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UM A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltou a colocar os mercados globais em alerta. Após o presidente Donald Trump impor um prazo curto para um acordo nuclear “significativo” e sinalizar que, sem avanço diplomático, uma alternativa pode ser uma ação militar, o risco de um ataque iminente passou a ser precificado pelos investidores. O reforço militar americano e israelense na região, somado às ameaças públicas de Teerã, elevou o grau de incerteza, e isso já começa a se refletir no petróleo, no dólar e, por consequência, no Bitcoin.

O momento é particularmente especial para o mercado criptográfico. O Bitcoin já enfrentou um início de ano difícil, acumulando queda de cerca de 50% desde o pico histórico registrado em outubro e tentando se sustentar em faixas técnicas importantes. Atualmente o BTC opera na casa de US$ 68 mil e uma nova rodada de estresse geopolítico pode ampliar a pressão, especialmente no curto prazo.

Para Rony Szuster, Chefe de Pesquisa do Mercado Bitcoin (MB), o principal canal de impacto passa pela macroeconomia. Ele explica que a possível escalada tende a afetar o BTC “principalmente por meio do aumento da tensão geopolítica, da alta do petróleo e do fortalecimento do dólar”.

O Irã ocupa posição estratégica no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. “A alta do petróleo amplia o risco inflacionário e aumenta a aversão ao risco nos mercados”, afirma. Nesse ambiente, os investidores costumam migrar para ativos considerados mais seguros, o que já se reflete na recuperação do dólar medida pelo índice DXY. “O fortalecimento do dólar é um ponto central da análise, pois há, em geral, uma esplendor inversa entre a moeda americana e os criptoativos. Quando o dólar ganha força, o Bitcoin tende a sofrer pressão.”

Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, reforça que o canal energético é decisivo e que o risco do barril se aproximar de US$ 100 não pode ser descartado caso haja ameaça concreta à navegação na região.

Segundo ele, o impacto no Bitcoin tende a ser menos de narrativa e mais de mecânica financeira. “Alta do dólar, abertura de condições financeiras e redução de alavancagem tendem a produzir estresse de crédito.” Em um cenário de aumento da aversão ao risco, o BTC poderia perder o suporte na região de US$ 61,5 mil e buscar níveis mais baixos, com US$ 52,8 mil como principal ponto de atenção e, em caso de pressão adicional, a faixa de US$ 44,7 mil.

Por outro lado, se a tensão arrefecer, o cenário-base seria de lateralização entre US$ 61,5 mil e US$ 71,6 milsem força para uma retomada consistente enquanto não houver fechamento mensal acima de US$ 74 mil.

Proteção x ativo de risco

Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX, pondera que, apesar da narrativa de “ouro digital”, o Bitcoin ainda é tratado majoritariamente como ativo de risco pelos gestores institucionais. “Em cenários de maior aversão global ao risco, os investidores tendem a reduzir a exposição a ativos voláteis e migrar capital para dólar, Tesouro e ouro.”

Ele lembra que, historicamente, em choques geopolíticos agudos, o movimento inicial costuma ser de queda para ativos de risco, enquanto o petróleo e o ouro sobem. O BTC, nesse primeiro momento, tende a acompanhar o mercado ativo antes de eventualmente recuperar a narrativa de proteção em um cenário macro mais amplo.

João Canhada, fundador da Foxbit, retoma o dilema ao destacar que o primeiro reflexo em uma escalada militar é a busca por liquidez. “Nesse momento, o Bitcoin pode sofrer junto com ações e outros ativos de risco”, afirma. Mas ele acrescenta que o estágio depende do efeito sobre o sistema financeiro global. “Se o conflito gerar instabilidade prolongada, pressão sobre moedas fiduciárias ou aumento de remessas monetárias, o Bitcoin volta para o radar como ativo neutro, fora do sistema estatal.” Para ele, “não é o conflito em si que define o preço, e sim o impacto dele na liquidez global”.

Em um cenário de ataque efetivo ou guerra prolongada, a combinação de petróleo em alta, dólar forte e condições financeiras mais restritivas tendem a ser negativas para o Bitcoin no curto prazo. Já um estágio rápido ou uma estabilização diplomática pode reduzir os danos e até abrir espaço para recuperação, especialmente se o mercado entender que o pior ficou para trás.

No meio da maior incerteza geopolítica dos últimos anos, o BTC volta a testar seu papel entre ser ativo de risco sensível à liquidez ou alternativa estrutural em um mundo de crescente fragmentação financeira. A resposta, mais uma vez, dependerá menos da retórica e mais da dinâmica macro que surgirá nos próximos dias.

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Fonteportaldobitcoin

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