O Bitcoin opera em consolidação após dados de emprego dos Estados Unidos fortalecendo as expectativas de flexibilização monetária pelo Federal Reserve, movimento que historicamente favorece as ações de risco. Na sexta-feira (10), o BTC estava sendo negociado a US$ 90.444, com queda de 1,8% nas últimas 24 horas e alta de 6,9% no acumulado de 2026. O pano de fundo macro combina desaceleração do mercado de trabalho americano, fluxos mistos em ETFs e um mercado cripto ainda digerindo os ganhos recentes.
O que os dados de emprego dos EUA sinalizam para o Bitcoin?
O relatório de dezembro mostrou a criação de 50 mil vagas, abaixo da projeção de 60 mil, enquanto a taxa de desemprego caiu para 4,4%. Esse equilíbrio — desaceleração sem recessão — é visto como o “ponto ideal” para o Fed, pois aumenta a probabilidade de cortes de juros ainda no primeiro trimestre.
Para o Bitcoin, os juros mais baixos tendem a aumentar o apelo de títulos e fortalecer ativos escassos. Segundo a Barron’s, o mercado pode ter a probabilidade de um corte imediato para cerca de 5%, mas manteve as expectativas de afrouxamento gradual em 2026.
Bitcoin consolida acima de US$ 90 mil com suporte técnico relevante
No gráfico diário, o BTC segue negociado entre US$ 88.000 e US$ 92.000, faixa que atua como obrigações após o rali do início do ano. O suporte imediato está em US$ 88.000, enquanto a principal resistência aparece em US$ 92.500; um brinquedo consistente abre espaço para testar US$ 100.000.
O RSI de 14 períodos está em 54 pontos, sinalizando equilíbrio entre compradores e vendedores, enquanto o MACD permanece positivo, porém com histograma em desaceleração. O preço segue acima da média móvel de 50 dias (US$ 87.300), o que preserva uma estrutura de alta no curto prazo.
Fluxos institucionais e dados on-chain reforçam o cenário
Apesar da visão construtiva, os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de US$ 486 milhões em um único dia. O IBIT, da BlackRock, liderou com retirada de US$ 129 milhões, enquanto o FBTC teve saída de US$ 247 milhões, de acordo com a Barron’s.
Mesmo assim, no acumulado de 2025, o IBIT somou entradas de US$ 24,8 bilhões, evidenciando que a tese institucional permanece intacta. Esse movimento dialoga com a retomada do interesse em ETFs de Bitcoin observado nas últimas semanas.
No on-chain, dados indicam redução gradual do fornecimento em exchanges e retomada da acumulação por baleias com carteiras entre 1.000 e 10.000 BTC. Além disso, o hashrate médio de 7 dias alcança 872 EH/s, próximo das máximas históricas, sinalizando confiança dos mineradores e segurança da rede.
Riscos no curto prazo ainda desativar cautela
O principal contraponto é a volatilidade macro: um dado de inflação acima do esperado ou mudança no discurso do Fed pode pressionar o BTC abaixo de US$ 88.000. Saídas adicionais de ETFs também podem gerar movimentos de correção mais profundos.
Para investidores brasileiros, o cenário reforça a importância de controlar o câmbio e a política monetária dos EUA. Em reais, o Bitcoin segue tanto ao dólar quanto ao apetite global por risco, o que exige gestão ativa e atenção aos níveis técnicos.
Com o BTC consolidado acima de US$ 90 mil e fundamentos estruturais preservados, o mercado observar se o atual ambiente macro será suficiente para destravar um novo movimento direcional. A região de US$ 100.000 permanece como o principal teste psicológico — e técnico — para os próximos meses.
Fontecriptofacil



