Quando os ETFs de Bitcoin foram aprovados para o mercado dos Estados Unidos em janeiro de 2024, gigantes do mercado financeiro resolveram finalmente entrar no mercado criptográfico. E essa transferência mudou a história do setor, sendo o elemento que, junto com a eleição de Donald Trump, finalmente empurrou o BTC para a marca de US$ 100 mil.
Muito antes, algumas empresas já ofereciam fundos criptográficos em jurisdições onde isso era permitido. Um caso emblemático é o da 21shares, gestora que lançou ainda em 2018 a bolsa de valores da Suíça o primeiro ETF de criptomoedas. Atualmente a empresa possui mais de US$ 12 bilhões em ativos sob gestão, com 50 ETPs (fundos negociados em bolsa) de criptoativos emitidos e uma oferta de bolsas globais.
Agora, diante da BlackRock sugando boa parte do capital que vai para os fundos criptografados, a 21shares aposta na sua expertise para continuar a ter um lugar ao sol. “Nosso diferencial é o conhecimento profundo do espaço, a segurança e a gestão multi-custodia”, disse Krisan Haria, gerente de portfólio da gestora, em entrevista ao Portal do Bitcoin durante o Merge São Paulo 2026.
O executivo deu entrevista em parceria com a brasileira Bruna Cabus, associada sênior da 21shares para a Península Ibérica e América. Por conta de seu histórico, a administração poderia analisar se a chegada dos ETFs na bolsa brasileira muito antes dos EUA deu alguma maturidade mais importante ao mercado nacional.
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“Os ETPs pioneiros trouxeram educação e conhecimento antes dos EUA. Embora o mercado americano seja maior em volume e impacto de preço, o Brasil tem a vantagem regulatória e de conhecimento“, disse Cabus.
Os executivos apontaram que apesar do enorme sucesso dos ETFs, o mercado ainda tem muito para crescer e está longe da maturidade. Além disso, acredito que os fundos são pulverizados o suficiente para evitar que sozinhos possam representar um risco sistêmico ao Bitcoin.
Leia abaixo a entrevista:
Portal do Bitcoin: Qual o peso real que o lançamento dos ETFs nos EUA e a eleição de Trump tiveram para levar o Bitcoin a US$$ 100 mil? Foi o fator principal ou apenas uma pequena parte disso?
Krisan Haria: Definitivamente ajudou. Sem o lançamento dos ETFs nos EUA e a entrada de Trump, essa ação de preço não teria ocorrido nesse período de tempo; posso dizer isso categoricamente. O fluxo de novos ativos após a listagem foi insano, refletindo uma demanda reprimida de investidores que desejam participar do Bitcoin. Antes, as instituições regulamentadas precisariam usar “proxies” como estratégia, mas os ETFs permitiram o investimento institucional direto.
Bruna Cabús: Os ETFs também trouxeram uma audiência diferente e mais resiliente à volatilidade. Hoje vemos fluxos vindos de governos e tesourarias corporativas — investidores de longo prazo, não apenas especuladores.
Você acredita que a relação entre o mercado de criptografia e os produtos financeiros (ETFs/ETPs) já atingiu a maturidade ou ainda há um longo caminho a percorrer?
Bruna Cabús: É um oceano muito mais profundo. Na Europa, lançamos o primeiro ETP em 2018 e vimos o perfil do cliente amadurecer e se tornar mais institucional com a ajuda da regulação. Estamos em um processo de maturidade, mas ainda não chegamos lá. Novos produtos estão surgindo, como cestas de altcoins e produtos com risco em USDC.
O Brasil lançou produtos de criptografia antes dos EUA. Isso nos deu uma vantagem competitiva real ou a profundidade do mercado americano acabou engolindo essa dianteira? O que ainda falta para o Brasil capturar melhor essa oportunidade?
Bruna Cabús: Sim, deu uma vantagem de 100%. O Brasil é tecnológico e seguro; já temos uma boa relação entre mercado financeiro e tecnologia. Os ETPs pioneiros trouxeram educação e conhecimento antes dos EUA. Embora o mercado americano seja maior em volume e impacto de preço, o Brasil tem vantagem regulatória e de conhecimento.
Como a 21shares compete com gigantes como a BlackRock, que atraem volumes massivos de capital apenas pelo peso do nome? Qual o diferencial de vocês?
Krisan Haria: A BlackRock é um “buraco negro” de dinheiro pelo nome, mas nós estivemos lá desde o início, em 2018. Nosso diferencial é o conhecimento profundo do espaço, a segurança e a gestão multi-custodia. Além disso, nossos custos de manutenção são muito competitivos e nossos produtos negociam de forma consistente, mesmo em dias voláteis.
Bruna Cabús: Somos especialistas. Temos 60 produtos na Europa contra apenas um da BlackRock. Temos um departamento de oito analistas focados exclusivamente em pesquisa criptografada. Enquanto a BlackRock fala de renda fixa ou imobiliária, nós “seguramos a mão” do cliente no mercado criptográfico, seja no bull ou no bear market.
A concentração crescente de Bitcoin em ETFs pode criar riscos sistêmicos ou de liquidez para o mercado em geral?
Krisan Haria: Não acho que chegamos nesse ponto. O mercado de ETFs está mais diluído do que parece; não é uma única pessoa controlando tudo. São milhares de investidores tomando decisões independentes de compra e venda.
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Fonteportaldobitcoin


