Harvard Bitcoin

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UM Sociedade de Gestão de Harvardgestora do fundo patrimonial (endowment) da universidade mais prestigiada do mundo, eliminou sua exposição ao Bitcoin no último trimestre, vendendo cerca de 21% de suas cotas em ETFs. No entanto, o movimento não sinalizou uma saída do mercado criptográfico, mas sim uma rotação estratégica de capital: a instituição abriu uma nova posição de US$ 86,8 milhões (aproximadamente R$ 500 milhões na cotação atual) em um ETF de Ethereum.

O que está por trás dessa movimentação?

A decisão de Harvard reflete uma estratégia clássica de gestão de portfólio institucional conhecida como reequilíbrio. Após a forte valorização do Bitcoin, grandes fundos tenderam a realizar lucros parciais para controlar o risco e buscar oportunidades em ativos que ficaram para trás em termos de desempenho, processo conhecido como rotações de capital.

Ao migrar parte dos lucros do Bitcoin para o Ethereum, a universidade aposta na diversificação dentro da classe de ativos digitais. Esse comportamento não é isolado; analistas apontam que o Ethereum pode romper contra o Bitcoin em ciclos de alta liquidez, atraindo investidores que buscam catch-up trade (lucrar com a recuperação do segundo ativo). Além disso, o movimento ocorre em sintonia com outros gigantes: recentemente, o Goldman Sachs também bloqueou sua exposição a ETFs de Bitcoin no quarto trimestre, trazendo um consenso institucional de realização parcial de lucros.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

De acordo com o formulário 13F enviado à SEC e reportado pelo The Block, os números da carteira de Harvard mostram uma alocação significativa, mesmo após a venda:

  • Bitcoin (IBIT): A universidade manteve 5,35 milhões de cotas do iShares Bitcoin Trust da BlackRock, avaliadas em US$ 265,8 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão). Mesmo com a redução de 1,48 milhão de cotas, o Bitcoin permanece como a maior posição pública de equity do fundo, superando ações da Microsoft e Alphabet.
  • Ethereum (ETHA): A nova posição consiste em 3,87 milhões de cotas do iShares Ethereum Trust, totalizando US$ 86,8 milhões.

Essa dinâmica reforça como grandes gestores, como a BlackRock, movimentam milhões entre Bitcoin e Ethereum para atender a essa demanda sofisticada. A entrada de Harvard no ETH também valida teses de outras empresas, como o caso recente em que a Bitmine aumentou suas apostas em Ethereum, enxergando valor fundamental na rede de contratos inteligentes.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor local, a entrada de Harvard no Ethereum serve como um selo de validação institucional para o ativo, frequentemente visto apenas como uma “altcoin” volátil por investidores mais tradicionais. Isso sinaliza que carteiras balanceadas podem se beneficiar da exposição a ambas as criptomoedas.

No Brasil, replicar essa estratégia é acessível através da B3. Os investidores podem utilizar ETFs listados localmente, como os da Hashdex (HASH11, ETHE11) ou BDRs de ETFs da BlackRock, para montar posições semelhantes em Reais, sem a necessidade de remessa internacional. O movimento de Harvard sugere que os investidores brasileiros devem revisar seus pesos em carteira: se o Bitcoin subiu muito e desequilibrou seu portfólio, realizar parciais e diversificar em ETH pode ser uma estratégia prudente de gestão de risco em BRL.

Riscos e o que observar

Apesar da validação institucional, o investimento acarreta riscos de volatilidade. Acadêmicos citados pelo Carmesim de Harvard ainda classifiquei a aposta como “arriscada” devido à dificuldade de mensurar o valor intrínseco dos ativos digitais. Os investidores devem monitorar os próximos formulários 13F (trimestrais) para confirmar se a rotação para o Ethereum é uma tendência de longo prazo ou apenas um ajuste tático pontual.

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