Resumo da notícia:
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Os investimentos de grandes empresas no Brasil sobem para R$ 77,7 milhões por ano, com ROI de 16%.
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78% das organizações esperam ROI positivo em IA em até três anos.
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O ROI em IA deve dobrar até 2027.
A SAP divulgou esta semana uma pesquisa realizada em parceria com a Oxford Economics, indicando que as empresas de grande e médio porte no Brasil investem US$ 14,2 milhões (R$ 77,7 milhões) por ano em inteligência artificial (IA), com Retorno Sobre Investimento (ROI) de 16%, em média.
O estudo global “Value of AI”, que reuniu 1.600 executivos de oito países, incluindo 200 líderes brasileiros, mostra que o Brasil está entre os mercados mais avançados da pesquisa na transformação da IA em valor de negócio.
De acordo com a empresa de software de gestão empresarial, embora os investimentos anuais no país sejam ainda menores que em mercados como China (US$ 42 milhões) e Estados Unidos (US$ 37 milhões), as empresas brasileiras igualam a média global de retorno (16%) e demonstram confiança semelhante aos principais centros econômicos, com 78% das organizações prevendo ROI positivo em até três anos.
Na avaliação do presidente da SAP Brasil, Rui Botelho, “a pesquisa mostra que as empresas brasileiras estão entrando em uma nova fase de maturidade digital, em que a IA deixa de ser um experimento e passa a ser uma alavanca de crescimento”.
Os resultados comprovam que, quando a IA é integrada a dados de qualidade e fluxos de trabalho inteligentes, o retorno parece de forma concreta e sustentável, afirma.
Ampliação de investimentos
Segundo a empresa, os resultados financeiros diretos reforçam o papel estratégico de IA no ambiente corporativo, já que o retorno médio atual de 16% deve ser planejado regularmente até 2027, alcançando 31% (equivalente a US$ 5,8 milhões) — desempenho em linha com a média global de ROI projetado (também 31%).
O estudo também aponta que os investimentos das empresas brasileiras em IA deverão crescer 36% nos próximos dois anos, ritmo semelhante ao de países como Alemanha (37%) e Reino Unido (40%). O que posiciona o país entre os mercados que mais planejam investir no curto prazo. Além disso, a aplicação de recursos em gestão e qualidade de dados deve aumentar 23%, refletindo a prioridade das empresas na construção de bases sólidas para adoção responsável da tecnologia.
Atualmente, 23% das tarefas corporativas no Brasil já contam com algum tipo de suporte de IA, e a expectativa é que esse número suba para 40% até 2027. Quase sete em cada dez empresas (69%) afirmam que a tecnologia tem sido eficaz para solucionar os principais desafios de negócio. O Porcentual superior ao da média global (59%) reforça o caráter prático e orienta os resultados da adoção brasileira.
Próxima fronteira da IA
Para a SAP, a próxima fronteira da IA no Brasil será impulsionada por agentes independentes — sistemas capazes de planejar, agir e colaborar com o mínimo de intervenção humana. De acordo com o estudo da SAP, 78% dos executivos brasileiros acreditam que esses agentes têm alto potencial de transformação nas operações corporativas.
As empresas brasileiras esperam um retorno médio de 10% (cerca de US$ 3 milhões) com o uso desses sistemas nos próximos dois anos — valor em linha com a média global. Apesar disso, apenas 1% das organizações afirmam estar totalmente preparadas para escalar o uso dessa tecnologia (contra 5% no cenário global), enquanto 65% dizem estar parcialmente prontas (contra 54% globalmente).
Na próxima onda de valor virão os agentes de IA, que atuarão como sistemas independentes, capazes de executar tarefas complexas e tomar decisões de forma inteligente. É uma nova fase, em que a IA deixa de apenas apoiar processos para intervenções na transformação dos negócios, explica Rui Botelho.
Desafios
A SAP acrescentou que, mesmo com resultados expressivos, 68% das empresas declaram estar preparadas para adotar soluções de IA, 70% afirmam ter baixa confiança na capacidade de integrar dados de forma responsável entre áreas internas, e 60% relacionam dificuldade em fazer o mesmo com parceiros externos. Esses índices são semelhantes à média global, mostrando que os obstáculos à maturidade dos dados são comuns entre os países avaliados.
Outro ponto de atenção é o uso da “IA paralela” (shadow AI) — ferramentas de IA utilizadas por funcionários sem aprovação formal. Oito em cada dez empresas (80%) dizem estar preocupados com o tema, e 66% admitem que esse uso ocorre com alguma frequência, reforçando a necessidade de governança e políticas claras para o uso ético da tecnologia.
Outra pesquisa apontou que a adoção de IA é de apenas 16% nas classes menos favorecidas do país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
Fontecointelegraph




