Análise

Resumo da notícia

  • Investidores de longo prazo voltam a comprar, mas sem força

  • Indicadores mostram dor extrema do mercado

  • ETFs registram saída de capital institucional

O preço do Bitcoin vive uma queda de quase 50% desde sua máxima histórica em US$ 126 mil. Após uma queda para US$ 62 mil o ativo se estabilizou entre US$ 67 mil e US$ 70 mil, alimentando a esperança dos comerciantes de uma nova alta.

No entanto, análises recentes da CryptoQuant indicam que, apesar de algumas mudanças importantes no comportamento do mercado, ainda não existem evidências suficientes para confirmar o início de uma nova tendência de alta sustentável, nem de uma recuperação para US$ 80 mil.

O analista Burak Kesmeci, da CryptoQuant, acordou uma mudança relevante no comportamento dos investidores de longo prazo, conhecidos como detentores de longo prazo (LTHs). Segundo ele, nos últimos seis meses houve uma onda de vendas por parte desses investidores, especialmente durante períodos em que o preço do Bitcoin aumentou. Essa distribuição gradual de moedas contribuiu para a pressão do vendedor observado no mercado.

Entretanto, esse cenário começou a mudar após 12 de janeiro de 2026. De acordo com Kesmeci, quando o Bitcoin recuou para a faixa entre US$ 62 mil e US$ 68 mil, os investidores mais pacientes interromperam as vendas e passaram a acumular novamente. Os dados mostram que a média diária de compras atingiu cerca de 115 BTC, enquanto a pressão do vendedor praticamente desapareceu.

“A pressão de venda praticamente desapareceu e as mãos mais pacientes saíram ao mercado”, explicou o analista.

Apesar desse comportamento positivo, Kesmeci afirma que o movimento ainda não possui força suficiente para transferência do preço.

“A resposta é não — nem é suficiente, nem capaz de empurrar o preço para cima”, afirmou.

Segundo ele, o mercado ainda carece de impulso e a continuidade dessa acumulação nas próximas semanas será um sinal decisivo. Historicamente, esse tipo de padrão costuma representar apenas uma calmaria antes de um grande movimento, sem indicar necessariamente uma tendência de alta imediata.

Indicador histórico mostra dor extrema

Outro sinal vem relevante da análise do especialista conhecido como MorenoDV_, que avaliou o Sharpe Ratio de curto prazo do Bitcoin. Esse indicador mede o retorno ajustado ao risco e recentemente atingiu um nível extremamente negativo, registrando -38,38, patamar historicamente associado aos fundos de ciclos do ativo.

Segundo o analista, os níveis semelhantes foram coletados apenas em momentos decisivos do mercado, como em 2015, 2019 e no final de 2022. Em todos esses casos, os períodos coincidiram com grandes mínimos de preço e foram seguidos por recuperações expressivas ao longo do tempo.

“Uma leitura profundamente negativa não significa apenas desempenho fraco, mas máximo por unidade de volatilidade”, explicou.

MorenoDV_ afirma que esse cenário representa um momento de capitulação generalizada, quando os investidores enfrentam perdas intensas e a pressão de venda tende a se esgotar. No entanto, ele ressalta que esse tipo de sinal não indica necessariamente uma recuperação imediata.

O analista alerta que um choque macroeconômico de liquidez pode prolongar a fase negativa, atrasando qualquer recuperação relevante, mesmo que o risco-retorno já pareça mais favorável no médio e no longo prazo.

Estabilização, mas ainda sem verdade compradora

A leitura do analista conhecido como Easy On Chain reforça o cenário de cautela. Segundo ele, o mercado passou por um processo de desalavancagem intenso no início de fevereiro, marcado por liquidações forçadas, ficando significativamente sem contratos em aberto e taxas de financiamento fortemente negativas. Esse movimento indicou uma redução generalizada do risco, em vez de uma simples rotação saudável de capital.

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Após esse evento, os sinais de demanda podem surgir em níveis mais baixos de preço. O fluxo de compradores voltou a aparecer ocasionalmente, com investidores absorvendo ofertas na faixa média e alta dos US$ 60 mil. Ainda assim, o analista afirma que o movimento parece mais tático do que estrutural.

“O mercado passou da capitulação para uma estabilização inicial, mas a verdade ainda é fraca”, explicou.

Segundo ele, uma recuperação consistente exigia domínio persistente dos compradores por várias sessões, aumento significativo do volume à vista e normalização das taxas de financiamento. Embora esses fatores não se consolidem, o mercado tende a permanecer defensivo, com recuperações limitadas e volatilidade elevada.

Saída de capital institucional

A análise da CryptoQuant também destaca o comportamento dos investidores institucionais, fator considerado essencial para uma recuperação sustentável do Bitcoin. O analista CryptoOnchain comentou quatro semanas consecutivas de saídas líquidas nos ETFs à vista de Bitcoin, estabelecendo um período prolongado de postura defensiva entre grandes investidores.

Segundo os dados, a tendência de vendas começou na semana de 19 de janeiro de 2026 e atingiu seu pico no início de fevereiro. O fundo IBIT, da BlackRock, liderou o movimento com uma saída expressiva de capital. Embora a intensidade das retiradas tenha diminuído nas semanas seguintes, os fluxos permaneceram negativos.

“A ausência de entradas positivas indica que o sentimento institucional continua cauteloso”, afirmou o analista. Ele conclui que o mercado ainda se encontra em uma fase de distribuição e que apenas o retorno consistente de fluxos positivos poderia indicar uma mudança estrutural no cenário.

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Fontecointelegraph

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