Como stablecoins como USDT e USDC (cotadas a US$ 1,00 / ~R$ 5,75) estão no centro de uma nova medida fiscal que pode encarecer a proteção cambial para o investidor brasileiro. O governo federal prepara uma consulta pública para aplicar uma alíquota de 3,5% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em compras e remessas internacionais realizadas com esses ativos, equiparando-as a operações de câmbio tradicionais.
O que está por trás da proposta?
A medida visa fechar o cerco contra a chamada “dolarização via criptografia”. Na prática, a Receita Federal identificou que muitos investidores utilizam stablecoins para manter a exposição ao dólar ou enviar recursos ao exterior sem pagar as taxas que incidem sobre a compra de papel-moeda ou transferências bancárias internacionais (SWIFT).
Segundo a proposta, as stablecoins passariam a ser tratadas como investidores financeiros sujeitos às mesmas regras cambiais do sistema bancário. Enquanto nos Estados Unidos o foco tem sido a estrutura regulatória, como visto nos esforços da Casa Branca para destravar a lei Clarity, no Brasil a prioridade atual parece ser a arrecadação e a isonomia fiscal entre criptomoedas e moeda fiduciária.
Para o Banco Central e a Receita, a transação com stablecoins possui a mesma natureza econômica de um contrato de câmbio, justificando a incidência do imposto para evitar arbitragem regulatória.
Quais são os detalhes da medida?
De acordo com informações veiculadas pelo Valor Econômico, a alíquota proposta é de 3,5% sobre o valor da operação. No entanto, existe uma faixa de isenção importante: pessoas físicas que movimentam menos de R$ 10.000 (cerca de US$ 1.910) por mês não seriam tributadas.
Já para pessoas jurídicas, não há autorização. Isso impacta diretamente o que adotamos criptoativos para eficiência de caixa ou pagamentos transfronteiriços. Os serviços corporativos, como os pagamentos de atualização em stablecoins via MoonPay e Deel, tornariam-se mais onerosos para as empresas brasileiras que utilizam essas rotas financeiras.
A medida também afeta produtos de varejo integrado. Navegadores e carteiras que facilitam o acesso a ativos pareados, como a integração do Opera MiniPay com Tether Gold, entrariam no radar da tributação caso o volume transacionado pelo usuário excedesse o limite mensal.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor de varejo que transfere pequenos valores mensalmente, o impacto imediato é nulo devido à autorização de R$ 10 mil. Contudo, para quem busca diversificar grandes quantias ou proteger o patrimônio da desvalorização do real, o custo da operação aumentará significativamente. Os analistas alertam que a medida exige cautela redobrada, pois as exchanges nacionais devem fornecer ou reportar esses valores.
Há também o risco de migração para a informalidade. Especialistas apontam que o imposto pode empurrar investidores para plataformas descentralizadas (DeFi) ou corretoras estrangeiras que não reportam à Receita. No entanto, a fiscalização está a intensificar-se. Casos recentes, como a multa milionária da Paxful por transações ilícitas, demonstram que operar fora de ambientes regulamentados traz riscos jurídicos crescentes.
Segundo relatos da InvestNews, a exigência de governança e trilhas de auditoria para quem opera esses pagamentos deve subir para um nível bancário, dificultando a vida de empresas menores do setor criptográfico nacional.
Em síntese
Em resumo, a proposta de taxar stablecoins em 3,5% busca equalizar o mercado cripto ao câmbio tradicional, fechando brechas fiscais. O governo estima arrecadar bilhões com a medida, dado o volume mensal de R$ 8 bilhões movimentados em stablecoins no país. O investidor deverá acompanhar a consulta pública nos próximos dias, pois o texto final definirá as regras exatas de conformidade.
Fontecriptofacil



