Resumo da notícia
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Brasil e Índia fecham acordo para avanço em blockchain, IA e computação quântica.
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Parceria inclui centro de excelência em tecnologias digitais e infraestrutura pública.
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Cooperação fortalece o uso governamental de blockchain e acelera pesquisas em computação quântica.
O Governo Federal publicou nesta segunda-feira, 23, o documento com as diretrizes da parceria digital Brasil–Índia para o futuro. O acordo fez parte da visita do Presidente Lula ao Primeiro Ministro da República da Índia, Shri Narendra Modi, durante a 2ª Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA), em 18 e 19 de fevereiro, com uma reunião bilateral com o Primeiro Ministro Modi em 21 de fevereiro de 2026.
Esta foi a quinta visita do Presidente Lula à Índia e sua segunda visita de Estado, em retribuição à visita de Estado do Primeiro Ministro Modi ao Brasil, realizada em 7 e 8 de julho de 2025.
No documento, os governos destacam que tecnologias como identidade digital, pagamentos instantâneos, análise massiva de dados e modelos de IA de grande porte moldarão os próximos ciclos de desenvolvimento de ambos os países. Desse modo, a iniciativa visa aprofundar a cooperação entre os países em áreas consideradas cruciais para a próxima década, como infraestruturas públicas digitais, blockchain, inteligência artificial, semicondutores e computação quântica.
Assim, a parceria estabelece um pacto de longo prazo baseado em colaboração técnica, intercâmbio científico, projetos-piloto e coprodução de soluções digitais, com foco especial no impacto climático, produtividade econômica e inclusão social. O texto enfatiza o potencial dessa cooperação para orientar políticas públicas e criar infraestrutura digital compartilhada para países emergentes, reforçando a diplomacia tecnológica do eixo Sul-Sul.
Centro Conjunto de Excelência Digital
Um dos pilares centrais é a criação de um Centro Conjunto de Excelência em Infraestruturas Públicas Digitais no Brasil, dedicado ao desenvolvimento, treinamento e implementação de soluções digitais para setores como educação, agricultura, qualificação profissional e combate às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, o Brasil e a Índia lançarão uma Rede Aberta de Inteligência Planetária (OPIN), rede projetada para integrar transformação digital e ação climática, conectando dados, sensores, análises e tecnologias emergentes em uma agenda global de sustentabilidade.
Outro ponto estruturante envolve a cooperação em inteligência artificial, com foco tanto em modelos avançados quanto em políticas de governança, privacidade e supervisão ética. Os países também trabalharão juntos em comunicações de próxima geração, semicondutores, tecnologias imersivas e computação de alto desempenho, estabelecendo treinamento constante entre universidades, centros de pesquisa, startups e empresas de tecnologia.
A declaração prevê ainda diálogo em contínuo segurança cibernética, apoio mútuo em instâncias internacionais e desenvolvimento conjunto de diretrizes para governança digital e inovação responsável. Para ambos os países, a aliança funciona como uma resposta estratégica ao cenário global, marcada por disputas tecnológicas crescentes e pela demanda por modelos de inovação inclusivos.
Aplicações governamentais de blockchain no Brasil e na Índia
Brasil e Índia já possuem trajetórias relevantes no uso de blockchain pelo setor público, e a nova parceria abre caminho para a integração de tecnologias e a padronização de infraestruturas.
No Brasil, o governo utiliza blockchain em várias frentes estratégicas. A Receita Federal mantém o b-CAD, sistema que rastreia importações e exportações com garantia de integridade dos dados. Além disso, o sistema é usado para validar dados do CPF. Além disso, o país conta com a Rede Blockchain pública Brasil, que conecta diversas instituições, entre elas o BNDES e o TCU.
Na Índia, a adoção também avança rapidamente. O país desenvolveu o National Blockchain Framework, que funciona como padrão nacional para serviços públicos digitais. Universidades já emitem certificados e diplomas selecionados em blockchain, reduzindo fraudes e agilizando autenticações. A área agrícola opera sistemas de rastreabilidade que acompanham toda a cadeia produtiva, aumentando a confiança e a eficiência. No judiciário, os tribunais testam o registro de processos e provas em redes blockchain, fortalecendo a transparência e a segurança jurídica.
Computação quântica no Brasil e na Índia
A parceria destaca também a cooperação em tecnologias quânticas, área que ambos os países tratam como prioridade. O Brasil investe na expansão de laboratórios quânticos vinculados ao LNCC, à USP e à Unicamp, além de iniciativas privadas focadas em simulação quântica aplicada à indústria e à saúde. Projetos contínuos pelo Senai Cimatec e pelo Centro Nacional de Supercomputação reforçam a capacidade nacional em hardware quântico inicial e no desenvolvimento de algoritmos híbridos.
A Índia, por sua vez, avança em ritmo acelerado. O país mantém um dos programas governamentais mais robustos do mundo, o National Quantum Mission, com investimentos bilionários previstos até 2031. Também abriga centros especializados em computação quântica aplicada à criptografia, à logística e às telecomunicações, além de manter a colaboração ativa com gigantes globais de hardware quântico, como IBM e AWS.
Fontecointelegraph




