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As stablecoins deixaram de ser um “acessório” do mercado criptográfico para virar a especialização principal do uso cotidiano. Na prática, elas funcionam como um “dólar digital” (ou, em alguns casos, um “real digital” ou outra moeda), permitindo que pessoas e empresas movimentem valores 24 horas por dia, com liquidação quase instantânea e custos menores do que as transferências internacionais tradicionais.

Os números mostram por que essa categoria passou a rivalizar — e até superar — criptomoedas como Bitcoin e Ethereum em movimentação. Relatório da TRM Labs do ano passado estima que stablecoins responderam por 30% ao volume de transações criptográficas entre janeiro e julho de 2025 e que, no mesmo período, passaram de US$ 4 trilhões em volume transacionado, em um ritmo que atingiu recordes ao longo de 2025.

No Brasil, a força das stablecoins fica ainda mais evidente. Dados mais recentes da Receita Federal mostram que de janeiro a setembro de 2025, apenas o USDT, da Tether, acumulou cerca de R$ 440,9 bilhões em volume movimentado, enquanto o Bitcoin somou cerca de R$ 35,2 bilhões — uma diferença de mais de 12 vezes no período.

Tudo isso em um cenário em que a capitalização total do mercado de stablecoins ultrapassou a marca recorde de US$ 300 bilhões em 2025, segundo o DeFiLlama, um patamar que ajuda a explicar por que elas viraram “infraestrutura” dentro do mercado de criptomoedas.

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Esse crescimento também acelerou a corrida regulatória. Nos EUA, uma discussão saiu do campo das propostas e virou lei com o GENIUS Act, que estabelece um arcabouço para stablecoins de pagamento e reforça a exigência de lastro e transparência de reservas. Na Europa, o MiCA (Markets in Crypto-Assets) entrou em funcionamento, incluindo regras específicas para emissores de tokens referenciados a ativos e “e-money tokens” (categoria que abrange stablecoins). No Brasil, o Banco Central avançou na regulamentação do setor de criptoativos e passou a enquadrar transações com stablecoins como operações do mercado de câmbio.

Como stablecoins viraram o “dinheiro” do mercado criptográfico

Stablecoins são criptomoedas desenhadas para manter um preço estável, normalmente atrelado a uma moeda fiduciária (como o dólar) na proporção de 1 para 1. Para isso, os emissores costumam usar reservas em caixa e/ou títulos líquidos (como Treasuries). Existem também stablecoins lastreadas em outros ativos e modelos até algorítmicos, mas a “espinha dorsal” do uso global hoje está nas stablecoins fiduciárias, especialmente as dolarizadas. A TRM calcula que mais de 90% das stablecoins lastreadas em moeda fiduciária são atreladas ao dólar.

Apesar de haver muitas stablecoins, inclusive opções pareadas ao real no Brasil, duas dominam o jogo global: USDT (Tether) e USDC (Circle). A TRM estima que as duas respondam por 93% da capitalização total do mercado de stablecoins. Segundo o CoinGecko, o valor de mercado do USDT hoje é de cerca de US$ 187 bilhões, enquanto o do USDC está em torno de US$ 75 bilhões — o que coloca essas stablecoins como a 3ª e a 6ª maiores criptomoedas do mundo, respectivamente.

Dados da Visa e da Allium Labs, por sua vez, reforçam o tamanho desse mercado e apontam que existem mais de US$ 270 bilhões em stablecoins em circulação, mais que o dobro dos US$ 120 bilhões de dois anos atrás.

Por trás da preferência, há um motivo simples: stablecoins resolvem problemas práticos. Eles servem como ponte para entrar e sair do mercado criptográfico, como proteção contra volatilidade, como ferramenta de remessas e como “caixa” para operar em exchanges e protocolos. Em mercados emergentes, onde há busca por dolarização e fricções sem acesso a câmbio, elas acabam funcionando como um atalho tecnológico, e isso ajuda a entender porque o uso (não apenas o investimento) cresceu tanto.

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Stablecoins lideram uso no Brasil

No Brasil, o domínio de uso de stablecoins aparece com clareza nos dados da Receita Federal, que compila informações de operações com criptoativos. Além do volume mais de 12 vezes maior que o do Bitcoin, a frequência de uso também reforça o cenário.

Em setembro de 2025, por exemplo, o USDT aparece com 72,7 milhões de operações no mês, contra 193,8 mil operações de Bitcoin, indicando que as stablecoins estão mais próximas do comportamento de “meio de transferência” do que de “reserva para manter parada”.

No ano anterior, o último com dados cheios, o USDT movimentou cerca de R$ 302,5 bilhões, segundo a Receita, enquanto o Bitcoin ficou em torno de R$ 57,4 bilhões no mesmo período, ou seja, o USDT sozinho operou mais de 5 vezes o volume do BTC em 2024. O USDC ficou abaixo das duas, mas também registrou grande volume, de R$ 14,7 bilhões.

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O Brasil, inclusive, é destaque no cenário global. Segundo o TRM Labs, o país está entre os cinco países com maior adoção de stablecoin do mundo, atrás de nações como Índia, Estados Unidos, Paquistão e Filipinas.

Regulação e infraestrutura

A tendência é que uma mistura de regulamentação clara e integração com finanças tradicionais acelere a adoção das stablecoins em 2026, inclusive fora do nicho criptográfico. Nos EUA, o GENIUS Act virou um marco para dar previsibilidade a emissores e participantes de mercado. Na Europa, a aplicação do MiCA pressiona emissores e plataformas a se adequarem a um padrão comum, o que tende a aumentar a incerteza para os atores institucionais.

No Brasil, o enquadramento de stablecoins como câmbio e o avanço das regras para discussão de serviços colocam o uso “dolarizado” sob uma guarda-chuva mais próximo do sistema financeiro tradicional, justamente porque o volume já não é marginal. E apesar do risco de que isso possa incluir a cobrança de IOF em breve, por enquanto não estiver inibindo o uso desses ativos.

Ao mesmo tempo, as redes de pagamentos e bancos começam a testar a tecnologia em produção. A própria Visa afirmou que seu piloto de liquidação em stablecoins atingiu um ritmo anualizado de US$ 4,5 bilhões, um sinal de que a infraestrutura está saindo do experimento e indo para casos reais, mesmo que ainda pequenos perto do mundo tradicional.

No fim das contas, as stablecoins estão ocupando um espaço importante no mercado criptográfico, o de “moeda de uso”. E os dados mostram que, hoje, é essa praticidade que define quem manda no tráfego do mercado.

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Fonteportaldobitcoin

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