Ao longo da última década, o Bitcoin saiu de um ativo marginal, muitas vezes associado à especulação e desconfiança, para se tornar um dos principais protagonistas do mercado financeiro global. Nesse período, poucas opiniões foram tão emblemáticas — e controversas — quanto às de Warren Buffett, um dos investidores mais respeitados do mundo, que nunca escondeu seu ceticismo em relação à criptomoeda.
Foi justamente em meio a esse cenário de dúvidas e volatilidade que Buffett fez uma de suas críticas mais conhecidas. Em 5 de maio de 2018, ele classificou o Bitcoin como “veneno de rato ao quadrado”reforçando sua visão de que o ativo não possui valor intrínseco e não deveria ser considerado um investimento tradicional.
Naquele momento, a criptomoeda ainda buscava se recuperar do estouro da bolha de 2017. Cada unidade era negociada em cerca de US$ 9.697, bem abaixo do pico próximo de US$ 20 mil registrados meses antes.
Desde então, o cenário mudou de forma significativa. Hoje, com o Bitcoin cotado em US$ 71.700, a valorização acumulada chega a aproximadamente 640%transformando o ativo em um dos investimentos mais rentáveis do período, apesar da volatilidade e das críticas recorrentes de investidores tradicionais.
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Buffett, conhecido por sua estratégia focada em ativos com fluxo de caixa previsível, sempre foi um dos maiores críticos do Bitcoin. Ao longo dos anos, o investidor reforçou sua visão de que a criptomoeda não produz valor intrínseco e depende exclusivamente de alguém disposto a pagar mais caro no futuro. Seu sócio de longa data, Charlie Munger, também adotou um tom ainda mais duro, classificando o setor como especulativo e prejudicial.
Bitcoin super ações de Buffett
A valorização de mais de 600% do Bitcoin no período também chama atenção quando comparado ao desempenho de ativos tradicionais, incluindo aqueles ligados à própria Berkshire Hathaway, empresa fundada por Buffett. As ações da companhia acumularam altas de cerca de 150% desde maio de 2018, um desempenho sólido, mas ainda bem abaixo do retorno da criptomoeda no mesmo intervalo.
O mesmo vale para algumas das principais posições históricas da Berkshire. A Apple avançou aproximadamente 500% no período, impulsionada pelo crescimento de receitas e expansão de múltiplos. Já a Coca-Cola registrou valorização mais moderada, próxima de 60%, enquanto o Bank of America subiu cerca de 70% desde então. Embora relevantes, esses retornos ainda ficam distantes da magnitude da alta do Bitcoin desde 2018.
Mesmo diante desses números, Buffett mantém sua posição praticamente inalterada. Em diversas graças, o investidor afirmou que não compraria Bitcoin “nem por uma fração do preço atual” e reiterou que o ativo não gera renda, não produz nada e depende exclusivamente da especulação para se valorizar. Para ele, ações de empresas produtivas ou imóveis continuam sendo escolhas mais racionais no longo prazo.
De nicho especulativo para ativo institucional
Em 2018, o mercado criptográfico ainda era amplamente dominado por investidores de varejo, exchanges menos estruturadas e projetos iniciais de tokens. O conceito de finanças descentralizadas (DeFi) ainda não havia ganho de tração, e os produtos institucionais ligados às criptomoedas eram praticamente inexistentes.
Nos anos seguintes, porém, o setor passou por uma transformação. O surgimento de ETFs de Bitcoin, maior participação de investidores institucionais, avanços regulatórios em diferentes países e o crescimento da infraestrutura de custódia ajudaram a legitimar o ativo no sistema financeiro global.
Além disso, eventos macroeconômicos, como políticas monetárias expansionistas durante a pandemia e o aumento da inflação em diversas economias, reforçaram a narrativa do Bitcoin como reserva de valor alternativa, aproximando-o de comparações com o ouro.
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Isso não significa que a volatilidade tenha desaparecido. O Bitcoin teve ciclos intensos de alta e queda ao longo dos últimos anos, incluindo correções superiores a 70%. Ainda assim, a tendência de longo prazo tem sido de valorização, acompanhada por uma expansão significativa da base de usuários e da capitalização de mercado.
A trajetória desde 2018 evidencia não apenas o crescimento do preço, mas também a evolução do próprio mercado criptográfico, que saiu de um ambiente predominantemente experimental para um setor cada vez mais integrado ao sistema financeiro tradicional.
Mesmo com o avanço, a visão de Buffett permanece praticamente inalterada. Mas os números mostram que, desde que o investidor fez sua crítica mais famosa, o “veneno de rato” acabou entregando retornos que poucos ativos conseguiram acompanhar no mesmo período.
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Fonteportaldobitcoin



