Em alguns países africanos, contudo, a instabilidade política e as condições económicas incertas tornam o empréstimo de dinheiro mais caro. Até certo ponto, os elevados custos de financiamento afetam a compra de qualquer veículo, independentemente da sua alimentação. Mas os VE são mais caros no início do que os carros movidos a gasolina equivalentes, e esse custo inicial mais elevado resulta em mais juros pagos ao longo do tempo. Em alguns casos, financiar um VE também pode ser mais caro do que financiar um veículo a gás – a tecnologia é mais recente e os bancos podem encarar a compra como um risco e cobrar uma taxa de juro mais elevada, diz Kelly Carlin, gestora do programa de transportes sem carbono do Rocky Mountain Institute, um think tank de energia.
O quadro também varia muito dependendo do país. Na África do Sul, nas Maurícias e no Botswana, as condições de financiamento já estão próximas dos níveis exigidos para permitir que os VE atinjam a paridade de custos, de acordo com o estudo. Nos países de risco mais elevado (o estudo dá exemplos que incluem o Sudão, que está actualmente em guerra civil, e o Gana, que está a recuperar de uma grande crise económica), os custos de financiamento teriam de ser reduzidos drasticamente para que isso acontecesse.
Tornar os VE uma opção acessível será um primeiro passo fundamental para colocar mais veículos nas estradas em África e em todo o mundo. “As pessoas começarão a adquirir estas tecnologias quando estas forem competitivas”, afirma Nelson Nsitem, analista principal de transição energética em África da BloombergNEF, uma consultora energética.
Os sistemas de carregamento baseados em energia solar, como os mencionados no estudo, poderiam ajudar a tornar a eletricidade menos constrangedora, trazendo mais veículos elétricos para as estradas, diz Nsitem. Mas ainda há necessidade de mais infraestruturas de carregamento, um grande desafio em muitos países onde a rede necessita de grandes atualizações em termos de capacidade e fiabilidade, acrescenta.
Globalmente, mais veículos elétricos chegam às estradas todos os anos. “A tendência global é inconfundível”, diz Carlin. Há dúvidas sobre a rapidez com que isso está acontecendo em diferentes lugares, diz ele, “mas o ímpeto existe”.




