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Resumo da notícia

  • O Deutsche Börse Group traz ao Brasil um Crypto Finance Group para oferecer infraestrutura institucional de criptomoedas.

  • Os bancos brasileiros aceleraram a adoção de criptografia com foco em custódia, negociação, compliance e governança regulatória.

  • O Brasil já movimentou US$ 318,8 bilhões em criptografia entre 2024 e 2025, consolidando-se como líder regional na América Latina.

Nesta terça-feira, 10, o Grupo Deutsche Börse, uma das maiores e mais importantes organizações de infraestrutura de bolsas de valores do mundo, anunciou que a chegada do Crypto Finance Group ao Brasil.

Integrante do grupo alemão, a Crypto Finance quer atender instituições interessadas em estruturar ofertas ligadas a criptoativos, como custódia, negociação e outros serviços regulados, em um momento de amadurecimento crescente do mercado brasileiro.

“A adoção de criptomoedas no Brasil já ocorre em escala global. O que o mercado demanda, agora, é governança em nível institucional, e é exatamente por isso que estamos aqui. Nosso papel é trazer a experiência internacional da companhia para dialogar com a estrutura única do mercado brasileiro, ajudando a construir padrões institucionais em parceria com os players locais.”, afirma Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group

Em conversa ao Cointelegraph Brasil, Straeten destacou que o país já tem grandes bancos olhando criptografados como uma classe de ativos reais, não como experimento.

Itaú, Santander e os bancos digitais estão avançando porque existe demanda do cliente e pressão competitiva. Quando isso acontece, o banco precisa entregar algo funcional. Outro ponto decisivo foi a regulação. Com o novo marco legal, sabemos quem pode operar, como operar e quais são as responsabilidades. Isso muda completamente a conversa com o banco. Em vez de discutir se é possível entrar em criptografia, falamos a discutir quando e como.

Straeten também ressalta que o Brasil tem sido um dos principais motores de adoção de ativos digitais na América Latina e que nos últimos anos, empresas envolvidas na bolsa e gestores de investimento passaram a incorporar criptomoedas em seus balanços e estratégias de negócio. Entre os exemplos, ele cita nomes como Méliuz e OranjeBTC, primeiras empresas brasileiras a destinar recursos de tesouraria ao Bitcoin. E

Além disso, dados do setor indicam que o volume total movimentado em criptoativos somente no Brasil foi de aproximadamente US$ 318,8 bilhões entre 2024 e 2025, quase um terço de toda a atividade on-chain registrada na América Latina no período.

“O mercado de criptografia brasileiro alcançou um novo nível de maturidade. Há uma demanda clara e consistente por parte de instituições que buscam ofertas em criptografia bem estruturadas em conformidade com as exigências regulatórias.”, explica.

Bancos não tomam decisão ‘do dia para noite’

De acordo com Straeten, os bancos não começaram com DeFi ou produtos complexos. Eles começam com o básico: Bitcoin e Ethereum, em ambientes fechados, com controle total de custódia e compliance. Isso é o padrão em todos os mercados maduros.

O problema nunca é o ativo. O problema é tudo ao redor dele. Quem guarda as chaves? Como integrar sistemas bancários antigos? Como cumprir AML, relatório regulamentar? É aí que a maioria trabalha. O que fazemos é assumir essa camada técnica e regulatória. Custódia institucional, gestão de chaves, integração, processos de compliance. O banco não precisa virar uma empresa de tecnologia criptografada. Ele precisa oferecer criptografia como oferece qualquer outro produto financeiro, com governança e responsabilidade.

O executivo também destaca que na Europa, a empresa aprendeu que a adoção institucional leva tempo e, portanto, um banco não toma essa decisão em uma reunião.

São meses de trabalho interno, bolsas de workshops, alinhamento entre jurídico, compliance, tecnologia e negócios. Em muitos casos, falamos de ciclos entre oito e vinte e quatro meses. A diferença é que, quando a regulação está clara, o processo ea. Os bancos fornecem prescrição de investimento e assumem compromisso de longo prazo. É isso que está começando a acontecer no Brasil agora. Primeira negociação e custódia. Depois staking, stablecoins, tokenização. O caminho já é conhecido e nós já fizemos isso antes.

Brasil e América Latina

Na América Latina, a expansão do uso de criptomoedas tem ocorrido, em grande parte, como resposta a desafios macroeconômicos, como inflação elevada e instabilidade cambial. Na Argentina, cerca de 8,6 milhões de pessoas utilizam algum tipo de criptomoeda como forma de proteção contra a perda do poder de compra, com forte presença de stablecoins nas transações de varejo. No México e na América Central, o uso de criptoativos tem crescido em operações de remessas e pagamentos internacionais.

El Salvador, por sua vez, segue ampliando iniciativas econômicas baseadas em ativos tokenizados, incluindo instrumentos financeiros lastreados em Bitcoin. Embora o país tenha sido considerado um pioneiro nesse campo, em 2025 o governo brasileiro também passou a estudar o uso de criptoativos como parte de uma estratégia econômica nacional.

Esse cenário tem ampliado a distância entre a adoção por usuários finais e a atuação das instituições financeiras, que seguem cautelosas diante das exigências regulatórias. Segundo a Crypto Finance, a oferta de infraestrutura institucional e experiência em ambientes regulados são fatores-chave para o desenvolvimento sustentável do mercado.

“Nosso papel é contribuir para a próxima fase de evolução do mercado”, acrescentou Vander Straeten. “Isso envolve custódia segura, infraestrutura de negociação regulada e um diálogo aberto e contínuo com os reguladores. O Brasil chegou a um estágio em que essa camada institucional se torna cada vez mais relevante.”

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Fontecointelegraph

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