Resumo da notícia
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Aave enfrenta disputa por controle e receitas no protocolo.
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Comunidade reage e questiona poder da Aave Labs.
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Governança frágil aumenta incertezas sobre o token AAVE.
O protocolo Aave, uma das principais plataformas de empréstimos descentralizados do cripto mercado, atravessa uma crise de governança que coloca em evidência fundamentada sobre controle, propriedade e descentralização no ecossistema DeFi.
O conflito entre a Aave Labs, entidade responsável pelo desenvolvimento do protocolo, e sua Organização Autônoma Descentralizada (DAO) escalou em 2026 e levanta questões que podem redefinir os limites de poder entre desenvolvedores e comunidades no setor.
A polêmica teve início em dezembro de 2025, quando a Aave Labs anunciou uma parceria estratégica com a CoW Swap. Dias após o anúncio, membros da comunidade descobriram que as taxas geradas pela integração foram direcionadas para uma carteira privada controlada pela Aave Labs, e não para a tesouraria da DAO, como seria esperado em um protocolo descentralizado.
A descoberta provocou forte evidência da comunidade, que classificou a movimentação como uma “privatização furtiva” de receitas estimada em aproximadamente US$ 10 milhões anuais.
“A discussão sobre a receita foi o gatilho central de todo o debate, mas o ponto principal é que a discussão sobre a governança já foi aberta e o alerta do DAO foi acionado”, afirma Diego Marques, Head de Análise da On Crypto Research.
Votação controversa durante o feriado
A tensão atingiu seu ápice quando a Aave Labs iniciou uma votação de governança durante o período de Natal, propondo mudanças no controle dos ativos da marca Aave.
O momento da proposta gerou críticas da comunidade, que questionou a legitimidade das decisões estruturais tomadas durante um período de baixa participação (algo que estamos habituados a ver em votações na Câmara e no Senado do Brasil).
Apesar da forte mobilização reforçada, a proposta foi derrotada, demonstrando a capacidade de ocorrência da DAO e sinalizando sua disposição para contestar decisões unilaterais da equipe de desenvolvimento.
A comunidade agora articula uma nova rodada de votação para resolver a questão da propriedade dos ativos e estabelecer cláusulas claras de governança.
Em resposta à pressão da comunidade, Stani Kulechov, fundador da Aave Labs, apresentou recentemente um acordo para compartilhar as receitas controversas com o DAO. Entretanto, os analistas questionam se a medida resolverá os problemas estruturais subjacentes.
“Uma resolução nesse sentido poderia trazer uma paz momentânea, mas as incertezas sobre a propriedade dos ativos e a personalidade jurídica da DAO continuariam no ar”, explica Marques. “Trata-se de uma solução paliativa que não aborda as questões fundamentais do modelo de governança. No curto prazo, o problema deixa de ser visível, mas tende a voltar à tona.”
Como isso afeta o setor de DeFi
A instabilidade na governança já começa a impactar o token AAVE e deve continuar gerando volatilidade até que uma solução estrutural seja inovadora. Segundo Marques, embora a situação entre a DAO e a Aave Labs não seja melhor resolvida, o token e seus investidores podem enfrentar correções ou períodos de lateralização no mercado.
“É fundamental acompanhar atentamente os próximos capítulos dessa história para saber se as incertezas serão eliminadas de vez, ou não”, pontua o analista.
De acordo com ele, o estágio desta disputa transcende os limites do protocolo Aave e pode estabelecer um precedente importante para a governança em todo o ecossistema de finanças descentralizadas.
O caso levanta questões fundamentais sobre a verdadeira natureza da descentralização, os direitos das comunidades de detentores de tokens e os limites do poder exercido pelas equipes de desenvolvimento em projetos que se propõem independentes. Além disso, o caso pode servir como modelo para outros protocolos DeFi que enfrentam ou enfrentam dilemas semelhantes sobre o equilíbrio de poder entre desenvolvimento centralizado e governança descentralizada.
Fontecointelegraph




