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Resumo da notícia:

  • A manutenção de empresas de tesouraria de ativos digitais (DATs) no índice MSCI não garante a sustentabilidade do modelo de negócio atual.

  • Analistas da CoinShares e Coinbase apontam que o futuro do setor depende da transição para um modelo que não se limite à acumulação de criptomoedas.

  • No Brasil, as ações de Méliuz e OranjeBTC já sentem os efeitos desse revés, acumulando quedas superiores a 60% de suas máximas.

A recente decisão do Morgan Stanley Capital International (MSCI) de manter as Empresas de Tesouraria de Ativos Digitais (DATs) em seus índices de mercado trouxe um alívio momentâneo ao setor, impulsionando as ações da Estratégia em 5% nas negociações pós-fechamento de terça-feira (6).

No entanto, analistas da CoinShares e da Coinbase sugerem que a permanência nos índices e a mera acumulação de criptomoedas não impedem a falência do atual modelo de negócios das DATs.

O teste de estresse enfrentado por essas empresas após a correção que atingiu o mercado criptográfico no quarto trimestre de 2025 revela que o setor precisa passar por uma reestruturação profunda para manter-se relevante.

Segundo James Butterfill, da CoinShares, e David Duong, chefe de pesquisa institucional da Coinbase, o único caminho para a retomada do crescimento do setor e a consequente recuperação do preço das ações das DATs passa por uma transição de veículos puramente especulativos para entidades integradas à economia digital e sustentabilidade operacional.

Em sua análise, a Butterfill sustenta que um “bolha das DATs” já estourou para as empresas cujos modelos de negócio se baseiam exclusivamente na valorização de ativos. Muitas dessas empresas, cujas ações anteriormente foram negociadas com prêmios de até 10 vezes o seu valor patrimonial líquido de mercado (mNAV), viram esses múltiplos desaparecerem à medida que o mercado criptográfico caiu e as previsões do modelo no longo prazo passaram a ser questionadas.

mNAV das 10 principais empresas de tesouraria de ativos digitais. Fonte: CoinShares

Butterfill afirma que “à medida que o setor e sua renovação cresceram rapidamente, seu propósito tornou-se cada vez mais nebuloso.” A ausência de fluxo de caixa e operações seguras torna os DATs dependentes da volatilidade do mercado criptográfico, criando uma vulnerabilidade estrutural que na última instância resultou na venda de ativos financeiros temporários em reserva para cobrir despesas.

DATs foram salvos de seu propósito original

Originalmente, o propósito dos DATs era definir uma estratégia de tesouraria disciplinada para proteger seu patrimônio contra a depreciação das moedas fiduciárias.

No modelo pioneiro da Estratégia de Michael Saylor, o Bitcoin (BTC) não foi visto como um ativo para especulação de curto prazo, mas sim como “uma proteção efetiva contra o afrouxamento quantitativo, o aumento da dívida pública e a depreciação cambial de longo prazo”.

A disseminação do modelo da Estratégia ao longo de 2024 e 2025 distorceu o modelo original, transformando as DATs em veículos de investimento alavancados com base na emissão de ações apenas para acumular mais criptomoedas.

A retração do mercado no final de 2025 serviu para evidenciar essas inconsistências. Mesmo com suas ações em queda, a administração dessas empresas reluta em liquidar suas reservas, minando a confiança dos investidores no futuro do setor, afirma Butterfill:

“A tolerância dos investidores à diluição das ações e às concentrações extremamente elevadas de ativos sem fluxos de receita diminuirá. O propósito original de diversificação de ativos para reduzir o risco cambial foi substituído por uma onda de empresas que utilizam os mercados de ações para acumular reservas financeiras excessivamente sem desenvolver negócios reais, enfraquecendo a geral do setor.”

“DATs 2.0” se integrarão à economia on-chain

O futuro das DATs não implica necessariamente a extinção do setor, aponta para uma maturação guiada pela força do mercado, afirma Butterfill:

“O futuro das DATs passa pelo retorno aos fundamentos: gestão de tesouraria disciplinada, modelos de negócios sustentáveis ​​e expectativas realistas sobre o papel dos ativos digitais nos balanços corporativos.”

David Duong, da Coinbase, acredita que o diferencial competitivo deixará de ser a quantidade de criptomoedas que as empresas possuem em caixa, mas sim como elas utilizam a tecnologia blockchain para otimizar seus custos operacionais e gerenciar ativos ativos digitais.

Ao introduzir o conceito de “DAT 2.0”, o pesquisador propõe que essas empresas se especializem “na negociação profissional e na aquisição de armazenamento de espaço em blocos nobres”.

Nesse modelo, as empresas permitem que sejam detentores passivos de criptomoedas para se tornarem gestores profissionais de espaço de bloco (bloquear espaço) – a capacidade de processamento limitada de cada bloco da rede –, tratando esse recurso como uma commodity digital potencializada e necessária em uma economia estruturada em torno da tokenização de ativos reais (RWA).

É consenso entre ambos os analistas que o setor está passando por uma restrição marcada pelo fim de uma era de acumulação e o início de uma fase de sofisticação institucional. A sobrevivência dos DATs dependerá da capacidade de integrar estratégias de tesouraria prudentes, integradas à economia na rede.

No Brasil, o desempenho do Méliuz e da OranjeBTC na B3 servirá de tabela para essa nova fase. As duas empresas brasileiras de tesouraria de ativos digitais foram fortemente atingidas pelo enfraquecimento do setor, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.

As ações do Méliuz (CASH3) recuaram 61% desde as máximas registradas em maio deste ano, no auge da narrativa das DATs.

Lançadas em um IPO reverso na B3 em outubro de 2025, as ações da OranjeBTC (OBTC3) acumularam um prejuízo de 68% em relação ao seu preço máximo, conquistando no dia do seu lançamento na bolsa brasileira.

Fontecointelegraph

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