Sempre tive uma espécie de trabalho em empresas que deram valor a pesquisas e análises de comportamento de clientes. Isso me ensinou que mudanças de comportamento costumam ocorrer de forma gradual, e não de um dia para o outro. Mas é essencial perceber, e atuar, quando elas começarem a nascer.
Tive bons exemplos em casa. Quando eu tinha 20 anos e meu irmão 15, por volta de 2005-6, me chamou a atenção que ele não assistia à TV. Nem aberto nem fechado. Para ele, uma TV de 32 polegadas era apenas um monitor do seu computador, com assistência ao YouTube.
O YouTube já era sua televisão, seu canal de informação e entretenimento. Isso numa época em que o Google, visionário, recentemente havia comprado um pequeno site de vídeos com cerca de um ano de vida e 30 milhões de usuários – o Youtube. Hoje, uma potência com 2,7 bilhões de visitantes.
Naquele momento, a televisão aberta era o principal e incontestado meio de comunicação do país. Imaginar que sofreria concorrência de um site de vídeos aparentemente suspeitos.
As mudanças costumam ser assim: lentas. Às vezes imperceptíveis, inicialmente restritos a pequenos grupos (early adopters), que acabam sendo ironizados, questionados ou marginalizados.
Depois de alguns degraus no mundo corporativo, tive acesso a pesquisas que fortaleceram, com dados, o poder dessas mudanças e o risco de menosprezá-las. Alterações de hábitos criam oportunidades, assim como criam riscos para negócios já estabelecidos com modelos de negócio muitas vezes se tornando obsoletos.
Lembro de uma pesquisa que tive acesso sobre uma base de assinantes de uma empresa de mídia: alta concentração de pessoas com mais de 50 anos e com alta escolaridade. Essa pesquisa sustentou o posicionamento de seus produtos como premium: “se você quer falar com ricos, aqui está a mídia certa”. E era verdade. Naquele momento.
Mas, ao olhar o filme completo, e não apenas a foto daquele momento, Fiquei claro que essa base estava envelhecendo. Ali estavam os sinais de mudança de comportamento de pessoas como meu irmão adolescente. E a pergunta feita: o que aconteceria quando esses assinantes mais velhos deixassem de existir?
Eis que, em 2025, quando comecei uma nova movimentação profissional, recebi outra pesquisa, desta vez do Bank of America. Ao analisar investidores americanos por faixa etária, o share por classe de ativos mudou completamente.
E dois dados, em especial, me chamaram muita atenção:
Criptoativos / Ativos Digitais
21 a 43 anos: segunda maior participação, 28%
44+ anos: menor participação, 14%
Ações Americanas | Renda Variável Doméstica
21 a 43 anos: menor participação, 4%
44+ anos: maior participação, 41%
Não quero nem posso fazer desculpas a nenhum investimento. Apenas observe os dados. E eles mostram uma mudança clara de comportamento: os jovens estão investindo de forma diferente dos mais velhos.
Não precisamos gostar, concordar ou seguir. Não é juízo de valor. Está acontecendo. Mesmo que nossos amigos ainda não falem sobre isso, ou que pareçam “coisa dos Estados Unidos”. Está acontecendo lá – e há grande chance de se repetir aqui.
Hoje, participando de uma nova indústria financeira e sempre atento a indicadores e pesquisas, sugiro olhar com mais cuidado para essa mudança nas finanças pessoais. A quem acha que “cripto e bitcoin não são para mim”, sugiro investiga. Não se prenda a gurus de redes sociais. Busque conteúdo certificado, livros, artigos, pesquisas e comparativos respeitados.
Cripto não é mais futuro. É presente. E talvez você apenas ainda não esteja percebendo. Como disse recentemente o CEO de uma telecom numa reunião em que estive: “Não entendo muito de criptografia, mas meu filho estudante e eu cobra tanto para investir em bitcoin que comecei a fazer isso para aprender a debater com ele”.
É o que meu irmão tentou dizer quando trocou a TV pelo YouTube, muito antes disso virar uma verdade incontestável. Mudanças de comportamento costumam ser lentas e, às vezes, imperceptíveis. O risco nunca será uma mudança. O risco é fingir que ela não está acontecendo.
Sobre o autor
Giresse Contini é Diretora de Marketing, Growth e Canais Digitais do MB | MercadoBitcoin.
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