Uma operação de mineração ligada à família real dos Emirados Árabes Unidos (EAU) acumula atualmente cerca de US$ 344 milhões (aproximadamente R$ 1,9 bilhão) em lucro não realizado com Bitcoin. Segundo dados recentes, a nação do Golfo detém um total de US$ 453,6 milhões em BTC (mais de R$ 2,5 bilhões), destacando-se como um player estatal relevante no setor de criptomoedas, capaz de influenciar a dinâmica de oferta global do ativo.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, “lucro não realizado” refere-se à valorização de ativos que ainda não foram vendidos. Enquanto o preço do Bitcoin se mantém em patamares elevados, essas moedas permanecem nas carteiras digitais do governo, indicando uma aposta de longo prazo ou uma estratégia de reserva de valor.
Diferentemente dos Estados Unidos, que acumulam BTC majoritariamente por meio de apreensões judiciais, os Emirados Árabes Unidos investem ativamente em infraestrutura de mineração. O país aproveita sua vantagem em custos de energia e recursos renováveis para maximizar margens. Esse movimento ganha ainda mais peso quando observamos dados técnicos do mercado, como a dificuldade de mineração do Bitcoin, que impacta diretamente a rentabilidade dos mineradores globais e filtra quem consegue se manter lucrativo.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
De acordo com o rastreamento da Arkham Intelligence, as carteiras ligadas ao Royal Group dos Emirados detêm cerca de 6.782 BTC. A estratégia e os números revelam um cenário robusto:
- Mineração Industrial: A operação é centralizada na Citadel Mining, localizada na Ilha Al Reem, utilizando energia moderna e sistemas de resfriamento avançados.
- Estabilidade de Custódia: Ao contrário do Butão, que vendeu mais de US$ 100 milhões em BTC recentemente, os Emirados não movimentaram seus fundos há cerca de quatro meses.
- Comparativo de Estratégias: O sucesso da mineração estatal contrasta com empresas de capital abertas que apenas compram o ativo. Por exemplo, a MicroStrategy registrou recentemente um complexo cenário contábil e prejuízo recorde vinculado ao Bitcoin em trimestres passados (antes de ajustes normativos), mostrando como diferentes modelos de exposição impactam os resultados.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para quem investe em reais, a consolidação de grandes “baleias” estatais exige atenção redobrada. O mercado brasileiro é sensível à liquidez global e pode sofrer volatilidade caso esses lucros sejam realizados (vendidos) para cobrir custos operacionais ou realizar caixa. Com o Bitcoin estável e a volatilidade em queda nos derivativos, uma eventual venda significativa de US$ 344 milhões poderia romper suportes importantes no preço do BTC em reais.
Na prática, o movimento dos Emirados também sinaliza uma profissionalização irreversível do setor. O crescimento da mineração institucional, como visto na recente captura de US$ 75 milhões pela Cango, comprova que a mineração está se tornando um jogo para entidades com capital intensivo, dificultando a entrada de pequenos concorrentes.
Riscos e contrapontos no radar
Apesar dos números impressionarem, é crucial notar que o cálculo de lucro da Arkham exclui os custos de energia e hardwareo que significa que o lucro líquido real é menor do que o reportado. Os investidores devem monitorar qualquer movimentação dessas carteiras estatais.
Segundo análises do setor, a postura dos Emirados Árabes Unidos em manter seus Bitcoins reforça a tese de adoção soberana, mas também centraliza uma quantidade específica de oferta nas mãos de governos, criando um novo tipo de risco geopolítico para o ativo descentralizado.
Fontecriptofacil



