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Poucos críticos ficaram tão associados ao Bitcoin quanto Jamie Dimon. O CEO do JPMorgan passou anos atacando a criptomoeda em público, mas foi em 12 de setembro de 2017 que fez sua declaração mais famosa: disse que o Bitcoin era uma “fraude”, que “iria cair” e afirmou que deixaria “em um segundo” qualquer trader do banco que negociasse o ativopor considerar isso “estúpido” e contra as regras da instituição.

Naquele dia, um Bitcoin valia US$ 3.883,65. Com o ativo agora em US$ 72.500, o alto acumulado desde então chega a 1.766%. Em outras palavras, apesar de uma das críticas mais duras já feitas por um grande banqueiro de Wall Street, o Bitcoin multiplicou de valor quase 18 vezes desde a fala que ajudou a marcar a imagem pública de Dimon como um de seus maiores detratores.

O mais curioso é que um dia após a fala de Dimon o Bitcoin caiu para US$ 3.100, no que seria um piso de um forte rali que se agravou. Apenas três meses depois, o BTC alcançou um recorde histórico de quase US$ 20 mil, e mesmo passando por uma grande volatilidade, que chegou a colocar a criptomoeda abaixo de US$ 4 mil por um tempo, ele nunca mais voltou para os mesmos US$ 3.100.

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A fala de 2017 não foi um comentário isolado. Na ocasião, Dimon também comparou a paixão com o Bitcoin à mania das tulipas e associou a criptomoeda ao uso por criminosos, traficantes e regimes como a Coreia do Norte. O impacto foi imediato no noticiário e ajudou a cristalizar, para parte do mercado tradicional, a ideia de que o Bitcoin seria apenas uma bolha passageira.

As críticas continuaram, mas até o JPMorgan cedeu

Quatro meses depois, em 9 de janeiro de 2018, Dimon recuperou parcialmente o tom e disse que se arrependia de ter usado a palavra “fraude”, mas deixou claro que continuava sem qualquer interesse no Bitcoin. Naquele momento, a criptomoeda já havia disparado para cerca de US$ 14.595, refletindo a euforia do fim de 2017.

Em 11 de outubro de 2021, com o mercado já muito mais institucionalizado, ele voltou à carga e afirmou que o Bitcoin era “sem valor” e que o setor acabaria sob forte regulação. O comentário foi feito quando o BTC foi negociado em torno de US$ 57.304. Na prática, mesmo após anos de ataques verbais, o ativo já estava quase 15 vezes acima do preço registrado na crítica de 2017.

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Dimon insistiu no tom duro em 6 de dezembro de 2023, durante audiência no Senado dos EUA, ao dizer que, se estivesse no governo, “fecharia isso”. Naquele dia, o Bitcoin era negociado perto de US$ 43.746. Pouco mais de um mês depois, em 16 de janeiro de 2024, no Fórum de Davos, ele voltou a chamar o Bitcoin de “pet rock” (pedra de brinquedo) e disse que o ativo “não faz nada”. Naquele momento, o BTC estava em US$ 43.155.

O contraste fica ainda maior quando se olha para o próprio JPMorgan. Embora Dimon siga publicamente crítico, o banco há anos vem ampliando sua presença em ações digitais e infraestrutura relacionada ao setor.

Em 2021, o JPMorgan passou a permitir que clientes de sua área de gestão de patrimônio acessassem fundos de criptomoedas. Além disso, a instituição opera a plataforma Kinexys Digital Payments, voltada para pagamentos digitais 24 horas por dia, 7 dias por semana, e mantém soluções tokenizadas para garantias em ativos digitais.

Mais recentemente, o banco avançou ainda mais no tema. Em 2025, o JPMorgan firmou parceria com a Coinbase para permitir compra de criptomoedas com cartões Chase e vinha considerando ampliar serviços ligados ao mercado digital, inclusive avaliando ofertas para clientes institucionais. Ou seja: mesmo com o chefe do banco repetindo críticas ao Bitcoin, a instituição está se aproximando do universo criptográfico conforme a demanda dos clientes e a tokenização avançaram em Wall Street.

No fim, a trajetória do Bitcoin desde setembro de 2017 ajuda a mostrar como o ativo atravessou ciclos, resistiu às críticas recebidas do topo do sistema financeiro tradicional e acabou forçando até os maiores bancos a se adaptarem de alguma forma ao mercado digital.

Dimon continua sendo um de seus críticos mais famosos. Mas, em termos de preço, o histórico desde aquela fala de “fraude” foi brutalmente favorável ao Bitcoin.

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Fonteportaldobitcoin

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