Durante anos, a tokenização de ativos foi tratada como uma promessa de futuro, algo sempre prestes a transformar o mercado, mas ainda restrito a pilotos, apresentações e nichos de inovação. Agora, essa percepção começa a mudar.
Na visão de Diego Consimo, chefe da Rede XDC para a América Latina, o Brasil deixou de ser apenas um coletor de mercado para se tornar um dos ambientes mais avançados do mundo na adoção de ativos do mundo real tokenizados, os chamados RWAs.
“O Brasil ainda está mais avançado do que os Estados Unidos em termos de adoção e de regulação”, afirmou Consimo em entrevista ao Portal do Bitcoin. Segundo ele, o país conseguiu reunir infraestrutura financeira sofisticada, reguladores abertos ao diálogo e empresas já emitindo ativos tokenizados em escala. Para ele, a tokenização no Brasil deixou de ser apenas discurso e passou a entrar no terreno da execução.
Na prática, a tese do XDC é que o Brasil conseguiu avançar porque já tinha uma base pronta para isso. Pix, digitalização bancária, integração entre instituições financeiras e proximidade entre mercado e reguladores formaram um ambiente favorável para que a tokenização começasse a ganhar atração mais rápida do que em outras jurisdições.
“O sistema financeiro brasileiro é um dos sistemas mais avançados, complexos, gigantes”, disse. “O Brasil é um caso de sucesso do setor financeiro tradicional e agora, vindo para o mercado tokenizado, digital, avançando ainda mais.”
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A XDC é uma blockchain de primeira camada criada originalmente com foco em trade finance, tokenização e infraestrutura para ativos do mundo real. Segundo Consimo, o projeto nasceu em 2017, lançou sua mainnet própria em 2019 e, desde então, vem se posicionando como uma rede voltada menos à especulação típica do mercado cripto e mais ao uso institucional, com aplicações em crédito, securitização, tokenização de recebíveis e integração com o sistema financeiro.
“Esse nunca foi a intenção da XDC”, diz ele ao diferenciar a rede de ecossistemas dominados por memecoins e movimentos de varejo.
Brasil virou vitrine da tokenização
Consimo reforçar que o XDC passou a enxergar o Brasil como mercado prioritário justamente quando temas como Drex, RWA e tokenização conseguiram ganhar força no debate local. Segundo ele, a rede passou a buscar expansão rápida no país, primeiro com exchanges e projetos menores, e depois mirando operações de maior volume. Esse movimento levou a parcerias relevantes com players locais.
Uma das principais frentes mencionadas por ele é a parceria com a Vert Capital. “A narrativa é que talvez um ano, máximo dois, o ativo vai nascer tokenizado. Não vai mais ter aquele processo tradicional”, afirmou. Segundo Consimo, a estimativa acordada com a empresa é de US$ 1 bilhão em entrega em dois anos. Ele também publicou um acordo com a Liqi, com previsão de US$ 500 milhões em emissões, além de outros projetos em andamento.
A lógica, segundo ele, não é criar uma duplicidade entre o mercado tradicional e sua cópia digital. Pelo contrário: a aposta é que o próprio ativo já passou a surgir em formato tokenizado, etapas lentas de conciliação, custo operacional e fricção entre sistemas. “O objetivo deles, juntamente com os reguladores, é não ter um sistema de RWA em duplicidade”, explicou. “O ativo vai nascer tokenizado.”
Bancos ainda são a chave da adoção em massa
Apesar do otimismo com o estágio atual do mercado, Consimo deixa claro que a adoção ampla ainda depende de um passo decisivo: a entrada dos bancos. Hoje, segundo ele, a maior parte da inovação em tokenização está acontecendo por meio de plataformas privadas, securitizadoras, fintechs e infraestrutura de blockchain. Mas a massificação só deve acontecer quando as grandes instituições financeiras passarem a oferecer esses produtos diretamente aos seus clientes.
“Onde que vem a adoção em massa? Quando os bancos mudam a chave”, resumiu. Ele disse que esse é hoje um dos objetivos principais do XDC no Brasil. “A gente está tentando sim. O objetivo que eu quero, pelo menos, é entrar em um, dois bancos aqui no Brasil esse ano ainda.”
Segundo Consimo, essas conversas são técnicas especialmente em trade finance e em plataformas externas à tokenização de crédito. A XDC nasceu com foco nessa frente e continua tratando esse segmento como uma de suas maiores avenidas de crescimento.
Ele cita, por exemplo, a aquisição da plataforma Contour, antes ligada a um consórcio com grandes bancos como o HSBC, como parte do esforço da rede para acelerar o uso de blockchain em letras de crédito e financiamento ao comércio internacional.
A ideia é usar a infraestrutura blockchain para simplificar operações que hoje ainda carecem de processos lentos, fragmentados e caros. “A XDC tem um foco grande nisso”, disse, ao explicar que a rede quer ajudar tanto no processo de tokenização de letras de crédito quanto na possibilidade de usar diretamente o próprio ativo como garantia de financiamento.
Drex, regulação e o próximo passo
Outro ponto importante foi a leitura de Consimo sobre o Drex. Para ele, o projeto não foi abandonado, apesar da percepção criada após ruídos de comunicação no mercado. “O Drex não morreu”, disse. “Só deu uma mudada. Daquele jeito que eles estavam construindo tinham muitas limitações e não estavam conseguindo atender. Mas está vivo ainda.”
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Na avaliação do executivo, o maior legado da Drex até aqui foi colocado bancos, reguladores e empresas para pensarmos juntos na infraestrutura do mercado tokenizado brasileiro. “Foi o programa de maior inovação que trouxe os bancos e todos os participantes para dentro do jogo”, afirma. Para ele, esse efeito institucional já vale muito, mesmo antes de uma implementação definitiva.
Ao mesmo tempo, ele confirma que o ambiente regulatório ainda não está totalmente resolvido. “Ainda não é algo redondo”, disse, observando que o mercado vem operando em cima de estruturas já existentes, e não de uma lei criada especificamente para tokenização.
Ainda assim, o executivo considera que o Brasil segue em posição privilegiada porque os reguladores são mais próximos do mercado do que em muitos outros países. “Os reguladores são totalmente prós”, afirmou. “O que eles querem é tentar entender o fato de que a gente vai conseguir aplicar isso do tradicional nesse cenário digital.”
No fim, a visão de Consimo é que o Brasil pode se consolidar como um dos principais laboratórios globais de tokenização não apenas por ter tecnologia ou interesse de mercado, mas conseguir reunir três peças ao mesmo tempo: infraestrutura financeira robusta, abertura regulatória e casos reais de emissão. E, se a entrada dos bancos de fato acontecer, a tokenização pode finalmente sair do universo das promessas para virar parte do dia a dia do sistema financeiro.
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Fonteportaldobitcoin


