O Bitcoin atravessa um início de 2026 de volatilidade e desempenho negativo, ampliando o cenário do fim do ano passado. UM principal criptomoeda do mercado acumula queda de cerca de 11% no ano e já recuperou mais de 40% em relação ao último picoregistrado em outubro, quando chegou à região de US$ 126 mil.
Desde a máxima, o BTC perdeu níveis técnicos importantes, voltou a operar abaixo de US$ 80 mil e reacendeu um debate recorrente entre investidores: o mercado entrou, de fato, em um novo bear market ou passa apenas por uma correção profunda dentro de um ciclo maior?
No mercado financeiro, bear market é o termo usado para descrever períodos prolongados de queda, geralmente caracterizados por desvalorização superior a 20% em relação aos topos anteriores, perda de confiança dos investidores, menor liquidez e enfraquecimento da demanda estrutural.
Diferentes de correções pontuais, que podem ocorrer dentro de tendências de alta, o bear market costuma ser mais longo, com repiques técnicos que não se sustentam. No caso do Bitcoin, esses ciclos historicamente duraram meses antes que o mercado encontrasse um fundo consistente e iniciasse uma nova fase de valorização.
O recebimento não é novo. Desde o fim do ano passado, o enfraquecimento do fluxo comprador, a saída de capital de ETFs e os desvios do sentimento on-chain vêm alimentando a percepção de que o mercado perdeu tração. Ainda assim, a resposta não é consensual, e as análises se dividem entre quem vê sinais claros de um mercado de baixa e quem entende o movimento como parte de um ajuste natural.
Sinais Clássicos do Bear Market
Para a CryptoQuant, uma das principais plataformas de análise on-chain do mercado, os sinais apontam para um cenário estruturalmente baixista. Julio Moreno, chefe de pesquisa da empresa, afirma que o movimento atual não deve ser tratado como uma simples correção de bull market, mas sim como as consolidações de um bear market iniciadas ainda no final de 2025.
“As pessoas continuam pensando que isso é uma correção de ‘mercado em alta’. Não é. Já vínhamos dizendo que estávamos em um mercado em baixa desde o início de novembro, quando o Bitcoin estava em torno de US$ 100 mil, e alguns indicadores até apontavam para US$ 110 mil. Os indicadores que ajudam a encontrar o fundo de um mercado em alta não têm utilidade atualmente”, disse Moreno no X.
Entre os indicadores relatados está o aumento do percentual de bitcoins em prejuízo. Dados da CryptoQuant mostram que entre 15% e 20% da oferta total de BTC estão sendo negociados abaixo do preço de compra, um padrão que historicamente marcou o início de bear market em ciclos anteriores, como 2014, 2018 e 2022. Primeiro, as perdas afetam investidores de curto prazo, depois, passam a pressão para detentores de longo prazo, ampliando a tendência de vendedor.
Outro ponto destacado pela análise é o enfraquecimento da demanda no mercado à vista. Segundo Moreno, tente buscar “fundos” com base em repiques técnicos dentro de uma tendência de baixa frequência ser arriscada. “Os mercados em baixa não formam fundos rapidamente. Eles levam meses para se estruturar”, alertou o analista, reforçando que indicadores típicos de continuação de alta simplesmente deixaram de funcionar no contexto atual.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin também perdeu referências históricas importantes. O ativo rompeu para baixas médias de longo prazo e voltou a se aproximar da mídia móvel de 200 semanas — nível que, em ciclos anteriores, marcou zonas prolongadas de contribuições antes de uma retomada sustentável.
Nem todos concordam: Correção ou desalavancagem saudável?
Apesar do tom mais pessimista da CryptoQuant, outros analistas veem o movimento atual com mais cautela. Para parte do mercado, a queda do Bitcoin reflete uma combinação de fatores macroeconômicos, transferência geopolítica e um processo de desalavancagem após um ciclo de alta intensidade, e não necessariamente o início de um inverno criptográfico prolongado.
Matt Mena, analista da gestora 21Shares, avalia que, o momentum de curto prazo segue frágil, o preço ainda respeita níveis estruturais relevantes. “Uma quebra sustentada desses suportes exigia uma reavaliação mais profunda, mas até aqui o movimento parece mais corretivo do que estrutural”, afirmou.
Jeff Ko, analista-chefe da CoinEx Research, segue linha semelhante. Para ele, o cenário atual pode ser interpretado como uma “desalavancagem saudável”, típica de mercados que passaram por fortes ralis. “A volatilidade deve persistir no primeiro trimestre, mas esse ambiente também pode abrir oportunidades de acumulação a preços descontados”, disse ele ao Decrypt.
Indicadores de sentimento também entram no debate. Plataformas como a Santiment apontam que o mercado criptográfico voltou a operar em níveis de “medo extremo”, algo que historicamente precedeu repiques relevantes. A lógica é relativa ao senso comum: quando o pessimismo atinge extremos, grande parte das vendas já ocorreu, diminuindo a pressão adicional.
História do Bitcoin segue positiva
O histórico do Bitcoin ajuda a entender que momentos de queda são naturais. Desde sua criação, a criptomoeda já passou por diversos ciclos de alta e queda, muitos deles muito mais intensos do que o oferecido agora. No bear market de 2018, por exemplo, o BTC caiu cerca de 84%, saindo de quase US$ 20 mil para a região de US$ 3.200. Já no ciclo de baixa mais recente, em 2022, a queda foi próxima de 77%, com o preço recuando de US$ 69 mil para cerca de US$ 15.500.
Apesar desses movimentos extremos, o histórico padrão mostra recuperação consistente ao longo do tempo. Após o fundo de 2018, o Bitcoin avançou mais de 2.000% até atingir novos máximos históricos em 2021. Depois do mínimo de 2022, o ativo voltou a se valorizar de forma expressiva, superando novamente os US$ 100 mil em 2025. Em termos acumulados, mesmo após a queda atual, o Bitcoin ainda registra alta superior a 300% nos últimos cinco anos.
Indicadores de longo prazo reforçam essa leitura. Dados históricos mostram que o retorno médio anual do Bitcoin desde 2013 supera 60%, apesar da elevada volatilidade. Além disso, análises por janelas de quatro anos indicam que praticamente todos os investidores que mantiveram BTC por esse intervalo tiveram retorno positivo, independentemente do ponto de entrada.
Outro dado relevante é a adoção crescente. Hoje, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas recebam exposições diretas ou indiretas ao Bitcoin, enquanto produtos como ETFs à vista concentram reservas de bilhões de dólares sob gestão. Apenas o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, ultrapassou US$ 70 bilhões em ativos, algo impensável em ciclos anteriores de baixa.
Isso não elimina o risco nem garante que o fundo já tenha sido alcançado, mas ajuda a contextualizar o momento. Mesmo que a correção atual se confirme como um bear market, o histórico sugere que esse tipo de fase não representa o fim do ativo, mas sim parte de um processo recorrente de ajuste. Para investidores com horizonte de longo prazo, a trajetória do Bitcoin até aqui mostra que quedas profundas já foram seguidas, repetidamente, por novas máximas históricas.
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Fonteportaldobitcoin



