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UM Rússia bloqueou completamente o WhatsApp Nesta quinta-feira (12), com a empresa pertencente à Meta afirmando que Moscou está tentando forçar mais de 100 milhões de seus usuários russos a migrarem para um “aplicativo de vigilância” controlado pelo Estado, enquanto o Kremlin intensifica sua repressão a plataformas de mensagens estrangeiras.

“Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários da comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”, tuitou o WhatsApp. “Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados.”

A Roskomnadzor, agência reguladora de comunicações da Rússia, também restringiu o Telegram, afirmando que continuará impondo limitações até que o aplicativo esteja em conformidade com a legislação local, informou a agência de notícias estatal TASS.

A campanha de pressão coordenada se enquadra em um padrão que os defensores dos direitos digitais dizem ser cada vez mais comum entre governos autoritários.

“Sim, já vimos isso antes. China, Irã e agora Rússia. O mesmo padrão sempre: bloquear as plataformas estrangeiras, criar um aplicativo nacional e chamá-lo de ‘soberania’ ou ‘segurança'”, disse Shady El Damaty, cofundador da human.mind e defensor dos direitos digitais, ao Decrypt.

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“E o que acontece é exatamente o que todos esperamos. A nova plataforma se torna um ponto de controle. Começa com incentivos sutis, depois se torna obrigatória para serviços governamentais e, por fim, a vigilância se torna o padrão”, acrescentou.

Max, WeChat e o estado de vigilância

A Rússia vem construindo silenciosamente seu substituto. O Max, um “superaplicativo” desenvolvido pelo Estado e inspirado no WeChat chinês, combina mensagens com serviços governamentais, mas não possui criptografia de ponta a ponta.

A mídia local noticiou que, desde o ano passado, as autoridades desativaram que o Max fosse pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país, com funcionários do setor público, professores e alunos obrigados a usar a plataforma.

“A Rússia está restringindo o acesso ao Telegram para forçar seus cidadãos a usar um aplicativo controlado pelo Estado, criado para vigilância e censura política. Essa medida autoritária não mudará nosso boato”, tuitou Pavel Durov, cofundador do Telegram, na quarta-feira, citando o Irã como prova de que a estratégia é contraproducente.

“Há 8 anos, o Irã tentou a mesma estratégia — e falhou. Baniu o Telegram sob pretextos inventados, tentando forçar as pessoas a usar uma alternativa estatal. Apesar da exclusão, a maioria dos iranianos ainda usa o Telegram e o prefere a aplicativos vigiados. A liberdade prevalece acrescentou”, acrescentou.

Em 2020, as russas suspenderam sua tentativa de bloquear o Telegram, que durou dois anos, depois que as medidas técnicas falharam e os usuários contornaram amplamente as restrições.

El Damaty afirmou que as ferramentas descentralizadas ainda apresentam falhas de segurança, alertando que “a maioria dessas ferramentas ainda possui gargalos — lojas de aplicativos, interfaces de usuário hospedadas, APIs de back-end”, que “descentralização e privacidade reais não são apenas uma questão de moda, mas sim de infraestrutura crítica” e que, sem corrigir isso, “não estamos realmente resolvendo o problema”.

Dmitry Peskov, secretário de imprensa do presidente Putin, disse à agência estatal TASS que a restauração do WhatsApp é “possível, desde que haja conformidade com a lei russa e disposição para o diálogo”, acrescentando que “se a empresa continuar adotando a mesma postura intransigente — uma completa recusa em cumprir a lei russa — então não há chance”.

“Isso vai muito além de aplicativos de mensagens”, acrescentou El Damaty.

“Quando um governo controla como você se comunica, ele controla o que você diz, para quem você diz e se você diz alguma coisa”, afirmou, observando que “privacidade não é um recurso opcional, é a base para tudo o mais — liberdade de expressão, liberdade, segurança, identidade”.

Ele ressaltou que a infraestrutura deve ser esses valores desde a concepção, não apenas nas mensagens, dizendo que os sistemas não devem ter “portas dos fundos, dependência de fornecedores, nem um interruptor centralizado que alguém possa acionar”, e alertando que, se essa base para ignorada, “daqui a cinco anos, vamos acordar tendo reconstruído os mesmos sistemas falhos, só que com uma marca melhor”.

* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.

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Fonteportaldobitcoin

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