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Resumo da notícia:

  • A divergência histórica de 2025, onde o ouro subiu 66% e o Bitcoin caiu 6,3%, marca o fim da narrativa do “ouro digital”.

  • Analista da Fidelity argumenta que a descorrelação do Bitcoin com as demais classes de ativos é o “santo graal” das finanças.

  • Para 2026, analista da Fair Lead Strategies projeta um “rali de problema” com alvo em US$ 105.000 antes do início do novo mercado de baixa.

O ano de 2025 consolidou uma divergência histórica entre o ouro e o Bitcoin (BTC), contestando a narrativa de que ambos servem aos mesmos propósitos em tempos de crise.

Enquanto o metal precioso valorizou 66%, alcançando novas máximas históricas acima de US$ 4.600, o principal criptoativo do mercado fechou 2025 no vermelho, com uma queda de 6,3%. Para alguns analistas, esse comportamento oposto sinaliza que o Bitcoin está perdendo seu status de “ouro digital”, uma vez que não funcionou como um ativo de proteção em um período de incertezas macroeconômicas e turbulências geopolíticas.

Desempenho do ouro em 2025. Fonte: TradingView

Christopher Kuiper, diretor de pesquisa da Fidelity Digital Assets, e Katie Stockton, fundadora da Fair Lead Strategies, argumentam que o desempenho inferior do Bitcoin em 2025 não é um sinal de fraqueza, mas sim parte de um desdobramento positivo para a tese de investimento no criptoativo com foco no longo prazo.

Stockton declarou em participação no podcast “Markets Outlook” a ação de preço e a volatilidade registrada pelo Bitcoin em 2025 mostrando que o criptoativo não está cumprindo a função clássica de um ativo de proteção. Embora tenha atingido novas máximas históricas ao longo do ano, uma correção superior a 30% no quarto trimestre eliminou todos os ganhos acumulados no período.

Stockton observa que oscilações bruscas no preço e a natureza cíclica do ativo o distinguem fundamentalmente de portos seguros ocasionais. Para o analista, o comportamento do Bitcoin durante momentos de aversão ao risco confirma que o mercado vê como um ativo de crescimento semelhante às ações de tecnologia – e não como reserva de valor:

“Para mim, o Bitcoin nunca foi tratado como um porto seguro. As características são realmente muito diferentes e acho que o cenário atual tem sido um exemplo disso.”

Kuiper se alinhou ao mesmo ponto de vista durante a participação no podcast “The Milk Road Show”, enfatizando que não há como comparar a maturidade do ouro com o ecossistema nascente das criptomoedas.

Segundo o analista da Fidelity, grandes instituições, fundos soberanos e bancos centrais ainda recorrem aos “milênios de história do ouro” como segurança primária contra a desvalorização de moedas fiduciárias.

A prova é que, num contexto de desvalorização do dólar, o ouro registou um dos melhores desempenhos anuais no seu histórico recente:

“O ouro teve o seu quarto melhor ano em sua história desde o fim do padrão-ouro.”

Em contrapartida, o Bitcoin, sendo ainda um ativo “muito incipiente” e em fase de descoberta de preço, sucumbiu à dinâmica cíclica dos investimentos em criptomoedas.

Ao longo de 2025, o mercado testemunhou que os detentores de longo prazo se desfazendo de suas posições e uma desaceleração nos fluxos de entrada nos ETFs. Ambos os fatores foram determinantes para a correção que se seguiu à máxima histórica de US$ 126.000, registrada em outubro.

Desempenho do Bitcoin em 2025. Fonte: TradingView

O “novo papel” do Bitcoin

Para ambos os analistas, o desempenho negativo não significa que o Bitcoin falhou, mas sim que o criptoativo está se adequando a um “novo papel”.

Kuiper argumenta que a baixa visibilidade entre Bitcoin e ouro os torna complementares, e não concorrentes. Em vez de tentar replicar o comportamento do ouro como uma reserva de valor estável, o ativo está se estabelecendo como um diversificador de portfólio sem precedentes, acrescenta Stockton:

“Não temos essa característica de porto seguro pela forma como ele está sendo negociado agora. Mas temos um ativo que está sendo tratado de forma diferente de todas as outras classes de ativos.”

No ano passado, essa independência ficou evidente não apenas em relação ao ouro, mas também pela descorrelação crescente do preço do Bitcoin em relação ao NASDAQ 100, afirma o analista:

“É incomum observar criptomoedas em alta enquanto os mercados de ações estão em queda, mas esse é um padrão que começou a emergir.”

Para Kuiper, essa descorrelação com as demais classes de ativos é o maior diferencial que o criptoativo pode oferecer aos investidores:

“Isso é o santo graal das finanças: colocar algo em seu portfólio que não esteja correlacionado com todo o resto, o que pode melhorar seus retornos ajustados ao risco”.

Perspectivas para o preço do Bitcoin em 2026

Para ambos os analistas, 2026 será um ano de reestruturação do mercado. Kuiper acredita que, apesar da ação de preço lateral observada em 2025, a regulação e a infraestrutura do setor avançaram de forma inédita.

A adoção institucional, o amadurecimento das soluções de custódia e o desenvolvimento de mercados de derivativos mais robustos necessários, com o tempo, reduzem ainda mais a volatilidade do mercado.

Se por um lado a era das valorizações exponenciais pode ter se encerrado em 2021, o novo ciclo criado o que Kuiper chama de “demanda estrutural”: um fluxo de capital recorrente cuja dinâmica não depende dos ciclos do halving ou de crises econômicas e geopolíticas.

Sob um ponto de vista de curto prazo, Stockton alerta que dificilmente o preço do Bitcoin atingirá novos recordes históricos em 2026. O analista projetou um típico “rali de rompimento” nos primeiros meses do ano, com um preço-alvo em torno de US$ 105.000. Para que isso se confirme, é necessário que o Bitcoin sustente o suporte situado entre US$ 86.000 e US$ 88.000.

No entanto, sinais de exaustão no gráfico mensal sugerem que, após esse possível repique de alta, o mercado enfrentará quedas mais acentuadas, consolidando um novo ciclo de baixa.

O padrão histórico de brilho entre o ouro e o Bitcoin sinaliza uma alta de até 50% no preço do criptoativo em 2026, de acordo com Matt Hougan, chefe global de pesquisa da Bitwise Asset Management. Com isso, o preço do Bitcoin poderia atingir novas máximas históricas em torno de US$ 150.000 até o fim do ano.

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Fontecointelegraph

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