Os ETFs de criptomoedas reabriram após o feriado nos EUA sob forte pressão vendedora, com saídas agressivas de capital em produtos de Bitcoin, Ethereum e XRP, segundo dados reportados por gestores. O Bitcoin caiu para US$ 88.000 no intradiário, recuperando de 1,48% em 24h, enquanto o Ethereum recuperou 2,7% para US$ 2.980. O movimento ocorre após um início de janeiro volátil, marcado por alternância entre entradas robustas e saídas expressivas de capital institucional.
O impacto foi imediato no mercado à vista e nos derivativos, com aumento de volume e liquidações moderadas, sinalizando ajuste de posicionamento. Para investidores brasileiros, o recado é claro: o fluxo institucional segue sendo o principal motor de curto prazo.
O panorama de fundo macro segue exigências, com juros elevados nos EUA e sensibilidade maior a dados econômicos, o que amplifica movimentos após feriados e períodos de baixa liquidez.
O que aconteceu com os ETFs de Bitcoin e Ethereum?
Em 7 de janeiro, os ETFs de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 486 milhões, enquanto os ETFs de Ethereum perderam US$ 98,4 milhões e os recém-lançados ETFs de XRP tiveram US$ 40,8 milhões em resgates, segundos dados compilados pela KuCoin. Foi o primeiro dia de saídas relevantes desde o lançamento dos produtos.
Entre terça e quinta da semana seguinte, os ETFs de BTC acumularam US$ 1,13 bilhão em saídas, enquanto os de ETH perderam US$ 258 milhões, de acordo com o Cointelegraph. Isso ajuda a explicar por que o BTC perdeu o suporte psicológico de US$ 93.000.
No CriptoFácil, já destacamos como essas saídas de ETFs vinham se intensificando e pressionando o preço no mercado à vista brasileiro.
Fluxo institucional dita o ritmo do preço
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin opera abaixo da mídia móvel de 20 dias, em US$ 94.500, enquanto o RSI diário recuou para 42, diminuiu perda de momentum, mas ainda fora da região de sobrevenda. O MACD segue negativo, reforçando viés de correção no curto prazo.
On-chain, o fornecimento de BTC nas exchanges subiu 0,6% na última semana, um sinal de maior disposição para venda. Ao mesmo tempo, dados mostram que baleias movimentaram cerca de 18.000 BTC para corretoras desde o início de janeiro.
Esses fatores ajudam a entender por que, mesmo após dias de forte entrada — como os US$ 645,8 milhões registrados em 2 de janeiro, segundo a HTX — o mercado virou rapidamente para o negativo.
Quais são os riscos para investidores brasileiros?
O principal risco é a continuidade das saídas institucionais. Se o BTC perder o suporte em US$ 90.000, o próximo nível relevante está em US$ 86.500, no mínimo de dezembro. Por outro lado, uma retomada acima de US$ 95.000 pode sinalizar rompimento e cobertura de short.
Para quem opera no Brasil, a volatilidade tende a ser amplificada pelo câmbio. Movimentos bruscos do dólar frente ao real podem intensificar ganhos ou perdas em reais, mesmo com variações moderadas em dólar.
Como mostramos nas análises anteriores sobre ETFs de Bitcoin, o fluxo segue altamente sensível a expectativas macro e regulatórias.
Em síntese, o “efeito pós-feriado” reforça que o mercado ainda depende fortemente do apetite institucional. Embora os fluxos não se estabilizem, o cenário de consolidação volátil segue, exigindo gestão de risco mais rigorosa dos investidores brasileiros.
Fontecriptofacil



