 de fevereiro, mais de 7,463 milhões de grupos e canais foram bloqueados no Telegram desde o início do ano, informou a agência.

O Telegram é o segundo aplicativo de mensagens mais popular na Rússia, com 93,6 milhões de usuários, atrás do WhatsApp, que tinha 94,5 milhões de usuários mensais antes de ser bloqueado. À medida que a Rússia implementa medidas restritivas contra ambas as plataformas ao mesmo tempo que promove o Max Messenger, apoiado pelo Estado, os cidadãos russos recorrem cada vez mais ao IMO, uma alternativa de mensagens fabricada nos EUA, segundo relatos.

Fontecrypto.news

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