A Bitdeer Technologies ultrapassou a MARA Holdings e se tornou a maior mineradora de Bitcoin do mundo pelos classificados de “hashrate sob gestão”, segundos dados divulgados pelas próprias empresas. A empresa sediada em Singapura reportou 71 EH/s ao final de dezembro, superando os 61,7 EH/s informados pela MARA, enquanto as ações BTDR subiram 4% no dia para US$ 12,78. O movimento ocorre em um momento de forte pressão estrutural sobre o setor de mineração de Bitcoin, com margens comprimidas e competição crescente por eficiência energética.
Para o investidor brasileiro, isso é importante porque o hashrate define quem sobreviveu em ciclos de dificuldade elevada e influencia a oferta de BTC no mercado à vista. Mineradoras mais eficientes tendem a vender menos Bitcoin em momentos de estresse, pressão de pressão vendedora e impactando preços no prazo médio. Em paralelo, o Bitcoin consolida acima de US$ 42.000, com alta de 1,8% em 24h e volume diário próximo de US$ 18 bilhões.
O panorama de fundo é um setor que tenta se adaptar após o halving de 2024 e à medida que a dificuldade da rede segue elevada, apesar de um leve retrocesso recente. Segundo o Cointelegraph, a dificuldade caiu para 146,4 trilhões em janeiro de 2026, mas a projeção indica nova alta para 148,2T já em 22 de janeiro, mantendo a pressão sobre operadores menos eficientes.
O que é “hashrate sob gestão” e por que ele é importante?
O “hashrate sob gestão” inclui tanto a capacidade própria de mineração quanto máquinas hospedadas para terceiros, oferecendo uma visão mais ampla da escala operacional de uma empresa. No caso da Bitdeer, dos 71 EH/s reportados, 55,2 EH/s vêm de mineração própria, enquanto o restante está vinculado a contratos de hospedagem e assinaturas externas.
Na prática, isso indica maior diversificação de receitas, algo crucial quando o chamado hashprice — a receita por unidade de poder computacional — permanece baixo. De acordo com a TodayOnChain, o hashprice chegou a cair abaixo de US$ 35/PH/s/dia em novembro de 2025, bem abaixo do nível considerado confortável de US$ 40.
Bitdeer ganha eficiência enquanto concorrentes seguram BTC
Em dezembro, a Bitdeer minerou 636 BTC, mais de quatro vezes o volume de um ano antes, impulsionada pela expansão de seus chips proprietários SEALMINER. Esses chips operam com eficiência estimada entre 6 e 7 J/TH, número significativamente inferior à eficiência média de frota da MARA, em cerca de 19 J/TH, segundos dados divulgados pelas empresas.
Já a MARA adota uma estratégia diferente: manter a maior parte do Bitcoin minerado. A empresa possui mais de 55.000 BTC em tesouraria, ficando atrás apenas da estratégia entre companhias profissionais, conforme dados do The Block. Essa postura reduz a oferta imediata de BTC no mercado e dialoga com a crescente demanda institucional por Bitcoin.
Como essa disputa impacta os investidores brasileiros?
Para quem investe via ações internacionais ou BDRs, a liderança em hashrate tende a favorecer empresas mais eficientes em ciclos de abertura. Ao mesmo tempo, mineradoras que acumulam BTC funcionam como proxies alavancados do preço do ativo, ampliando ganhos e perdas.
No mercado criptografado, a intensa competição entre mineradoras reforça a tese de que apenas jogadores com escala, energia barata e tecnologia própria devem sobreviver no longo prazo. Em um cenário de dificuldade alta e preço do Bitcoin ainda lateralizado, movimentos como o da Bitdeer ajudam a explicar por que as declarações no setor devem continuar ao longo de 2026.
Fontecriptofacil



