Os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA ampliaram a sequência negativa de fluxos em janeiro, com saídas acumuladas que chegaram a US$ 1,38 bilhão em quatro sessões, segundos dados de mercado. O movimento coincidiu com a queda do BTC para a faixa de US$ 90.200, recuo de 3,1% em 24h, refletindo menor demanda institucional no curto prazo. O cenário reforça uma narrativa já vista no fim de 2025: forte entrada inicial no ano seguido por rápida realização de lucros.
Na semana cheia de 5 a 9 de janeiro, os ETFs à vista de Bitcoin registraram cerca de US$ 681 milhões em saídas líquidas, enviando o preço em um momento de liquidez mais sensível após as festas. Para os investidores brasileiros, esses fluxos funcionam como a poluição do apetite institucional global e costumam antecipar movimentos de curto prazo no mercado à vista.
Mesmo com o BTC ainda acumulando alta de 6,4% no acumulado do ano (YTD), o enfraquecimento do fluxo institucional adiciona cautela ao mercado, especialmente enquanto o Federal Reserve mantém discurso restritivo e os ativos de risco mostram maior transparência com o dólar.
O que está por trás das saídas dos ETFs de Bitcoin?
ETFs à vista de Bitcoin são fundos negociados em bolsa que compram BTC diretamente, criando demanda estrutural quando recebem transportes e pressão vendedora quando há resgates. Na prática, saídas líquidas significam que os gestores precisam vender Bitcoin no mercado para honrar os resgates.
Segundo TradingNews, apenas entre os dias 6 e 9 de janeiro, os ETFs acumularam até US$ 1,38 bilhão em saídas. A BlackRock, via IBIT, teve um único dia com US$ 193 milhões em resgates, cerca de 0,27% de seu AUM de US$ 70,4 bilhões, enquanto o FBTC, da Fidelity, liderou vários preços negativos.
Esse comportamento contrasta com o forte início de mês, quando os ETFs receberam mais de US$ 1,16 bilhão entre 2 e 5 de janeiro, padrão já apresentado em ciclos recentes de “compra no início do ano e realização rápida”. Para mais contexto, veja nossa cobertura sobre ETFs de Bitcoin e mudanças de fluxo.
Pressão técnica no BTC: onde estão os suportes?
No gráfico diário, o Bitcoin negocia abaixo da média móvel de 20 dias, atualmente em US$ 92.800, sinalizando perda de impulso no curto prazo. O RSI de 14 períodos recuou para 42 pontos, zona neutra-baixista, enquanto o MACD permanece negativo, com histograma ampliando em território de baixa.
O suporte imediato está em US$ 89.500, nível que garantiu o preço duas vezes na última semana. Uma perda consistente dessa faixa pode abrir espaço para um teste em US$ 86.000, região de maior volume negociado em dezembro. Na resistência, o mercado precisa recuperar US$ 93.000 para sinalizar a retomada de força compradora.
O volume à vista nas principais corretoras caiu cerca de 18% em relação à mídia de 30 dias, deixando que muitos traders aguardam definição antes de aumentar a exposição. Para o investidor brasileiro, isso sugere cautela com entradas alavancadas enquanto os fluxos institucionais seguem negativos.
Impacto mais amplo e o que pode mudar o jogo
Além do Bitcoin, os ETFs de Ether também enfrentaram saídas, somando cerca de US$ 258 milhões desde a última quarta-feira, segundo o Cointelegraph. Esse movimento conjunto reforça que a pressão vem mais do apetite a risco global do que de fundamentos específicos de uma única rede.
Por outro lado, dados on-chain mostram que o fornecimento de BTC em exchanges segue próximos de mínimos de cinco anos, abaixo de 11,5% da oferta circulante, o que limita a pressão do vendedor estrutural. Além disso, a taxa de hash permanece acima de 620 EH/s, diminuindo a segurança e a confiança do longo prazo na rede.
Se os fluxos dos ETFs se estabilizarem ou voltarem ao positivo, especialmente liderados por players como BlackRock e Fidelity, o BTC pode encontrar uma base sólida acima de US$ 90 mil. Até lá, o cenário favorecedor e a gestão de risco, tema que já abordamos ao analisar perdas nos ETFs e seu impacto no mercado.
Fontecriptofacil




