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Resumo da notícia:

  • Os maiores gestores de fortunas do Brasil ignoram criptoativos em seus portfólios para 2026, priorizando a segurança da renda fixa diante do cenário eleitoral.

  • A postura diverge do mercado internacional, onde escritórios familiares e investidores de alta renda elevaram alocações em Bitcoin e altcoins via ETFs.

  • A tokenização de ativos reais (RWA) deve acelerar essa tendência em nível global.

Os principais gestores de grandes fortunas brasileiras — Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, UBS e XP — deixaram o Bitcoin (BTC) e os criptoativos de fora de seus portfólios recomendados para o início de 2026. As alocações priorizam a proteção contra a potencial fuga a ser desencadeada pelas eleições presidenciais e se aproveitam dos juros reais elevados praticados pelo Banco Central (BC).

Essa estratégia diverge do mercado internacional, onde investidores de alta renda e escritórios familiares têm elevadas suas alocações em ativos digitais por meio de veículos regulados e da tokenização de ativos reais (RWA).

Para 2026, as estratégias das sete maiores instituições de gestão de patrimônio do Brasil são moldadas pela perspectiva de corte da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, e pela instabilidade política esperada no segundo semestre.

O consenso entre os bancos denota uma postura conservadora, cujo objetivo principal é capturar os juros reais do Brasil, que seguem entre os mais altos do mundo.

Assim, a renda fixa compõe entre 50% e 70% dos portfólios recomendados a investidores de perfil moderado. A preferência recai sobre títulos atrelados à inflação (IPCA), como os do Tesouro Direto, que protegem o poder de compra e pagam juros reais historicamente altos — atualmente em torno de 8% ao ano.

Há também espaço para ativos isentos de imposto sobre ganhos de capital e crédito privado estruturado.

“O crédito privado estruturado pode ganhar espaço, desde que com uma seleção rigorosa de riscos e fundos capazes de equilibrar crédito com outros fatores para atravessar momentos de volatilidade e uma reprecificação de spreads”, afirmou Julia Lenzi Baulé, estrategista-chefe de investimentos do BB Private, à reportagem do NeoFeed.

Na renda variável, a alocação média sugerida é de 10%, com uma visão cautelosa após a valorização de 34% do Ibovespa em 2025. Instituições como Santander e Bradesco mantêm recomendação neutra para a bolsa, enquanto Itaú e UBS mostram-se mais confiáveis ​​no mercado de ações brasileiro.

“Em 2025, (as ações) foram o melhor ativo e em 2026 serão de novo”, disse Nicholas McCarthy, diretor de estratégia de investimentos do Itaú Unibanco. “Não dá para ficar de fora da bolsa, ainda mais com o processo de queda na taxa de juros.”

A orientação geral é manter uma gestão ativa, investindo em empresas descontadas que possam se beneficiar da queda de juros e evitando a exposição passiva ao índice.

Nos mercados internacionais, a recomendação geral é de uma exposição estrutural de pelo menos 20% para amortizar os riscos locais. As ações de tecnologia e inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos seguem no alvo para o BB Private e o UBS.

Por outro lado, o Bradesco alerta que a sobrevalorização das ações americanas aumenta o risco, enquanto o Itaú sugere uma rotação geográfica para bolsas da Europa, Japão e países emergentes.

Os mercados emergentes reaparecem nas suas carteiras como alternativa de diversificação após um longo período de subalocação. A China é citada como um mercado importante para exposição ao crescimento dos setores de tecnologia e IA, embora exija cautela no segmento de crédito devido às projeções de crescimento econômico mais moderado.

Criptoativos se tornam pilar estratégico para portfólios globais de alta renda

Ao contrário do que ocorre no Brasil, o mercado internacional de alta renda vem consolidando o investimento em criptoativos como parte estratégica do planejamento patrimonial.

Dados do banco suíço Sygnum indicam que 87% dos investidores de alta renda na Ásia já possuem exposição a ativos digitais, sendo que 60% planejam alocar entre 10% e 20% de seu patrimônio no setor ao longo deste ano.

De acordo com Felipe Mendes, CEO da consultoria de investimentos Altside, essa tendência é um reflexo da maior regulação regulatória nos Estados Unidos e da entrada de capital institucional via ETFs de Bitcoin e altcoins.

Mendes projetou também que a tokenização de ativos do mundo real deve ganhar maior participação de mercado em 2026. A tecnologia permite que títulos de crédito e imóveis sejam negociados como tokens digitais, aumentando a liquidez e a eficiência dos mercados de capitais.

Mendes destaca que as projeções da gestora suíça 21Shares apontam que o mercado de ativos tokenizados e moedas estáveis pode atingir US$ 2 trilhões até 2028, acelerando ainda mais a educação entre as finanças tradicionais e a ecossistema digital:

“Para investidores de alta renda, a tokenização reduz custos intermediários, amplia o fracionamento de investimentos e expande o universo de oportunidades antes restritas a grandes instituições. Ao mesmo tempo, as stablecoins deixam de ser apenas instrumentos operacionais e passam a integrar estratégias de gestão de caixa e alocação tática dentro de portfólios mais sofisticados.”

Altside recebe autorização da CVM para atuar no mercado tradicional

Embora ainda marginal no Brasil, a convergência entre os criptoativos e os produtos voltados para os investidores de alta renda ganhou um impulso recentemente com a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a Altside expandir seus serviços de consultoria aos segmentos de investimentos tradicionais.

Originalmente especializada em criptomoedas, a Altside agora passa a oferecer orientação patrimonial integrada. Segundo Mendes, a habilitação consolidar a empresa como uma das poucas consultorias independentes no país aptas a acelerar essa convergência:

“A CVM valida nosso compromisso com governança, independência e segurança para famílias que desejam aderir à criptografia e ao mercado tradicional em uma única estrutura de planejamento patrimonial.”

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Fontecointelegraph

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