O influenciador financeiro Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, voltou a apostar no bitcoin no final de 2025. Desta vez, o investimento de quase R$ 1 milhão foi realizado através de um ETF (fundo negociado em bolsa) do mercado tradicional brasileiro, o HOLD11, operação que gerou debate sobre estratégias de proteção patrimonial em tempos de incerteza.
A transação aconteceu no dia 24 de dezembro, quando o bitcoin foi cotado em torno de US$ 87 mil — uma queda expressiva considerando que a criptomoeda chegou a quase US$ 130 mil durante o ano. Inicialmente, Nigro havia manifestado a intenção de aguardar uma queda ainda maior antes de comprar.
“A única coisa que não para nunca é o nosso Bitcoin, né? Mas não está no nosso radar para essa semana. Só se continuar caindo que o negócio tá bravo”, declarou o influenciador em vídeo publicado em seu canal no YouTube.
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Mudança de estratégia e timing de mercado
A hesitação durou um pouco. Ainda no mesmo vídeo, Nigro reconsiderou a decisão após avaliar a necessidade de diversificar sua carteira com ativos dolarizados.
“Olhando pra minha posição, eu preciso alocar um minuto mais em algo dolarizado, né? E o Bitcoin tá uns 87, 86 mil dólares, mas deu quase US$ 130 mil esse ano”, justificou.
O movimento mostrado foi acertado no curto prazo. Na segunda-feira, 5 de janeiro, a cotação do bitcoin já havia valorizado acima de US$ 94 mil, patamar não visto há quase 30 dias, representando uma valorização de cerca de 8% em relação ao momento da compra de Nigro.
Previsão de crise alimenta aposta em bitcoin
Ao explicar a decisão de investir, o Primo Rico fez uma análise macroeconômica que relaciona a impressão de moeda pelos bancos centrais com a valorização de ativos escassos como o bitcoin.
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“A gente tem dinheiro sendo impresso o tempo todo, vai ter crise vindo aí, vai ter loucura”, afirmou o influenciador, apontando que 2026 pode trazer turbulências econômicas.
A visão de Nigro está alinhada com parte da comunidade investidora em criptoativos, que vê o bitcoin como uma reserva de valor em momentos de instabilidade financeira. “A comunidade do Bitcoin é muito maluca, num bom sentido. Eles são muito defensores do que o Bitcoin representa”, comentou.
Durante a operação, o influenciador ainda brincou com seu sócio Bruno Perini, conhecido entusiasta do bitcoin: “Segundo o Perini a gente tá com uma carteira de vovó ainda, né? Ele ia falar certeza.”
ETF em vez de custódia direta: prós e contras
A escolha por um ETF de bitcoin em vez da compra direta da criptomoeda levanta questões importantes sobre custódia e propriedade de ativos digitais. Ao optar pelo HOLD11, negociado na B3, Nigro não detém posse real dos bitcoins — eles ficam sob custódia do emissor do fundo.
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Especialistas em criptomoedas apontam que essa decisão traz vantagens em termos de praticidade e tributação, mas também limita o controle do investidor sobre o ativo. A filosofia bitcoin tradicional prega a autocustódia, resumida no bordão “not your keys, not your coins” (sem suas chaves, não são suas moedas).
Além disso, ETFs de criptoativos só podem ser negociados durante o horário de funcionamento da bolsa brasileira, das 10h às 17h em dias úteis, enquanto o mercado criptográfico opera 24 horas por dia, sete dias por semana.
Obstáculos operacionais na hora da compra
A tentativa de investimento não foi livre de percalços. Durante a operação, a corretora XP bloqueou temporariamente a transação de Nigro, situação em que o próprio influenciado ou autorizado foi recorrente.
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“Você sabe que o XP tem uma fama aqui de bloquear as minhas operações, né? Será que vai?”, questionou ele no vídeo.
Após contato telefônico com a corretora, a conta foi desbloqueada e Nigro conseguiu fazer a ordem de compra no sistema. O investimento total de R$ 980.450 em cotas do HOLD11 foi efetivado próximo ao fechamento do pregão, às 17h.
Mercado cripto em recuperação
O mercado de criptomoedas iniciou 2026 mostrando sinais de recuperação após um pedido de dezembro. A valorização do bitcoin nas primeiras semanas do ano renovadou o otimismo dos investidores, especialmente diante das expectativas de flexibilização regulatória nos Estados Unidos e maior adoção institucional dos ativos digitais.
A estratégia de compra em quedas, conhecida como “buy the dip” no jargão dos investidores, é defendida por muitos analistas como forma de aproveitar oportunidades de entrada em momentos de correção do mercado.
Com milhões de seguidores e forte influência no mercado financeiro brasileiro, as movimentações de Thiago Nigro são acompanhadas de perto por investidores de varejo. A exposição pública de suas escolhas de investimento, no entanto, não deve ser interpretada como recomendação, mas como parte de uma estratégia pessoal de alocação de patrimônio.
Fontebeincrypto



