B3 planeja lançar stablecoin em 2026 e amplia aposta em ativos digitais

O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta terça-feira (6) o lançamento do BRD, uma stablecoin última lida em títulos públicos do Tesouro Nacional. O projeto representa uma inovação no mercado brasileiro de criptoativos ao combinar a estabilidade de uma moeda digital atrelada ao real com o rendimento dos papéis da dívida pública.

Durante entrevista ao programa “Cripto na Real”, da CNN Brasil, Volpon destacou que a iniciativa busca democratizar o acesso aos juros brasileiros — atualmente em 15% ao ano — para investidores do mundo todo.

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“Com o BRD, o processo se torna direto, disponível em tempo integral e transparente”, afirmou o executivo, ressaltando que a moeda poderá ser dada 24 horas por dia, sete dias por semana, em redes blockchain de alta liquidez.

Oportunidade em meio aos juros elevados

Volpon justificou a criação do projeto pela combinação entre as taxas de juros elevadas do Brasil e a tecnologia blockchain. Segundo ele, embora o país ofereça taxas que há anos atraem investidores estrangeiros, o acesso a esses rendimentos sempre foi complexo, burocrático e pouco intuitivo para quem opera de fora.

“Passei boa parte da carreira em instituições como UBS e Merrill Lynch, sempre atendendo investidores internacionais nas taxas brasileiras. Apesar do apetite, poucos conseguem acessar esses mercados de forma simples”, explicou Volpon.

O ex-diretor do BC também enxerga o projeto como um impulso para a modernização do mercado financeiro brasileiro.

“Ela funciona como uma porta de acesso a serviços digitais que, até agora, nunca foram plenamente integradas às tecnologias de blockchain no Brasil”, declarou.

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Mercado em expansão

Com o lançamento da BRD, o Brasil passa a contar com seis stablecoins últimas em reais: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e agora a BRD. A B3, bolsa de valores brasileira, também já anunciou planos para lançar sua própria stablecoin até o final do primeiro semestre.

O diferencial do BRD está em sua estrutura explícita de compartilhamento de rendimentos com os detentores, sendo a primeira moeda digital atrelada ao real a oferecer esse modelo. A Transfero, com sua stablecoin BRZ, domina o mercado com capitalização de US$ 185 milhões, seguida pela BBRL, com US$ 51 milhões.

A startup brasileira Crown também atua neste segmento, tendo captado US$ 13,5 milhões na rodada Série A liderada pela Paradigm em dezembro, para seu token BRLV, que possui cerca de US$ 19 milhões em circulação.

Outros projetos de Volpon no setor criptográfico

Além do BRD, Tony Volpon tem se destacado em outras frentes do mercado de criptoativos no Brasil. Por meio de sua empresa CF Inovação, ele liderou um projeto de tokenização de ativos imobiliários e desenvolveu uma solução proposta pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) para registro de contratos de corretagem em blockchain.

A tecnologia substitui procedimentos manuais, dificulta fraudes, facilita a fiscalização e reduz custos operacionais no setor imobiliário. Todos os contratos de corretagem no país podem agora ser registrados em uma plataforma digital segura e auditável em tempo real.

Volpon, que foi diretor da Área Internacional do Banco Central entre 2015 e 2016, possui mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por instituições como Safra, Banco de Boston, Bank of America, UBS e Merrill Lynch. Atualmente, também é professor da Universidade de Georgetown e mantém participação ativa no debate público sobre o papel macroeconômico das criptomoedas.

Fontebeincrypto

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