O Google revelou na quinta-feira (8) uma reformulação abrangente do seu principal serviço de e-mail, integrando seu modelo de inteligência artificial mais avançado, o Gemini 3, diretamente ao Gmail.
A iniciativa marca a tentativa mais ousada da empresa até agora de transformar a caixa de entrada de um repositório passivo de mensagens em um assistente pessoal ativo, intensificando a rivalidade com a OpenAI e a Microsoft.
As atualizações, anunciadas junto com novos recursos para o aplicativo Gemini, aproveitaram o mais recente modelo de linguagem do Google para automatizar tarefas diárias, organizar comunicações por prioridade e gerar conteúdo visual criativo.
A caixa de entrada movida por IA
No centro da atualização é uma interface do Gmail redesenhada, alimentada pelo Gemini 3, o modelo de próxima geração que o Google apresentou no final do ano passado. A nova visualização “AI Inbox”, disponível a partir de hoje, rompe com a tradicional lista cronológica. Em vez disso, utiliza processamento local para organizar e-mails em grupos prioritários e oferece um resumo “Atualize-me” das atividades recentes, como notificações de envio, lembretes de compromissos e recibos de compras.
“Isso é o Google cumprindo a promessa de o Gmail estar proativamente ao seu lado”, disse Blake Barnes, vice-presidente de produto do Google, em comunicado nesta quinta-feira.
A empresa posicionou a atualização como uma mudança para um “parceiro de pensamento” capaz de responder a perguntas complexas sobre a vida digital do usuário, como “Quando meu voo chega?” — tudo isso sem exigir buscas manuais.
A implementação começou na quinta-feira para usuários nos Estados Unidos. Embora alguns recursos (como resumos de conversas e o “Ajude-me a escrever”) sejam gratuitos para todos, as funções mais poderosas de “Assistente” — especificamente a capacidade de fazer perguntas em toda a caixa de entrada (por exemplo, “Qual o tamanho do sapato que eu pedi?”) — são restritas, por enquanto, a assinantes pagos do Google AI Pro ou Ultra. A nova visualização “AI Inbox” (que organiza os e-mails por prioridade) ainda está limitada a um grupo de “testadores confidenciais”, não sendo liberada ao público geral.
O Gmail detém cerca de 30% da fatia global do mercado de clientes de e-mail, normalmente ficando atrás apenas do Apple Mail — que tem participação maior por ser o aplicativo padrão no iPhone, frequentemente usado para acessar contas do próprio Gmail. A maioria dos principais relatórios do setor e dados de mercado sugerem que uma base de usuários se estabilizou em cerca de 1,8 bilhão, embora algumas estimativas recentes projetem que ultrapassarão a marca de 2 bilhões entre 2025 e 2026.
‘Nano Banana’ e ferramentas criativas
Para além da produtividade, o Google está impulsionando suas capacidades em mídia criativa. O anúncio destacou a integração de seu modelo eficiente de geração de imagens, codinome “Nano Banana” (oficialmente Gemini 2.5 Flash Image), ao ecossistema mais amplo do Gemini.
Apresentado originalmente no final de 2025, o modelo foi projetado para criação e edição de imagens em alta velocidade, diretamente no dispositivo. O Google confirmou nesta quinta-feira que a variante “Pro” do modelo agora está disponível para clientes corporativos e está alimentando novas ferramentas criativas em todo o Google Workspace e no aplicativo móvel Gemini, permitindo que os usuários gerem ou remixem imagens por meio de comandos em linguagem natural.
Privacidade e disputa de mercado
A implementação ocorre em meio à intensificação da concorrência pelo Google. O lançamento do Gemini 3 e sua integração em produtos essenciais como Gmail e Busca fez com que concorrentes como o OpenAI acelerassem seus próprios cronogramas de lançamento de produtos.
No entanto, a integração profunda da inteligência artificial ao e-mail pessoal levanta questões persistentes sobre privacidade. O Google enfatizou quinta-feira que, embora nesta o Gemini 3 processe dados da caixa de entrada para fornecer resumos e respostas, essas informações permanecem dentro de uma barreira segura de “privacidade de engenharia”. A empresa afirmou explicitamente que o conteúdo dos usuários nesses ambientes pessoais não é utilizado para treinar seus modelos públicos de IA.
Para responder ainda mais às questões de privacidade, o Google também destacou a ampliação do recurso “Bate-papo Temporário” no aplicativo Gemini. Funcionando de modo semelhante ao “modo anônimo”, esse recurso permite que os usuários realizem conversas pontuais com a IA que não são salvas no histórico nem usado para treinamento do modelo — uma solução externa para quem teme que seus dados deixem rastros.
Fonteportaldobitcoin



