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Um recente queda do Bitcoinque voltou para a casa de US$ 90 mil após uma forte onda de vendas no fim de semana, é reflexo direto do aumento da incerteza geopolítica global, e não de fragilidades estruturais do mercado criptográfico. O gatilho foi a escalada do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em torno do controle da Groenlândia, acompanhado da ameaça de novas tarifas comerciais contra países europeus, reacendendo o temor de uma guerra tarifária entre EUA e União Europeia.

Com a piora do cenário, quase US$ 1 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas em algumas horas, enquanto Ethereum, XRP, Solana e outras altcoins acompanharam o Bitcoin na queda.

Para analistas, o episódio reforça a sensibilidade das criptomoedas a choques macroeconômicos. Min Jung, da Presto Research, observou, segundo o The Block, que o setor criptográfico continua apresentando desempenho inferior a outros ativos de risco, mesmo em sessões em que as bolsas asiáticas operaram lucrativas, o que indica uma fragilidade específica do mercado digital neste momento.

Já Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin (MB), destaca que a disputa envolvendo a Groenlândia deve ser entendida menos como um risco militar imediato e mais como um fator de instabilidade econômica. Segundo a análise, o ponto central não tem efeito na cadeia provocada pelos preços anunciados e pelas ameaças de retaliação da União Europeia.

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No fim de semana, Trump anunciou tarifas de 10% (com possibilidade de aumentar para 25% em junho) contra produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, por essas nações foram movimentadas em proteção para a Groenlândia. Diante disso, a UE ameaça com tarifas de até 93 bilhões de euros em importações americanas.

Impactos econômicos e aversão ao risco

Segundo o analista do MB, o principal canal de transmissão desse choque para o Bitcoin passa pela inflação e pela política monetária. “Tarifas mais elevadas encarecem produtos importados, pressionaram a inflação e mantiveram a margem para cortes de juros pelo Federal Reserve”, aponta Szuster. Com juros mais altos por mais tempo, a liquidez global tende a ficar mais restrita, favorecendo ativos de renda fixa e penalizando ativos de risco, como ações e criptomoedas.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que o Bitcoin, apesar de muitas vezes ser apresentado como reserva de valor no longo prazo, traz qualidades no curto prazo a esse tipo de notícia. Na avaliação do MB, o ativo ainda se comporta majoritariamente como um instrumento de risco em ambientes de estresse macroeconômico. “Em cenários de aversão ao risco, o investidor reduz a exposição a ativos mais voláteis, independentemente da tese estrutural de longo prazo”, diz o relatório.

Szuster também destaca que a própria Groenlândia tem importância estratégica que vai além da política retórica. A região é relevante para questões militares, rotas comerciais no Ártico e acesso a recursos naturais, como terras raras. Ainda assim, o analista considera pouco provável um avanço militar concreto. “O cenário base continua sendo de negociação e pressão econômica, não de conflito armado”, afirma, reforçando que o impacto nos mercados ocorre principalmente pelo aumento da incerteza e não por um risco geopolítico extremo.

No plano técnico, os analistas observam que o noticiário geopolítico acelerou um movimento de correção que já vinha se formando. Rachael Lucas, da BTC Markets, afirmou ao Decrypt que o Bitcoin ficou mais vulnerável após atrasos no avanço do projeto de lei de estrutura do mercado criptográfico nos EUA. Com a escalada das despesas comerciais, a perda de níveis técnicos importantes, como a média móvel de 50 semanas, acabou intensificando vendas algorítmicas e liquidações forçadas.

Apesar da intensidade do movimento, o MB ressalta que o cenário ainda está longe de caracterizar um novo “inverno cripto”. Segundo Szuster, as quedas motivadas por choques macro tendem a ser mais rápidas e também mais reversíveis, já que não há interrupção prolongada das condições econômicas globais. “O que o mercado está precificando agora é o risco de juros mais altos por mais tempo, não uma quebra estrutural da ecossistema criptográfico”, afirma a análise.

Em resumo, a queda recente do Bitcoin não tem relação direta com a disputa pela Groenlândia em si, mas com o efeito dominó gerado pela escalada retórica entre EUA e Europa. A combinação de tarifas, inflação potencialmente mais alta e política monetária mais restritiva reduz o apetite por risco no curto prazo. Enquanto persistir esse ambiente de incerteza, o mercado criptográfico tende a seguir volátil, reagindo mais ao noticiário macro do que a fundamentos próprios.

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Fonteportaldobitcoin

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