O mercado de apostas preditivas está dando um recado claro sobre a próxima decisão do Banco Central brasileiro. Com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 27 e 28 de janeiro, investidores e traders da plataforma Polymarket estão apostando fortemente que não haverá alteração na taxa básica de juros.
Os dados da plataforma revelam um cenário de consenso incomum: 81% dos participantes acreditam que a Selic permanecerá inalterada em 15% ao ano. Apenas 17% apostam em um corte nos juros, enquanto menos de 1% prevê uma alta. O mercado movimentou mais de US$ 41,6 mil em apostas sobre o tema.
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Contexto econômico solicitado
A taxa Selic não encontra-se no maior patamar em quase 20 anos, após uma série de elevações que ocorreram em setembro de 2024. Durante 2025, o Banco Central promoveu quatro aumentos consecutivos no primeiro semestre, liderando uma taxa de 12,25% para 15% ao ano, e manteve esse nível nas quatro reuniões subsequentes.
A autoridade externa tem enfrentado um cenário complexo marcado por inflação persistente acima da meta de 3%, mesmo com sinais de desaceleração econômica. O último dado disponível mostra o IPCA acumulando alta de 4,46% em 12 meses, dentro do teto da meta contínua de 4,5%, mas ainda distante do centro.
O que dizem os especialistas
Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que consulta semanalmente as instituições financeiras, os analistas de mercado mantêm a expectativa de manutenção da Selic em 15% na primeira reunião de 2026, com possíveis cortes a partir do segundo trimestre do ano.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, reforçou em declarações recentes que o comitê prefere aguardar mais dados antes de sinalizar qualquer movimento. Durante a coletiva de dezembro, Galípolo afirmou que não há programação prévia sobre as próximas decisões e que a estratégia é avaliar o cenário econômico com o máximo de informações disponíveis.
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O comunicado da última reunião de dezembro destacou que o cenário atual permanece marcado por “elevada incerteza” tanto no plano externo quanto no interno, o que justifica a cautela na condução da política monetária.
Fatores de pressão
Diversos elementos importantes para a manutenção dos juros em patamares elevados:
Inflação persistente: Apesar da recente desaceleração, os núcleos de inflação e os preços dos serviços seguem abaixo. A inflação de alimentos e energia continua volatilizando o índice geral.
Incertezas externas: A política econômica dos Estados Unidos e a pressão comercial global afetam as condições financeiras internacionais, com reflexos diretos no Brasil.
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Desafios fiscais: As discussões sobre gastos públicos e sustentabilidade fiscal do governo continuam gerando ruídos nos mercados de ativos.
Dólar volátil: A moeda americana mantém oscilações que pressionam custos e inflação importada.
Impactos para a economia
A manutenção dos juros em 15% traz consequências diretas para diversos setores:
Para o sistema financeiro, significam rentabilidades atrativas em renda fixa, com títulos públicos oferecendo retornos reais elevados. Os bancos continuam lucrando com operações de crédito mais caras.
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Para empresas e consumidores, o crédito permanece caro, dificultando investimentos produtivos e compras financiadas. O Banco Central projeta crescimento econômico de 2% para 2025, enquanto o mercado prevê expansão de 2,25% do PIB.
O custo dessa política também se refere ao Tesouro Nacional: cada ponto percentual adicional na Selic representa aproximadamente R$ 50 bilhões anuais em serviço da dívida pública, beneficiando principalmente detentores de títulos públicos.
O que esperar da reunião
A primeira reunião do Copom em 2026 será crucial para definir o tom da política monetária no ano. O comitê analisará indicadores recentes de inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e cenário internacional antes de tomar sua decisão.
Caso a expectativa do mercado se confirme e a Selic seja mantida, será a quinta vez consecutiva que o Banco Central opta pela estabilidade nos juros. A ata da reunião, divulgada na terça-feira seguinte, detalha os detalhes sobre o cálculo por trás da decisão e sinais sobre os próximos passos.
O mercado de divergência tem mostrado margem de lucro em decisões antecipadas do Copom recentemente, tornando essa aposta forte de 81% um indicador relevante do sentimento dos investidores. A decisão será anunciada na noite de 28 de janeiro, ao término do segundo dia de reunião.
Fontebeincrypto



