Resumo da notícia:
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A maioria dos emissores de stablecoins devem falhar nos próximos anos, segundo análise da Artemis.
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Atualmente, Tether (USDT) e Circle (USDC) dominam 86% do setor, e a expectativa é que mantenham pelo menos 75% de participação até 2030.
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O sucesso de uma stablecoin dependerá mais de sua integração nos “trilhos” de pagamento existentes da força de marcas consagradas.
A integração das moedas estáveis com o sistema financeiro tradicional foi uma das principais tendências do mercado de criptomoedas em 2025. A adoção de tokens como o USDT e USDC para atração de pagamentos, fintechs e sistemas de liquidação global comprova que as stablecoins resolvem problemas que até então estavam à espera de uma solução.
O sucesso das moedas estáveis consolidou a Tether como uma das empresas mais lucrativas do mundo, enquanto a Circle abriu seu capital nos Estados Unidos, oferecendo aos investidores uma alternativa direta para exposição ao crescimento do setor.
Do lado dos usuários, dados da empresa de análise do mercado cripto Artemis revelam que o total de usuários ativos diários de moedas estáveis atingiu a marca de 1,9 bilhão, o que representa um crescimento de 57% em relação a 2024.
Embora o crescimento do setor deva se acelerar nos próximos anos, com a capitalização do mercado das moedas estáveis Superando US$ 1 trilhão até 2030, uma análise da Artemis Analytics afirma que a maioria das empresas emissoras não sobreviverá no longo prazo.
Segundo Mario Stefanidis, autor do estudo, o mercado converge para as consolidações em poucos ativos que funcionam como trilhos eficientes, em vez da rotina de novas marcas.
Emissão de moedas estáveis não é um negócio sustentável
A premissa de que grandes corporações e instituições financeiras devem emitir moedas estáveis próprias barreiras logísticas e operacionais. Para o usuário, a multiplicidade de tokens gera custos de conversão e fragmentação de liquidez.
Stefanidis afirma que “a emissão por si só não é um negócio sustentável”. O autor argumenta que empresas focadas apenas na emissão de ativos dependentes de distribuição e distribuição espontânea, o que raramente acontece sem que a empresa detenha o controle dos pontos de integração.
Segundo a análise, a logística dos comerciantes atuará como um filtro de mercado, reduzindo a saturação em nome de uma quantidade limitada de vencedores.
Stefanidis destaca que como moedas estáveis são mais eficientes e baratos do que os trilhos tradicionais. No entanto, os comerciantes também querem minimizar a complexidade operacional, evitando o gerenciamento de reservas de ativos com perfis de liquidez e infraestruturas específicas:
“Nos pagamentos, a adoção segue a simplicidade; as moedas estáveis que facilitarem a transferência do dinheiro sobreviverão, o restante será ignorado.”
A obtenção de novos emissores dependerá de sua adequação ao mercado. Sem o controle de carteiras ou trilhos de liquidação, os emissores ficarão distantes da captura de valor real, inviabilizando a sustentabilidade do negócio, afirma a análise:
“O mercado favorece naturalmente um pequeno número de ativos que operam em todos os lugares, em vez de muitos que operam apenas em contextos restritos.”
USDT e USDC devem manter liderança do setor
Segundo dados da Artemis, atualmente, o Tether (USDT) e o USD Coin (USDC) da Circle detêm 86% do fornecimento total de stablecoins, com 60% e 26% de participação, respectivamente.
Projeções sugerem que a capitalização do mercado das stablecoins pode atingir US$ 1,6 trilhão até 2030, mantendo uma taxa de crescimento anual de 40%. Stefanidis estima que a perda de participação no mercado da Tether e da Circle deva ser marginal, caindo no máximo para 75% nesse período.
Segundo o analista, os US$ 400 bilhões restantes em participação de mercado não comportaram bolsas de novos emissores com escala relevante. Para Stefanidis, os líderes atuais do mercado se beneficiam de efeitos de rede e liquidez profundos, dificultando o avanço de concorrentes.
Potenciais concorrentes testam novos modelos
Empresas com grandes bases de usuários estão adotando moedas estáveis para reduzir a dependência de trilhos externos e manter o controle do fluxo financeiro. Stefanidis destaca que as estratégias de adoção corporativa apresentam modelos diferentes, de acordo com o objetivo de cada plataforma, indo desde a criação de tokens proprietários até a integração de ativos validados pelo mercado.
O PayPal utiliza o PYUSD como um produto defensivo para proteger sua relação com 438 milhões de contas ativas contra a desintermediação por outros ativos. Lançada em agosto de 2023, a moeda estável do PayPal ainda não superou os US$ 4 bilhões em capitalização de mercado — uma fração pequena perto dos US$ 187 bilhões do USDT e US$ 75,4 bilhões do USDC.
Já a Klarna optou por lançar o KlarnaUSD como uma ferramenta de controle interno para comprimir custos de liquidação em seu modelo de “compre agora, pague depois”.
A Stripe, por sua vez, atualizou o USDC em sua plataforma, evitando a competição direta com as gigantes do setor.
A análise conclui que a utilidade das moedas estáveis reside na redução de fricções em processos de liquidação já existentes, e não na criação de novas categorias financeiras.
No longo prazo, o mercado tende a recompensar empresas cuja infraestrutura oferece interfaces e camadas de liquidação, em detrimento daquelas que oferecem apenas o ativo digital, afirma Stefanidis:
“A integração escala é melhor do que a emissão para a maioria das empresas.”
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o (USDE) da Ethena (ENA), um dos principais projetos de moedas estáveis alternativas, perdeu US$ 8,3 bilhões em capitalização de mercado desde outubro de 2025, na esteira do maior evento de liquidação da história do mercado de criptomoedas.
Fontecointelegraph




