Rocha Negraa maior gestora de ativos do mundo, realizou uma transferência significativa de criptoativos para a exchange Coinbase, totalizando aproximadamente US$ 257 milhões (cerca de R$ 1,47 bilhão na cotação atual). A transferência envolve grandes volumes de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) e ocorre em um momento de tensão no mercado, marcado por saques em produtos de investimento e incertezas macroeconômicas nos Estados Unidos. Com o Bitcoin lutando para manter níveis de suporte, essa ação institucional acende um alerta sobre a liquidez de curto prazo.
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, quando uma gigante como a BlackRock transfere ativos de suas carteiras de custódia para uma corretora (exchange) como a Coinbase, o mercado interpreta isso como uma preparação para venda ou liquidez. Nos ETFs à vista (Spot), quando há mais investidores querendo sacar seu dinheiro do que entram, um gestor precisa vender os Bitcoins subjacentes para devolver o dinheiro (dólares) aos cotistas.
Esse movimento técnico reflete o sentimento atual de cautela. Recentemente, observamos situações semelhantes onde o ETF de Bitcoin da BlackRock registrou volumes recordes em meio a sinais de capitulação, impedindo que investidores institucionais ajustando suas posições diante da volatilidade. Além disso, o cenário político norte-americano, com o risco iminente de uma paralisação parcial do governo (shutdown), reduz historicamente o apetite por ativos de risco, forçando os gestores a aumentar suas reservas de caixa.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
De acordo com dados da plataforma de inteligência on-chain Arkham Intelligence, a operação foi dividida entre as duas principais criptomoedas do mercado:
- Bitcoin: Transferência de 3.402 BTC, avaliada em aproximadamente US$ 227 milhões.
- Ethereum: Movimentação de 15.108 ETH, totalizando cerca de US$ 29,5 milhões.
Essas transferências se alinham aos dados da SoSoValue, que reportou saídas líquidas de mais de US$ 157 milhões nos ETFs de Bitcoin da gestora em um único dia. O cenário de baixa não é exclusivo da BlackRock; analistas apontam que carteiras ligadas ao governo do Butão também reduziram suas participações em quase 60% desde outubro.
Apesar da pressão do vendedor, o mercado tenta encontrar um fundo. O banco Standard Chartered alertou que o Bitcoin poderia testar a região de US$ 50.000 antes de uma recuperação, embora relatórios anteriores sobre a resiliência dos ETFs de Bitcoin apontados pela Bloomberg sugiram que esses produtos tendem a absorver choques mesmo em quedas acentuadas.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor no Brasil, a remuneração da BlackRock serve como uma taxa de sentimento institucional. A pressão de venda nos EUA pode impactar o preço do par BTC/BRL e a cotação de BDRs de ETFs negociados na B3 (como o IBIT39). Entretanto, é importante separar o ruído de curto prazo da estratégia de longo prazo.
A BlackRock continua profundamente envolvida na infraestrutura criptográfica. Exemplo disso é a recente integração de seu fundo tokenizado na Uniswap, demonstrando que, apesar das vendas pontuais para cobrir saques, a instituição segue construindo pontes entre o mercado tradicional e o DeFi. Para o brasileiro, momentos de correção institucional podem representar oportunidades de entrada, desde que sejam controlados o gerenciamento de risco e a exposição ao dólar.
Riscos e o que observar
O principal ponto de atenção para os próximos dias é o desdobramento do impasse fiscal nos EUA. Uma paralisação do governo pode intensificar a aversão ao risco, enviando ainda mais os ativos digitais. Os investidores devem monitorar se as saídas dos ETFs vão estancar ou acelerar.
Enquanto a BlackRock diversifica suas ofertas, inclusive com o lançamento de estratégias de hedge para o varejo, a volatilidade deve permanecer alta. Analistas da CoinGape reforçam que a falha na recuperação de níveis psicológicos importantes, como os US$ 80.000, mantém o sinal de alerta ligado no curto prazo.
Fontecriptofacil



