A queda recente do Bitcoin deixou uma grande questão para todos os investidores: a criptomoeda já encontrou seu fundo ou ainda pode cair mais antes de uma eventual recuperação? Mais do que isso, tentando entender se o pior já passou, seria agora uma boa oportunidade de comprar Bitcoin para ganhar com sua recuperação?
Depois de sair de um topo histórico próximo a US$ 126 mil em outubro do ano passado, o BTC acumulou uma correção que chegou a 50% e atingiu um mínimo de dois anos, de US$ 60 mil.
O movimento ocorre em meio a um ambiente de forte aversão ao risco, liquidações em cascata no mercado de derivativos e perda de suportes técnicos relevantes, combinação que costuma gerar pânico entre investidores e, ao mesmo tempo, despertar o interesse de quem busca oportunidades de compra.
O momento atual está marcado por incerteza. Por um lado, os fatores macroeconômicos continuam com ações estratégicas de risco, com juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e esforço geopolítico. De outro modo, análises de sentimento apontam para níveis próximos ao “medo extremo”, condição que, historicamente, costuma anteceder períodos de estabilização.
Nesse contexto, cresce o debate sobre até onde o preço pode cair e se o patamar atual já começa a oferecer pontos mais interessantes para quem pensa no longo prazo.
Até onde o Bitcoin pode cair?
Para Rony Szuster, chefe de pesquisa do Mercado Bitcoin (MB), a perda do nível de US$ 70 mil colocou o Bitcoin em uma zona mais delicada do ponto de vista técnico e psicológico. Segundo ele, esse patamar funcionou como um suporte relevante, e a quebra aumenta a probabilidade de novas quedas no curto prazo, especialmente enquanto persistirem fatores macro e geopolíticos adversos.
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Caso a fraqueza continue, o Bitcoin pode buscar regiões de suporte mais abaixo, que concentram histórico de maior volume negociado e interesse comprador.
Do ponto de vista técnico, Szuster destaca dois suportes importantes: uma região entre US$ 69 mil e US$ 68 mil, que corresponde aos antigos topos históricos de 2021 e às zonas de declarações mais recentes. Abaixo disso, ganha relevância a faixa em torno de US$ 61 milfundo registrado em maio de 2024 e região onde o preço passou meses lateralizado, o que pode atrair defesa dos compradores.
Outras análises apontam cenários ainda mais conservadores. Para Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, a correção se aprofundou após o vencimento de grandes volumes de opções e a quebra de suportes importantes, ativando liquidações em cascata no mercado futuro. Na visão dele, caso a região de US$ 61 mil não se sustente, o próximo suporte realmente relevante aparece em torno de US$ 55 milque poderia marcar o fundo desse ciclo de baixa.
O BTC perdeu a faixa de US$ 70 mil no dia 5 de fevereiro, acelerando rapidamente para menos de US$ 61 mil no mesmo dia, mas conseguiu encontrar uma resistência, seguindo o que apontaram os analistas e no dia 6 já brigava para superar novamente os US$ 70 mil. Apesar dos números parecerem que a retomada já começou, é preciso manter a cautela e a volatilidade ainda deve se manter antes que o Bitcoin realmente confirme sua próxima trajetória.
Há também projeções mais extremas de boas-vindas de casas tradicionais. Analistas da Stifel, por exemplo, lembram que, nos ciclos anteriores, o Bitcoin já registrou quedas entre 70% e 80% a partir do topo. Se um movimento semelhante se repetisse, o preço poderia, no pior cenário, testar níveis próximos a US$ 38 mil. Trata-se, porém, de um cenário de estresse máximo, condicionado à manutenção de um ambiente macro muito adverso e à ausência de acontecimentos positivos.
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É hora de comprar?
Do ponto de vista de curto e médio prazo, os próprios analistas avisaram que ainda não há sinais claros de reversão. A força do vendedor segue presente, os fluxos institucionais continuam fracos e o mercado pode passar por um período prolongado de declarações ou até novas quedas antes de encontrar um piso mais sólido.
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Por outro lado, alguns sinais típicos de estresse já começaram a aparecer. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, observa que o movimento recente foi amplificado por um processo rápido de desalavancagem, com liquidações forçadas e queda acentuada do open interest. Esse tipo de dinâmica costuma eliminar o excesso de risco especulativo do mercado, criando bases mais seguras para uma recuperação futura, ainda que não imediata.
Samir Kerbage, CIO da gestora de criptomoedas Hashdex, destaca também que, enquanto os manchetes e os investidores menores olham para a queda do preço, “algo mais está investindo nos bastidores” na relação com os investidores institucionais.
“Gestores de patrimônio continuam construindo suas alocações de longo prazo. Vemos isso em nossas conversas diárias com avaliadores e em nossos fluxos de ETF. Vemos isso nos registros 13-F da SEC (relatórios trimestrais que mostram as posições de fundos), que mostram acumulação institucional constante. Esses compradores não estão perseguindo impulso. Estamos construindo posições para a próxima década”, ressalta Kerbage.
Nesse cenário, estratégias mais graduais ganham relevância. Em vez de tentar acertar o “fundo exato”, muitos analistas defendem esportes fracionados, como o DCA (dollar cost averaging, em que as compras regulares são feitas aos poucos em um determinado período de tempo, como semanal ou mensal), especialmente à medida que o preço se aproxima de regiões historicamente associadas a fundos de ciclo.
Já para Ricardo Dantas, CEO da Foxbit, ainda é cedo para afirmar que o mercado encontrou um fundo definitivo, e novas oscilações podem acontecer. “O que reforçamos é que o Bitcoin segue sendo um ativo de longo prazo e as decisões de entrada fazem mais sentido quando fazem parte de uma estratégia consistente, alinhada ao perfil do investidor e à capacidade de lidar com volatilidade”, ressalta.
Como resume Szuster, “o caminho de curto prazo ainda é negativo, mas o mercado se aproxima de uma região em que quedas adicionais passam a coexistir com oportunidades mais interessantes para investidores com horizonte de longo prazo”.
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Fonteportaldobitcoin



