O estrategista da Jefferies, Christopher Wood, trocou sua alocação em Bitcoin por ouro, citando riscos crescentes da computação quântica sobre a segurança da rede. Apesar da decisão, o BTC manteve relativa estabilidade e foi negociado a US$ 91.200, com alta de 0,8% nas últimas 24h e volume diário próximo de US$ 28 bilhões. O movimento ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o papel do Bitcoin como reserva de valor em um cenário de avanços tecnológicos avançados.
O que motivou a saída das Jefferies do Bitcoin?
Wood afirmou que avanços recentes em computação quântica aumentam o risco estrutural para o Bitcoin, especialmente para endereços antigos e carteiras institucionais. Estudos relatados pelo estrategista estimam que entre 4 e 10 milhões de BTC — de 20% a 50% do fornecimento em circulação — podem ser visíveis caso máquinas quânticas quebrem os algoritmos criptográficos atuais, segundo NDTV Profit.
O temor ganhou força após a Microsoft anunciar o chip Majorana 1, em fevereiro de 2025, considerado um avanço relevante na corrida quântica. Embora o chamado “Q-Day” ainda seja teórico, o mercado passou a precificar riscos de longo prazo, principalmente para grandes detentores que reutilizaram títulos — prática comum nos primeiros anos da rede.
Impactos para o mercado e investidores brasileiros
No curto prazo, a decisão teve impacto limitado no preço do BTC. Tecnicamente, o ativo segue acima da mídia móvel de 200 dias em US$ 78.500, com suporte forte em US$ 85.000 e resistência imediata em US$ 95.000. O diário RSI está em 56 pontos, indicando momentum neutro, enquanto o MACD segue positivo, mas com histograma em leve contração.
Para investidores brasileiros, o recado é acompanhar fluxos institucionais. Dados de ETFs de Bitcoin à vista nos EUA mostram entradas líquidas de US$ 180 milhões na última semana, indicando que a saída da Jefferies não representa, por enquanto, uma tendência generalizada. Ainda assim, os gestores globais reavaliando riscos estruturais podem aumentar a volatilidade em momentos de estresse.
Bitcoin perde força como reserva de valor?
A troca por ouro reacende o debate entre BTC e metais preciosos como proteção de longo prazo. Enquanto o ouro acumula alta de 6,2% em 2026, o Bitcoin sobe 4,5% no mesmo período, mas com volatilidade significativamente maior. No Brasil, esta discussão ganha relevância diante do interesse crescente por tokens lastreados em ouro e produtos híbridos.
Por outro lado, os defensores do BTC argumentam que a rede pode se atualizar com atualizações criptográficas antes que a ameaça quântica se torne real. Iniciativas em outras blockchains para mitigar ataques quânticos reforçam a tese de que o risco é gerenciável no longo prazo.
Risco real ou preocupação prematura?
Especialistas lembram que computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia do Bitcoin ainda não existem em escala prática. Segundo análise citada pelo The Block, o horizonte para esse tipo de ameaça pode levar anos, dando tempo para a comunidade implementar soluções.
Em resumo, a decisão da Jefferies não sinaliza um colapso da tese do Bitcoin, mas reforça a necessidade de monitorar riscos tecnológicos de longo prazo. Para investidores brasileiros, o momento é de diversificação, atenção aos níveis técnicos e acompanhamento de como o mercado institucional reage a esse novo capítulo do debate quântico.
Fontecriptofacil



