Uma nova proposta técnica de melhoria do código do Bitcoin pode ajudar a preparar uma rede para um futuro em que os computadores quânticos sejam capazes de quebrar sistemas criptográficos atuais. A chamada BIP-360, recentemente publicada e documentada no repositório oficial do GitHub, sugere um novo tipo de saída de transação projetada para reduzir riscos ligados à computação quântica.
A proposta foi formalmente incorporada ao repositório em 11 de fevereiro. O anúncio foi feito na última quarta-feira (11) pelo desenvolvedor do Bitcoin Mark Erhardt, ligado à Localhost Research, iniciando a fase oficial de rascunho para discussão.
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Uma Proposta de Melhoria do Bitcoin (BIP) é um documento técnico que sugere mudanças no protocolopadrões ou processos da rede. Qualquer pessoa pode propor uma, mas ela só avança após revisão e consenso da comunidade técnica.
O que o BIP-360 propõe para a rede Bitcoin?
O resumo técnico da proposta no GitHub descreve um novo tipo de saída chamado Pay-to-Merkle-Root (P2MR), que seria ativado via soft fork – uma atualização menos complexa que um hard fork. Ele funciona de forma semelhante ao Taproot, mas sem exigir o gasto pelo caminho da chave.
Na prática, o P2MR esconde a chave pública até o momento do gasto. A ideia por trás da proposta é que, uma vez ocultados os endereços, os investidores ficam protegidos dos chamados ataques de “exposição prolongada”, nos quais um invasor coleta chaves públicas armazenadas na blockchain e tenta quebrá-las futuramente usando computadores quânticos.
A proposta usa hashes para proteger os dados enquanto os fundos estão parados. Os novos endereços poderiam usar prefixo – ou inicias – bc1z e revelaríamos apenas as informações mínimas possíveis no momento da transação.
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Ataques de longa x curta exposição
O documento diferencia dois tipos de ameaça:
- Longa exposição: quando chaves públicas ficam visíveis por longos períodos na blockchain.
- Curta exposição: quando a chave aparece brevemente enquanto a transação aguarda confirmação no mempool.
A foca P2MR no primeiro tipo. A proteção total contra ataques rápidos provavelmente exigirá assinaturas pós-quânticas no futuro.
Por que isso é importante?
O avanço da computação quântica preocupa governos e empresas. No entanto, os computadores quânticos de hoje ainda estão longe de ser uma ameaça concreta ao Bitcoin, e as variações sobre quando isso acontecerá variam extensivamente.
Alguns pesquisadores veem a ameaça de chegar daqui cinco anos; outros projetam esse risco apenas para a década de 2030 — embora os investimentos contínuos possam acelerar esse cronograma. A comunidade do Bitcoin, por sua vez, também avançou no desenvolvimento de melhorias para proteger a rede dessa possível ameaça no futuro, como a nova BIP divulgada na última semana.
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Fonteportaldobitcoin



