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Resumo da notícia

  • O Mercado Livre se tornou pioneiro na América Latina ao incorporar robôs humanóides Digit em suas operações logísticas.

  • Empresa amplia aposta tecnológica após fortalecer tesouro em Bitcoin e consolidar presença no setor criptográfico com 570,4 BTC acumulados.

  • Robôs humanóides entram em fase de testes para otimizar tarefas de cumprimento e avançar na automação de armazéns no Brasil e no exterior.

O Mercado Livre, maior empresa da América Latina, decidiu avançar para a era dos robôs humanoides e revelou a integração do robô Digit, criado pela Agility Robotics, em seu centro de operações em San Antonio, no Texas. A iniciativa inaugura a primeira adoção corporativa de humanoides por uma empresa latino-americana.

O Mercado Livre tem no Texas um centro de distribuição (CD) estratégico para atender o mercado mexicano, facilitando entregas para o país a partir de vendedores nos EUA, e também está propondo mudar seu domicílio legal de Delaware para o Texas, expandindo unificar sua presença corporativa em solo americano, fortalecendo sua logística transfronteiriça e oferecendo mais produtos aos consumidores mexicanos, com entregas em 2 a 5 dias em cidades principais

No caso da adoção de robôs humanoides, a companhia já utiliza outros tipos de robôs em diversos armazéns, porém esta é a primeira vez que aposta em humanoides capazes de realizar tarefas semelhantes às de um operador humano.

Segundo as empresas, ainda não está claro quantos robôs serão usados ​​ou se a operação funcionará como piloto temporário ou implantação definitiva. As equipes informaram apenas que, inicialmente, o Digit executará tarefas de suporte às operações de atendimento, enquanto novos casos de uso serão avaliados para potencial expansão em unidades da América Latina, inclusive no Brasil, que é o maior mercado do Mercado Livre.

A expectativa é que o robô atue majoritariamente no relacionado a contêineres e caixas (totes), principal habilidade da biblioteca de funções do Digit. Em outras empresas, como GXO Logistics e Schaeffler, o robô já realizou mais de 100 mil movimentos de sacolas, transportando contêineres entre transportadores, robôs móveis autônomos e áreas de armazenamento. Esse histórico demonstra seu potencial para otimizar fluxos internos e aliviar cargas repetitivas que, hoje, recai sobre operadores humanos.

O Digit mede 1,75 m, pesa cerca de 63,5 kg e consegue levantar até 15,8 kg. Ele conta com proteção e recarga independentes, além de extensões personalizáveis ​​que ampliam a gama de tarefas possíveis. Foi o primeiro humanoide a obter certificação OSHA por um laboratório reconhecido nacionalmente (NRTL), garantindo conformidade para operar em ambientes industriais complexos.

Mercado Livre e robôs humanoides

Para o Mercado Livre, essa tecnologia contribui para ampliar a eficiência e a segurança. Agustín Costa, vice-presidente sênior de logística da empresa, afirmou que o grupo está sempre em busca de soluções emergentes capazes de melhorar suas operações e beneficiar funcionários e clientes.

Ele disse que a parceria com a Agility representa um passo importante para criar uma rede logística “mais segura, eficiente e adaptável”. Costa destacou ainda que a equipe está animada para testar como humanoides podem complementar capacidades humanas e acelerar a evolução do comércio na América Latina.

Já Daniel Diez, diretor de negócios da Agility, classificou o acordo como um marco para o setor de robótica humanóide. Segundo ele, o Mercado Livre demonstra ser um verdadeiro inovador ao integrar robôs autônomos capazes de executar “trabalho significativo e gerar valor real” dentro de suas instalações.

Diez reforçou que a companhia latino-americana se destaca pela disposição em adotar tecnologias de ponta em comércio e fintech, e que a parceria deve abrir portas para operações cada vez mais sofisticadas.

Mercado Livre e Bitcoin

A entrada dos humanoides marca um passo na estratégia de inovação do Mercado Livre que também envolve o mercado de criptoativos. No primeiro trimestre do ano passado, por exemplo, o ML aumentou sua exposição ao Bitcoin, adquirindo 157,7 BTC por cerca de US$ 82 mil cada, totalizando um investimento de US$ 13 milhões. Ao juntar esse montante aos 412,7 BTC comprados em 2021, a empresa já acumula 570,4 BTC em balanço, equivalentes a US$ 59 milhões em valores de mercado. Com isso, ocupa a 33ª posição entre as empresas públicas com mais Bitcoin em caixa.

O custo médio de aquisição, segundo o Bitcoin Treasuries, foi, na época, de US$ 38.569. Assim, as participações do Mercado Livre registraram valorização de cerca de 167%. A companhia também mantém 3.050 unidades de Ether, adquiridas em 2021, e segue ampliando sua integração com o setor criptográfico.

Em 2021, o ML foi a primeira empresa listada da América Latina a comprar Bitcoin. No mesmo ano, passou a oferecer compra e venda de criptomoedas no Brasil por meio do Mercado Pago. Em 2022, adquiriu participação no grupo 2TM, controlador do Mercado Bitcoin, e lançou sua própria moeda, a Meli Coin. Em 2023, comunicou à SEC que custodiava US$ 21 milhões em criptomoedas de clientes da plataforma.

O fundador e CEO Marcos Galperin, que investe em Bitcoin desde 2013, sempre defendeu publicamente que a criptomoeda funciona como proteção contra o endividamento crescente dos governos e a desvalorização monetária imposta pelos bancos centrais. Para ele, o Bitcoin garante liberdades individuais e representa um avanço estrutural para os cidadãos. A Galperin também participou publicamente da rodada de financiamento da exchange Ripio.

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Fontecointelegraph

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