O gigante bancário Goldman Sachs reportou uma redução significativa em suas posições de ETFs de criptomoedas no quarto trimestre de 2025. Segundo documentos apresentados à SEC, o banco reduziu sua exposição ao ETF de Bitcoin à vista em cerca de 40%, mantendo ainda um valor substancial de US$ 1,06 bilhão (aproximadamente R$ 6,15 bilhões). O movimento ocorre em um cenário de correção de mercado, onde o Bitcoin na próxima recuou de sua máxima histórica a US$ 114.000 para a faixa dos US$ 88.000 no fechamento do ano, sinalizando uma estratégia de rebalanceamento institucional.
O que está por trás dessa movimentação?
A decisão do Goldman Sachs não acontece de forma isolada, mas reflete um comportamento típico de gestão de risco institucional frente à volatilidade excessiva. Em termos simples, grandes instituições tendem a realizar lucros ou reduzir a alavancagem quando o mercado apresenta sinais de exaustão, como foi o caso da correção observada no final de 2025.
Durante o quarto trimestre, o mercado de criptoativos viu saídas líquidas consideráveis. Dados indicam que os fluxos negativos nos ETFs de Bitcoin somaram mais de US$ 1,15 bilhão no período. Esse cenário de “de-risking” (redução de risco) foi impulsionado por fatores macroeconômicos e uma realização de lucros natural após o rali pós-eleitoral nos EUA.
Historicamente, bancos como o Goldman e o JPMorgan ajustavam suas carteiras trimestralmente com base em estatísticas de liquidez e sentimento de mercado. Diferentemente do investidor de varejo que muitas vezes mantém posições por exclusão ideológica, as instituições reagem a dados de curto e médio prazo.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
O relatório 13F enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) revela detalhes importantes sobre a composição da carteira do banco ao final de 31 de dezembro de 2025:
- Bitcoin (BTC): O banco detinha cerca de 21,2 milhões de cotas em ETFs spot, avaliados em US$ 1,06 bilhão. Isso representa uma queda de 39,4% em relação ao trimestre anterior, conforme dados analisados pelo Atlas21.
- Ethereum (ETH): As posições em ETFs de Ether caíram 27,2%, totalizando 40,7 milhões de cotas ou cerca de US$ 1 bilhão.
- Diversificação em Altcoins: Apesar das vendas nos principais ativos, o Goldman Sachs adicionado posições em novos produtos. O banco reportou US$ 152,2 milhões em ETFs de XRP e US$ 108,9 milhões em ETFs de Solana.
Essa distribuição de capital para altcoins como Solana e XRP sugere que a instituição não está saindo do mercado criptográfico, mas sim diversificando suas apostas. Esse movimento contrasta com outros gestores; enquanto a Grayscale ajusta seus produtos de XRP e Solana, o Goldman parece ver oportunidade de entrada desses ativos durante a correção.
É importante notar que, mesmo com a redução, o Goldman Sachs permanece como um dos maiores detentores institucionais, relatório em escala a movimentos apresentados na BlackRock em momentos de alto volume e capitulação.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, a transação do Goldman Sachs oferece uma lição valiosa sobre não se “apaixonar” pelas posições. O mercado local, muitas vezes influenciado pelo par BTC/BRL e pela desvalorização cambial, pode interpretar as vendas institucionais como pânico, mas a realidade aponta para uma gestão ativa de portfólio.
A entrada do banco em ETFs de XRP e Solana sinaliza que a temporada de altcoins pode estar no radar dos grandes players, algo que o investidor local deve monitorar. Além disso, a resiliência dos ETFs de Bitcoin mesmo após vendas massivas demonstra que a estrutura do mercado se desenvolveu, oferecendo mais liquidez para entradas e saídas estratégicas.
Riscos e o que observar
Apesar da manutenção de bilhões em ativos digitais, o cenário macroeconômico exige cautela. Analistas apontam que as incertezas sobre as taxas de juros do Federal Reserve para março de 2026 podem manter a volatilidade alta. Dados da SoSoValue mostram que a continuidade de saídas nos ETFs pode testar novos suportes de preço.
O investidor deve ficar atento aos próximos relatórios 13F em maio para confirmar se a redução foi pontual ou uma tendência de resultado mais ampla. Níveis técnicos de suporte no Bitcoin e o desempenho dos novos ETFs de altcoins terão tarifas cruciais nas próximas semanas.
Fontecriptofacil



