LatAm divide: El Salvador tokeniza PMEs, Brasil olha para reservas BTC, Argentina reduz salários de carteira.

Resumo

  • El Salvador visa US$ 100 milhões em financiamento tokenizado para PMEs via COIN – Stakiny, usando tecnologia EVM, carteiras biométricas e supervisão CNAD para tokens de ações.
  • O projeto de lei RESBit do Brasil permitiria ao estado comprar BTC até 5% das reservas cambiais, armazenar em carteiras frias e aceitar BTC para impostos com incentivos de imposto de renda sobre ativos digitais.
  • O Senado da Argentina retirou os depósitos salariais de carteiras digitais após lobby bancário, mantendo os salários em contas bancárias, apesar do forte uso de carteiras em meio à inflação e aos congelamentos anteriores.

Três países latino-americanos adotaram abordagens contrastantes para a regulamentação e adoção de criptomoedas nos últimos meses, de acordo com ações legislativas e governamentais em toda a região.

Países latino-americanos se voltando para a criptografia

El Salvador anunciou planos para lançar um projeto de investimento de US$ 100 milhões usando tokens digitais para apoiar pequenas e médias empresas locais. A iniciativa representa uma aliança estratégica entre a Corporación Infinito e a Stakiny, destinada a conectar empresas nacionais com mercados financeiros internacionais através de instrumentos de capital tokenizados.

Stakiny, uma plataforma que busca aprovação da Comissão Nacional de Ativos Digitais, fornecerá a infraestrutura técnica para tokenizar ações de empresas privadas. O sistema combina acordos de acionistas tradicionais com tokens digitais registrados em blockchain, permitindo o gerenciamento em tempo real de tabelas de capitalização, distribuição de dividendos, eventos de governança e negociação secundária. A plataforma opera em uma rede compatível com EVM e é acessível por meio de uma carteira móvel biométrica.

No Brasil, os legisladores estão considerando uma legislação que estabeleceria uma Reserva Soberana Estratégica de Bitcoin, conhecida como RESBit, e eliminaria impostos sobre os ganhos de Bitcoin. O deputado Luiz Gastão apresentou a proposta, Projeto de Lei 4.501/2024, à Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados.

A legislação permitiria ao governo adquirir gradualmente Bitcoin até cinco por cento das reservas cambiais do país. A gestão dos ativos seria compartilhada entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda, com armazenamento em carteiras frias. O projeto permitiria o uso do Bitcoin para liquidar impostos federais e eliminaria as exigências atuais para corretores e investidores documentarem todas as transações do Bitcoin. A proposta inclui isenção de 100% do imposto de renda sobre receitas provenientes de Bitcoin e outros ativos digitais.

A Argentina seguiu um caminho diferente quando os legisladores removeram disposições que teriam permitido aos trabalhadores receber salários através de depósito direto em carteiras digitais. A cláusula foi eliminada de uma proposta de reforma trabalhista depois que o partido do presidente Javier Milei concordou em retirar a seção para garantir um apoio mais amplo à legislação.

A decisão seguiu a oposição das instituições financeiras tradicionais da Argentina, que contataram senadores para expressar preocupações sobre a opção de pagamento por carteira digital. Uma pesquisa realizada pelo banco central há vários anos mostrou que 47% da população possui conta bancária.

Plataformas de carteira digital, incluindo Mercado Pago, Modo, Ualá e Lemon, ganharam usuários na Argentina em meio à instabilidade cambial e à escassez de dólares. O país tem vivido uma inflação recorrente e restrições periódicas no acesso a fundos de contas bancárias, incluindo o congelamento bancário “corralito” de 2001.

As diferentes abordagens das três nações refletem uma experimentação mais ampla em toda a América Latina com regulamentação de criptomoedas, gestão de reservas e políticas de inclusão financeira.

Fontecrypto.news

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